terça-feira, 30 de novembro de 2010

(2°) Vídeo-aula 14 - A dimensão afetiva na construção de valores

                     



2°Módulo – Vídeo-aula 14: A dimensão afetiva na construção de valores
“...Porém, construir conhecimento e desenvolver potencialidades ainda não bastam para termos um mundo melhor. Um procedimento de educação baseado somente nesses dois aspectos pode ainda gerar “genialidades”voltadas para a destruição.
...Uma visão ampliada de conhecimento nos faz perceber que não basta saber, é preciso viver o que se sabe e saber o que se vive. Essa é a trajetória de uma ação educativa que prevê o contato com as nossas potencialidades de forma criativa e harmônica, desenvolvendo nossas competências em conhecer e expressar aquilo que verdadeiramente somos.
...Estar em paz consigo mesmo é conseguir encontrar um fio condutor coerente e harmônico entre o que somos, sentimos, pensamos e fazemos. Estar em paz com os outros é reconhecer no outro um ser humano que, assim como eu, busca a felicidade e a auto-realização. Estar em paz com a natureza é sentir-se parte integrante da vida. È viver e deixar viver.
...A paz não é um estado de espírito. É uma atuação concreta, clara, límpida e transparente que reflete a nossa disposição de lidar com a complexidade e a diversidade.”                               Regina de Fátima Migliori

A Prof° Viviane Pinheiro nesta vídeo-aula enfoca a questão da afetividade na construção de valores e para isso, apresenta duas concepções sobre o papel da afetividade na moralidade, na construção de valores.
1°Concepção – de Jean Piaget:
A afetividade como fonte de energia para a cognição. Entendendo a cognição com o  motor do carro e a afetividade como a gasolina. Sendo que esta, a afetividade, não altera a estrutura, que é a cognição, mas ajuda como fonte energética.
2°Concepção – de Mario Carretero:
A afetividade é tão importante quanto a cognição, tanto uma como a outra têm gasolina, como motor (motivação e estrutura).
E enfatiza que a afetividade é um dos aspectos organizativos do psiquismo humano, assim como o sócio-cultural, o físico e o cognitivo, como vimos no esquema criado pelo Prof°Ulisses Araújo sobre o sujeito psicológico.
Numa das pesquisas da Prof°Valéria Arantes, que a ProF°Viviane nos apresentou, também fica evidenciado isso: a afetividade não é só motivacional, também organiza o
psiquismo humano.

E a Prof°Viviane apresentou dois quadros onde ela fala sobre os sentimentos de vergonha e culpa. No primeiro, nos mostra o que os diferencia, e no segundo, em que eles se assemelham.
Aspectos que os diferenciam:
              Vergonha                                                               Culpa
-relaciona-se à forma como o  outro me vê    -relaciona-se à nossa avaliação
-desejo de se esconder ou escapar                -desejo de confessar, me desculpar

Aspectos que os relacionam:
-são sentimentos morais.
-tidos como emoções negativas.
-são atribuições internas, mas vivenciadas nas relações interpessoais.
-emergem da regulação dos valores morais.

Depois nos mostrou uma pesquisa feita por ela onde ficou comprovado, através de algumas situações apresentadas, que quando o sujeito mobilizava os sentimentos de culpa e vergonha é porque tinha o valor de generosidade, e que portanto, o valor generosidade não compareceu quando os sentimentos de vergonha e culpa não compareceram.
Numa outra situação apresentada para o sujeito, foi concluído que se ele se sentiu envergonhado é porque tem o valor da coragem.

E finaliza a vídeo-aula nos dando as seguintes sugestões:
“1°Os sentimentos devem ser objetos de conhecimento, de reflexão na escola e, portanto, devem ser explicitados.
2°Não minimizar vínculos afetivos.
3°Respeito à diversidade a partir da tolerância, regulado pelos sentimentos morais.
4°Promoção de um ambiente mais saudável e feliz, em que os sentimentos positivos levem à resolução de conflitos morais para um mundo mais justo e solidário. Isto é, que a gente proporcione que os alunos tenham essas influências positivas, para que, também, resolvam os seus conflitos de uma forma mais justa, mais solidária e que os seus valores sejam construídos proporcionando que a nossa sociedade seja mais harmoniosa”.
  
                                    Márcia Maria dos Santos Solha
                                              novembro/2010

(2°) Vídeo-aula 13 - Dimensões constitutivas do sujeito


2°Módulo – Vídeo-aula 13: Dimensões constitutivas do sujeito psicológico
Nessa vídeo-aula o Prof°Ulisses busca aprofundar a questão:
Quem somos nós ?
Quem é o aluno que a gente lida ?
E traz uma explicação mais complexa e mais completa deixando de lado as teorias que reduzem o ser humano a um dos seus aspectos constitutivos.

Comenta que o sujeito psicológico se constitue na interação com o meio.
E apresenta as quatro dimensões constitutivas do sujeito psicológic:
-Biológica: o nosso organismo, o nosso corpo.
-Afetiva: afetos, sentimentos, emoções.
-Cognitiva: inteligência, parte intelectual.
-Sócio-cultural: aspecto da cultura.
Sendo que essas quatro dimensões interagem entre si e com o meio, influenciam umas às outras e são influenciadas pelo meio, e também o influenciam.

E com isso o Prof° Ulisses quer nos sensibilizar, nos conscientizar a considerar a totalidade desse sujeito, o aluno, que tem oscilações no seu comportamento, como nós também, mediante a complexidade das interações entre as quatro dimensões e o meio, amenizando, assim,  a leitura determinista que costumamos fazer.

E comenta:
“Isso ajuda a entender o processo de construção de valores; e até mesmo o comportamento de indisciplina. É preciso olhar para cada aluno como sujeitos complexos e considerar a sua totalidade, olhando-o de maneira diferenciada.”

                                     Márcia Maria dos Santos Solha
                                               novembro/2010


(2°) Vídeo-aula 12 - Retardo mental e Autismo

2°Módulo – Vídeo-aula 12: Retardo Mental e Autismo






No livro: “O desenvolvimento social da criança e do adolescente” de Berthe Reymond-Rivier,  encontra-se essa citação que escolhi para iniciar esse trabalho:

“O homem é um ser social. Por mais longe que se retroceda no tempo, vemo-lo sempre procurar a companhia dos seus semelhantes e viver em grupo.
...Casos bem reais, cientificamente estudados, dos quais um dos mais célebres é o do Kasper Hauser de Nuremberg, mostram que isolado e privado da presença do outro, o ser não adquire nenhum dos traços que caracterizam a natureza humana, e se torna uma espécie de monstro. Nas regiões da Índia onde os casos de crianças-lobos foram relativamente numerosos, descobriram-se em 1920 duas meninas – Amala e Kamala -- que viviam numa família de lobos. A primeira, a mais nova, morreu um ano depois; a segunda, Kamala, que deveria ter uns 8 anos, viveu até fins de 1929. Segundo a descrição do Reverendo Singh que as recolheu, elas nada tinham de humano, e o seu comportamento era exatamente semelhante ao dos pequenos lobos, seus irmãos.
...O bispo Pakenham Walsh, que viu Kamala seis anos depois de ter sido encontrada, a criança não tomava qualquer iniciativa de contato, nunca utilizava espontaneamente as palavras que aprendera e, especialmente, mergulhava numa atitude de total indiferença, mal as pessoas deixavam de a solicitar:
“ela sorria docemente quando lhe falavam, mas logo depois, o seu rosto retomava uma expressão ininteligente; quando a deixavam sozinha, retirava-se para o canto mais escuro da sala, acocorava-se e permanecia absolutamente indiferente e inexpressiva. A criança experimentava afeição pela Senhora Singh e obedecia docilmente aos seus conselhos durante todo o tempo em que a vi. Não se interessava por nada, de nada tinha medo, desinteressava-se completamente das outras crianças e dos seus jogos. Caminhava em posição ereta, mas era incapaz de correr”.
Bruno Bettelheim, donde retiramos esta citação (do livro “A Fortaleza Vazia”), declarou-se contra o que ele chama o “mito das crianças-lobos”. Não contesta a pertinência da descrição de Singh; pelo contrário, as analogias, para não dizer a identidade das reações e dos comportamentos de Amala e de Kamala com os das crianças autistas com as quais lidava, convenceram-no de que as duas meninas eram autênticos casos de autismo infantil. Por outras palavras, o que este autor põe em dúvida é a interpretação do seu comportamento em função de uma pretensa origem selvagem. São, diz ele, crianças abandonadas pelos pais e que em virtude dessa carência afetiva total, sucumbiram ao autismo, quaisquer que tenham sido, aliás, as condições que asseguraram a sua sobrevivência; o que significa que o comportamento “animal” de Amala e de  Kamala é devido não ao fato de elas terem vivido entre lobos (o que Bettelheim põe em dúvida sem formalmente o contestar), mas de terem sido privadas dos pais. Na realidade, justa ou falsa, a refutação de Bettelheim em nada enfraquece, antes pelo contrário, a importância crucial do meio humano.”

No rodapé da página onde consta esse último parágrafo traz a seguinte informação:
“A etiologia do autismo está ainda em discussão, mas parece que na origem se encontra sempre uma rejeição total (por vezes desde a nascença) da criança pela mãe, “condição necessária mas não suficiente”, escreve Bettelheim, para a eclosão da perturbação. Para um conhecimento mais aprofundado, consulte a obra já citada do autor, “A Fortaleza Vazia”, consagrada inteiramente ao autismo.”

Violet Oaklander em seu livro : “Descobrindo crianças – a abordagem gestáltica com crianças e adolescentes” comenta:
“Parece que as linhas-mestras que uso com crianças mais normais também se aplicam a crianças autistas. Comece onde a criança está. Fique com a criança. Receba pistas da criança. Esteja alerta para o processo dela e para os interesses dela (e não os seus). Traga-a sempre de novo para sua consciência de si mesma, oferecendo muitas atividades sensoriais tais como brincar com água, pintar com os dedos, brincar com areia, e trabalhar com argila. Cathy Saliba descreve que leva as crianças para a praia, onde podem sentir o cheiro do mar, ver, sentir, rolar na água e na areia, sentir o sol e o ar livre. O trabalho corporal é essencial – usar colchões, aplicar massagens, “lutar” com as crianças e encorajá-las a lutar entre si, usar uma rede de acrobata e outros equipamentos de playground. Estas crianças precisam de muitas oportunidades de experienciar o uso controlado de seus corpos.
...Cathy Saliba descobriu, após trabalhar algum tempo com tais crianças, que elas tornavam suas necessidades conhecidas prontamente, mas o faziam de maneira que passavam facilmente despercebidas:...Até aquele primeiro dia em que Sean demonstrou um interesse pelo espelho, eu planejava o que cada aluno ia fazer durante as minhas primeiras horas de contato com ele. ...Eu acreditava que crianças autistas precisavam de muita estrutura e, em essência, exigia delas que executassem o que, quando, como, onde e em que medida, aquilo que eu julgava que necessitavam todo dia. Quando permiti a Sean ficar aquele tempo diante do espelho, estava recebendo uma pista dele, que dizia: “Êi, eu quero estudar o meu reflexo, e eu gosto de fazer isso”. Daí por diante, fui capaz de me abrir o suficiente para ver que Sean podia tornar conhecidos outros desejos e necessidades . Na verdade, bastava eu me permitir ver e responder às pisatas, em vez de sempre impor as minhas próprias exigências.
E Violet complementa:
“E assim Cathy Saliba começou a experimentar “ficar” com as crianças, e descobriu, através deste método, que muita aprendizagem tinha lugar.
...Merilyn Malek experimentou uma abordagem semelhante à de Saliba. Ela também descobriu que ficar com o processo da criança em vez de impor atividades prescritas trazia recompensas muito mais gratificantes.
E Violet conclui:
“O aspecto mais importante de tudo isso é familiarizar a criança consigo mesma, um passo necessário antes que possa ser estabelecido um contato maior com seus colegas, pais, professores e ambiente. Tanto Saliba quanto Malek descobriram que quanto mais as crianças entravam em contato consigo mesmas – seus sentidos, seus corpos -, quanto mais ocorria a autodescoberta, mais calmas estas crianças ficavam. Os movimentos frenéticos desapareciam e a auto-estimulação desnorteada se reduzia. (Saliba fala de visitantes que entraram na classe e alegaram que as crianças não eram realmente autistas, pois o “comportamento autista” tinha diminuído acentuadamente.) Essas crianças  estavam começando a aprender; estavam se relacionando mutuamente a e com seus professores muito mais do que antes.”

Essas citações de dois autores, apesar de falarem mais diretamente de crianças autistas, cabem também ao outro tema a que se refere esse trabalho, que é o retardo mental.
Independente das limitações que tenhamos, o contato com o meio; a acolhida, a dedicação e o amor  dos pais ou cuidadores; os estímulos, incentivos que recebemos na família e depois na escola, de pessoas que acreditam em nosso potencial (em qualquer nível que seja) e permitam que nos expressamos, são fundamentais para o nosso desenvolvimento e a nossa saúde (física, mental e social).

E Violet Oaklander conclui em seu livro: “Quando penso na minha relação com crianças durante toda a minha vida – lembrando-me de como é ser criança, trabalhar em centros de recreação, ser estagiária como professora, e depois professora, trabalhar com crianças emocionalmente perturbadas (aquelas que são abertamente reconhecidas e rotuladas como portadoras de problemas), e fazer terapia com crianças em atendimento particular, recordo-me de muitos, muitos incidentes, estórias que poderia contar, que até hoje me fazem rir e chorar.
...Percebo agora que aprendi a trabalhar com crianças com as próprias crianças, inclusive comigo mesma quando criança !
...As crianças são os nossos melhores mestres. Elas já sabem como crescer, como se desenvolver, como aprender, como expandir-se e descobrir, como sentir, rir, chorar, enfurecer-se, o que está certo para elas e o que não está certo para elas, o que necessitam. Elas já sabem como amar e ser alegres, como viver plenamente a vida, como trabalhar e ser fortes e cheias de energia.
Todas elas (bem como as crianças dentro de nós) precisam de espaço para fazê-lo.”

A Prof°Paula Fernandes nessa vídeo-aula trouxe as seguintes definições:

Retardo mental:
Pessoas com habilidade intelectual abaixo da média.
Início do déficit antes dos 18 anos.
E tem como conseqüências: problemas no funcionamento diário, na comunicação, na interação social, nas habilidades motoras, nos cuidados pessoais e na vida acadêmica.
A prevalência é de 1 a 2% da população geral.
E há três tipos: leve, moderado e grave.

O que fazer:
-Identificação precoce
-Tratamento
-Treino de habilidades sociais, estímulos favoráveis
-Informação e treinamento de pais, familiares e professores
E na escola: máxima estimulação possível

Autismo / Traços autistas:
Transtorno invasivo do desenvolvimento trazendo prejuízos na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos esteriotipados e repetitivos.
Incidência: aproximadamente de 2 a 5 casos por 10 mil crianças.
Mais comum em meninos.
Amplo espectro, que vai desde traços apenas, até o autismo mais grave.

Características:
-Identificado com dois anos e meio, não fala, resiste aos cuidados paternos e não interage.
-Bebês evitam contato visual, sem interesse na voz humana, indiferentes ao afeto.
-Crianças não seguem os pais pela casa, não tem interesse em brincar com outras crianças.
-Interesse por brincadeiras esteriotipadas: movimento da roda do carrinho, cheirar e lamber objetos, bater palmas e levar o corpo para frente e para trás.
-Fascinação por luzes, sons e movimentos.
-Incomoda-se com mudanças na sua rotina diária.
-Inteligência e linguagem comprometidas.

O que fazer na escola:
-Tratamento individualizado
-Intervenções conjuntas: educação especial, aconselhamento de pais, terapia comportamental, treino das habilidades sociais, medicações para melhorar a qualidade de vida e a adaptação da criança.
-45% das crianças com autismo tem uma comunicação verbal boa conseguida através de uma educação direcionada

E a Prof°Paula encerra nos lançando a reflexão:
Como você, professor, lida com essas crianças ?
Como a sua escola promove a inclusão social dessas crianças ?

Com as citações dos autores que utilizei, e com as informações da vídeo-aula, temos muito por fazer por essas crianças e adolescentes, ou em qualquer outra fase da vida.

                                        Márcia Maria dos Santos Solha
                                                Dezembro/2010

Vídeo: O que é o autismo ?
http://www.youtube.com/watch?v=eHbC5n9AVQQ

(2°) Vídeo-aula 11 - Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

2°Módulo – Vídeo-aula 11: Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)




"Que há um sol nascente avermelhando o céu escuro,
Chamando os homens pro seu tempo de viver.
E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem...
E que o passado abra os presentes pro futuro.
Que não dormiu e preparou:  o amanhecer"
                                                          Taiguara


Começo o trabalho sobre esse tema com uma citação de Violet Oaklander, presente em seu livro - “Descobrindo Crianças – a abordagem gestáltica com crianças e adolescentes” :

“Há muita controvérsia em torno da causa e do tratamento do comportamento hiperativo. Todo mundo por certo concorda acerca da conduta manifesta de uma criança hiperativa.
Os médicos prescrevem prontamente medicamentos para acalmar a criança hiperativa. Ocasionalmente tenho visto crianças que, em virtude da sua ingestão diária de pílulas, são capazes de ficar sentadas o tempo suficiente para aprenderem a ler um pouco; ou foram tornadas tão dóceis que aparentam estar passando por uma reversão de personalidade. ...A criança assim tratada não adquire nenhuma força interior própria para poder lidar com seu mundo. Ela usa as pílulas como muleta, e às vezes como instrumento de manipulação: “Me dê as pílulas para eu poder ficar bonzinho”.
Também é assustador especular sobre os danos fisiológicos que podem resultar de tais drogas.
...Crianças que apresentam qualquer um dos vários sintomas hiperativos, ou todos eles, muitas vezes estão simplesmente evitando sentimentos dolorosos. Uma criança incapaz ou não-disposta a exprimir sentimentos contidos, certamente pode ter dificuldade em ficar sentada, prestar atenção, concentrar-se – e não ter nenhuma dificuldade motora ou percepcional com base neurológica.
...Jody, 5 anos, era um exemplo típico deste tipo de criança. Foi diagnosticado como hiperativo e estava tomando 10 miligramas de Ritalin por dia. Sua mãe relatou que embora já estivesse sob essa medicação por mais de um ano, sua hiperatividade não havia diminuído.
...Queria que Jody experienciasse o seu próprio poder. Uma vez sentindo-se livre para fazê-lo dentro dos limites seguros do meu consultório, começou a carregar esses sentimentos de poder para casa. Começou a manifestar muito mais diretamente para mim e para sua mãe algumas coisas que o estavam deixando zangado ou com medo. Sua mãe contou que finalmente ele estava ficando mais calmo e mais fácil de conviver.
...Pelo fato de se distraírem facilmente, e muitas vezes ficarem confusas pelos estímulos, essas crianças têm uma grande necessidade de experienciar uma volta ao senso de si próprias. Acredito que qualquer experiência tátil e cinestésica promove uma nova e mais forte consciência do eu e do corpo. Com um aumento de consciência de si mesmo, surge uma nova consciência dos sentimentos, pensamentos e idéias.
...Uma vez que tocar e fazer movimentos musculares parecem ser coisas úteis para aumentar o senso de eu da criança, e também possuem um efeito calmante, parece-me natural que a massagem possa beneficiar grandemente uma criança hiperativa. ...Desde então tenho sugerido aos pais que massageiem seus filhos. Existem muitos livros para leigos.
...Dou grande importância aos métodos de proporcionar à criança hiperativa meios de fixar em si mesma. À medida que seu senso de eu se torna mais aguçado, ela pode começar a exercer o controle interno que tantas vezes parece estar faltando.
...Finalmente quero enfatizar a profunda importância da escolha. Todas as crianças precisam experienciar a tomada de decisão; especialmente as crianças hiperativas precisam de oportunidade de exercitar sua vontade e julgamento de modo positivo. Fazer escolhas requer um senso de eu; é preciso sintonizar o próprio pensamento e sentimento para tomar uma decisão. Assumir a responsabilidade por uma escolha é uma experiência de aprendizagem. ...Escolhas aparentemente simples muitas vezes não são fáceis para esta criança fazer, mas creio ser essencial que lhe sejam dadas muitas oportunidades de tomada de decisão. Não consigo pensar em nada melhor para reforçar o eu da criança.”

Escolhi esse trecho do livro da psicoterapeuta Violet Oaklander, pois está alinhado ao que penso, acredito e que foi reforçado ao assistir a duas palestras  do 1°Seminário Internacional:  A Educação Medicalizada – Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos.
Numa delas a Dra Maria Aparecida Afonso Moisés – médica da UNICAMP, denuncia a medicalização da Educação e fala:
“A medicalização é uma nova maneira de controle social. É um novo modo de vigiar e punir. Uniformizados, padronizados, submetidos, quimicamente asujeitados, são objetos.
Ou nós nos deixamos cooptar ou nos colocamos em defesa das crianças e da vida.
Medicalizar desconstrói direitos, não há direitos na natureza, ali se dá a lei do mais forte. Direitos, equidades são conquistas. Quando eu medicalizo eu naturalizo.
Doenças que não foram comprovadas cientificamente, o diagnóstico me torna doente e incapaz ?”
E enfatiza:
“Não há evidência que existe a doença (TDAH), não está cientificamente comprovado.
Isso é norma social, não é critério de doença. Não há embasamento científico. E as famílias são aprissionadas pelo diagnóstico.”

E a criança, rotulada.

Faz críticas muito pertinentes aos medicamentos prescritos às crianças e apresenta detalhadamente os perigos e os efeitos deletérios ao organismo e ao desenvolvimento.
E uma das questões levantadas foi:
Que sociedade é essa que quer a pessoa focada ?
A que custo esse foco de atenção ?
E faz citação a um texto : “Os vendedores de doença” de dois escritores americanos, Ray Moynihan e Alan Cassels, (se encontra no google) que falam como criar novas demandas na sociedade.
E a Dra Maria Aparecida brilhantemente encerra a sua fala dizendo que é disso que estamos falando (“vendedores de doenças) e também de controle social.
Isto é, cria-se novas demandas para incrementar o consumo de medicamentos e para “anestesiar” os que incomodam, para que as pessoas se “formatem” para se adequar e ser mantido o status quo.
E esse controle se dá de forma silenciosa, autorizada pela autoridade médica, escolar...
Como não se tem mais os hospitais psiquiátricos para afastar da sociedade os que  tem um comportamento que foge da “normalidade”, se consegue a "normalidade" pela química.
Porém, como já vimos na vídeo-aula sobre Substâncias Psicoativas; tanto as ilícitas, quanto as lícitas causam um grande dano para o organismo e até mesmo irreversíveis; o mesmo está se dando com essas crianças a que são prescritas ritalina e outros, conforme demonstrou a Dra Maria Aparecida.
Que sociedade é essa que está se apoiando na “felicidade química”, na “calma química”, na “atenção química”,  etc...
Só pode ser em nome do consumo de medicamentos e do controle social. E que para isso diagnostica, rotula, segrega...
Como educadores, de que lado nos posicionamos ?

Coloquei o link do CRP (Conselho Regional de Psicologia), que juntamente com a UNIP promoveu o Seminário para que, caso haja interesse, se possa solicitar o acesso às palestras:
http://www.crpsp.org.br/portal/midia/fiquedeolho_ver.aspx?id=292

Deixei, também, o endereço do blog da Carmem Fidalgo, psicopedagoga.
Ela também participou do Seminário,  postou o resumo de algumas palestras e,  gentilmente, compartilhou informações.
carmemfidalgo.blogspot.com

                                          Márcia Maria dos Santos Solha
                                                        Dezembro/2010

(2°) Vídeo-aula 10 - Perspectivas atuais da Educação em Valores

                       
2°Módulo – Vídeo-aula 10- Perspectivas atuais da Educação em Valores
Essa vídeo-aula fala de como o processo de educação em valores pode se dar no dia a dia da sala de aula, no cotidiano da.escola.
E diferentemente do que já nos foi apresentado sobre o assunto baseado no juízo moral, a proposta agora é falar dessa construção pautada na ação das pessoas, pois segundo o Prof°Ulisses “toda a comunidade escolar (professores, alunos, familiares, funcionários ) pode e deve se envolver no processo de construção de valores, processo que impregna a vida das pessoas”.
E a sugestão que ele nos dá é fazer, em primeiro lugar, uma articulação entre Escola e Comunidade e isso pode ocorrer  por meio de quatro movimentos:
1°-Gestão por meio de um Fórum
2°-Para “fora” da escola
3°-Para “dentro” da escola
4°-O protagonismo dos estudantes 
Em relação ao 1°movimento – Fórum, é possível envolver ONGs, Polícia Militar, moradores, professores, alunos e familiares. Pode-se promover palestras, debates com convidados e isso possibilitar que se escolha temas de projetos para se desenvolver durante o semestre. Isso possibilita a participação da família nas políticas da escola.
O 2°movimento: Educação Comunitária propõe levar a escola para fora de seus muros (daí o para ”fora”). Implica em pensar no entorno da escola, registrar os problemas da comunidade para, daí, poder desenvolver projetos que tenham a ver com a realidade cotidiana dos alunos.
Já o 3°movimento: Currículo e Cidadania, requer que tragamos os problemas que foram identificados “lá fora”, isto é, trazer a realidade cotidiana para dentro do currículo da escola.
E o Prof°Ulisses comenta: “os alunos fazem perguntas sobre o que viram e os professores vão trabalhar os conceitos, sendo que os conteúdos que estamos trazendo é sob uma dimensão de Ética, Cidadania, Valores.”
É fundamental que essa escola tenha significado para aquelas pessoas.

E a chave para tudo isso é o protagonismo juvenil, o 4°movimento. E relata:
“A escola precisa considerar a realização de projetos e ações que, ao mesmo tempo, promovam o acesso aos bens culturais exigidos pela sociedade contemporânea e garantam uma formação política aos jovens de modo a lhes permitir participar da vida social de forma mais crítica, dinâmica e autônoma.
Isso exige uma mudança tanto do papel do professor, que deixa de ser o detentor do conhecimento, aquele que ensina tudo para os outros;  quanto do aluno, que passa a ter um  papel mais ativo, ocupando o centro do processo educativo.
E isso se dá através de projetos (rádio; teatro; jornal mural; gincana; etc...), que envolvam temas de ética, cidadania, valores,  sendo que, com a incorporação desses valores, aumenta-se a probabilidade desses valores se tornarem centrais na identidade desse aluno.”


                                   Márcia Maria dos Santos Solha
                                               novembro/2010
                                             

(2°) Vídeo-aula 9 - Perspectivas atuais das pesquisas em psicologia moral


2°Módulo – Vídeo-aula 9: Perspectivas atuais das pesquisas em psicologia moral
“O pai, a mãe e o professor são os principais responsáveis pela formação do futuro de um país”.
“A educação deve demonstrar e prover o estudante não apenas de um meio de subsistência, mas de uma vida que valha a pena ser vivida”.
                                                                                                       Sathya Sai Baba
Nesta vídeo-aula a Prof°Viviane Pinheiro:
1-Nos apresenta pesquisas sobre a moralidade humana e comenta sobre as implicações delas para o campo da moralidade humana.
2-Nos mostra como as pesquisas atuais em psicologia moral contribuíram para uma melhor compreensão sobre os valores.
3- E nos indica o que poderia ser feito na escola a partir dessa descobertas.
Inicia enfatizando que a moralidade faz parte da nossa identidade, de quem nós somos.
E para começar sua explicação, se utiliza de um esquema elaborado pelo Prof° Ulisses Araújo sobre o sujeito psicológico, nos mostrando como ele é composto e a dinâmica existente:
-Há dois planos: o da consciência e o da não consciência.
-Quatro dimensões: biológica, afetiva, cognitiva e sócio-cultural que interagem continuamente e se constituem na interação com o meio.
-E interagem com o meio: coisas/físicas; pessoas/interpessoais;cultura/sócio-culturais
E faz um recorte, destacando a dimensão afetiva, desse sujeito psicológico, onde os valores se situam.
E para definir o que são valores, se utiliza de uma conceituação do Prof°Ulisses Araújo:
“Referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmos.”
Enfim, é tudo o que a gente gosta.
Já os contra valores surgem da projeção negativa sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmos.
 E relata as implicações dessas descobertas da Psicologia Moral para a Educação em Valores:
1°Aspecto: Papel ativo do sujeito na construção de valores - o sujeito constrói os seus valores, então não podemos ter na escola uma educação moral transmissível, onde o aluno tem um papel passivo e recebe as informações. É necessário reflexão e metodologias ativas de aprendizagem, para que o aluno se coloque como construtor de seus próprios conhecimentos.
2°Aspecto: Os valores podem ou não serem morais e não se guiam pelo princípio da justiça – é preciso trabalhar com diversos valores, não apenas com regras e deveres que devem ser cumpridos pelos alunos e alunas.
A moral está integrada à sua identidade: construção da sua moralidade e da sua construção identitária.
3°Aspecto: Posicionamento dos valores como centrais e periféricos e a importância das situações (conteúdos do meio) – os valores vão se constituindo como centrais (mais fortes, mais importantes) e/ou periféricos no sistema moral do sujeito,e a importância das situações (contexto) que são vivenciadas por ele para essa construção.
A contribuição das pesquisas nos mostra que o valor central e periférico varia de pessoa para pessoa e também depende da situação. O sentimento regula um valor.
A sugestão é elaborar sequências didáticas e projetos voltados para a construção de valores pelos alunos em diversas situações.
4°Aspecto: Os valores são regulados pelos sentimentos e se integram e fazem regulação no sistema moral , isto é, vão se organizando no sistema moral dos sujeitos de uma forma hierárquica – vale incluir a explicitação dos sentimentos e valores para a compreensão da regulação exercida por eles, isto é, perceber quais são os seus valores e de que forma os sentimentos atuam.
E conclui dizendo : “Se a gente quer ter uma educação moral efetiva na escola precisamos trabalhar com a compreensão de valores diferentes, sentimentos diferentes, sem dizer: isto é certo, isto é errado, mas discutir aqueles valores que tornam a nossa vida mais agradável, a sociedade mais justa e solidária.”
                              
                                      Márcia Maria dos Santos Solha
                                                 Novembro/2010

(2°) Vídeo-aula 8 - Distúrbios alimentares (anorexia, bulimia e obesidade)

2°Módulo – Vídeo-aula 8: Distúrbios alimentares (Anorexia, bulimia e obesidade)







A Prof° Paula Fernandes fez apenas uma introdução ao tema nos dizendo que os distúrbios alimentares acontecem por interação de fatores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais. E que a influência do culto ao corpo, à magreza, à beleza, traz alterações significativas do comportamento alimentar.

A Prof°Lilia de Souza Li  começou a aula nos falando que a dieta é fundamental pelo crescimento e pela atividade dos adolescentes.
Nos mostrou a pirâmide alimentar:
-Na sua base tem as necessidades hídricas (8 copos / 2 litros de água)
-Depois, em seguida, em ordem decrescente, vem:
-Carboidratos
-Vegetais e frutas
-Carnes, peixes, derivados láteos
-Gordura, açúcar e sal

E nos apresentou os Transtornos Alimentares (TA), que são doenças multifatoriais:
-Anorexia Nervosa (AN)
-Bulimia Nervosa (BN)
-TA Não Especificados (TANE)
-AN atípica
-BN atípica
-Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP)
-Outros

A psicopatologia central da Anorexia (AN) e da Bulimia (BN) é a preocupação excessiva com o peso e a forma corporal (medo mórbido de engordar).

Anorexia Nervosa:
Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura.
Distorção grosseira da percepção da autoimagem corporal.
Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.

É uma doença complexa, de alta mortalidade, ocorrendo desnutrição muito grave e grandes distúrbios metabólicos quando se tenta realimentar.
20% evoluem para óbito
10 a 20% vão se cronificar (melhoras e recaídas)
40% apresentam um episódio, se recuperam, sem evolução para a cronicidade.
É uma doença psiquiátrica, com um padrão emocional associada, e para o tratamento é necessário uma equipe multidisciplinar.

A Anorexia aparece mais precocemente que a bulimia: 12, 13 anos.
Já a bulimia é mais tardia: 16, 17 anos.

Bulimia Nervosa:
Bulimia significa fome de boi.
Vão ter uma compulsão alimentar e comer uma grande quantidade de calorias.
Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso: auto-indicação de vômito, laxantes, diuréticos, jejuns ou exercícios excessivos.
Tipo purgativo
Tipo sem purgação: jejum ou exercícios excessivos.

Obesidade:
É um distúrbio do metabolismo energético, onde ocorre um armazenamento excessivo de energia no tecido adiposo sob a forma de triglicérides.
É uma doença complexa, multifatorial, com sobreposição de fatores genéticos, comportamentais e ambientais
O tratamento da obesidade tem três objetivos:
-orientação alimentar
-mudança de hábitos
-otimização da atividade física

Estudos mostram em relação ao peso dos pais:
Pais com peso normal - possibilidade de 10% do filho ser obeso.
Um dos pais é obeso - possibilidade de 50% do filho ser obeso.
Ambos os pais são obesos - possibilidade de 80% do filho ser obeso.

E para finalizar a Prof° Paula passa a responsabilidade para cada um de nós, professores, que tem um papel fundamental nesse processo, para trabalhar esses temas tão importantes e, também, para identificarmos os casos que podem haver na sala de aula, na escola. Em seguida, darmos o apoio e o suporte necessários através de informação, incentivando a busca de ajuda profissional, com o objetivo que o aluno se sinta amado, acolhido, protegido.

                                     Márcia Maria dos Santos Solha
                                              Dezembro/2010

Vídeo: Transtornos alimentares
http://www.youtube.com/watch?v=JTqHGEfv53U&feature=related