quarta-feira, 6 de julho de 2011

(4°) Vídeo-aula 25 - Relações com as comunidades e a potência do trabalho em rede



4°Módulo – Vídeo-aula 25: Relações com as comunidades e a potência do trabalho em rede

A Prof°Patrícia Junqueira Grandino discorreu sobre o tema levantando os seguintes aspectos:

Contemporaneidade: Tempo de Paradoxos:
-Final do sec XX (últimos 35 anos) notáveis descobertas e progresso científicos, progressão do nível de vida.
-Crescimento econômico não garante a equidade, não garante o respeito pela condição humana.

Tensões:
-Cultura de massa x cultura local: tornar-se cidadão do mundo sem perder referências e pertencimento a comunidade de origem.
-Tradição x Modernidade: construir sua autonomia em dialética com a liberdade e a evolução do outro, dominar o progresso científico.
-Competição x Igualdade de oportunidades: conciliar a competição que estimula, a cooperação que reforça e a solidariedade que une.

Vivemos um tempo de fragmentação no qual a realidade é multifacetada e a sucessão de eventos assume um ritmo frenético.
Mais de 90% dos lares brasileiros tem televisão. Acompanhamos em tempo real os acontecimentos do mundo, ressoando em cada um de nós o impacto disso.
Frente a esses paradoxos e tensões que vão se acentuando.Com a cultura de massa  dissiminando valores e modo de existir generalizados, onde corre-se o risco de descaracterizar a essência da individualidade de cada pessoa e de cada grupo, temos por outro lado uma condição de acentuação maior das identidades locais.
A importância para os jovens de grupos de pertencimento com identidades próprias, ex: emos, skatistas, surfistas, enfim, composições grupais- sentimento importante na constituição de suas identidades.

Sobre a 3°tensão: competição x igualdade de oportunidades a Prof°Patrícia enfatizou:
“A competição não na sua forma destrutiva, mas de maneira estimulante, pode servir como desafio, como um instigado desejo de pessoas, grupos, alcançarem objetivos. E por outro lado é preciso desenvolver as outras formas de relacionamento mais participativos, cooperativos e que pressupõem um laço social mais compartilhado e efetivo. Essa  tensão nos possibilita perceber a importância do trabalho com comunidades.”

Comunidades – de que falamos?
Comunidade:
-Realidade social que garante a permanência de laços sociais mais estreitos. Locais de afirmação da identidade de sujeitos e grupos.
-Presença de afetos e sentimento de pertença e potencial de solidariedade pelo reconhecimento recíproco (família, associações, igrejas).
-Comunidade(s) podem ser considerada(s) espaço(s) privilegiado(s) de garantia e exercício da cidadania.

A potência do trabalho em rede:
Pensar a escola como um pólo de irradiação e de aglutinação desses recursos, que possam fortalecer a implicação desses diferentes atores com as questões dessa comunidade e os aspectos de enfrentamento dos problemas dessa comunidade.
É possível uma problematização de qualidade dos problemas dessa comunidade. Uma reflexão compartilhada de um mesmo problema com educadores, profissionais de saúde, alunos, pais e conselheiros tutelares.

Trabalho em rede:
-Potencializar os recursos da comunidade
-Fortalecer a implicação dos diferentes atores de uma comunidade
-Problematizar as questões emergentes da comunidade coletivamente
-Identificar estratégias de enfrentamento compartilhadas

Exemplo: Dificuldades de relacionamento entre adolescentes, famílias e escola:
Quais seriam os atores que poderiam ser convocados a participar dessa discussão e operar no sentido de pensar estratégias de intervenção para essa realidade ?

-Atores potenciais: professores, conselheiros tutelares, líderes religiosos, mães, pais, avós (a importância nessa perspectiva da tradição, as relações inter geracionais e o ganho que elas podem oferecer num trabalho de acolhimento e fortalecimento dos vínculos), educadores sociais, agentes comunitários de saúde, adolescentes, universidades.

-Organização de um plano de atividades ativas e participativas sobre a temática:
*Fóruns de discussão sobre o ECA.
*Formação de adolescentes multiplicadores de práticas de solidariedade comunitária.
*Oficinas de pais e educadores (efeito preventivo).

E a Prof°Patrícia encerrou dizendo: “com isso se potencializam os resultados, se fortalecem os vínculos e essas relações solidárias da comunidade passam a ser mais efetivas.”

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011


(4°) Vídeo-aula 24 - Papel das ONGs e Associações de Epilepsia




4°Módulo – Vídeo-aula 24: Papel das ONGs e associações de Epilepsia

O Prof°Li li Min comentou sobre a importância do papel das ONGs e, em especial, da “ASPE – Assistência à Saúde de pacientes com epilepsia, que nasceu para desenvolver uma campanha internacional.
Além de ter instituído o dia 9 de setembro como dia de conscientização da epilepsia, ainda municipal e também Latino Americano, mas que, em breve, se tornará  nacional, desenvolve outras atividades:
-Encontros Nacionais de Associações de grupos de pacientes com Epilepsia.
-Revista “Sem Crise”.
-Gibi – para o público jovem.
-Projeto “Mil Líderes” – treinar líderes comunitários que sirvam de multiplicadores levando as informações para a comunidade (fizeram, também, parceria com a Pastoral da Sáude).
-Projeto Conexão - para ampliar a Rede Social:  divulgando o tema epilepsia, promovendo a formação de redes sociais e parcerias na comunidade.
-Projeto GIS – grupos de interação social: promover a interação social de pessoas com epilepsia, família e comunidade.

O Prof° Li ressaltou três objetivos importantes das ONGs:
-Resiliência
-“Empowerment”
-Redes Sociais
E disse: “as ONGs tem um papel não meramente assistencial, mas de aumentar, melhorar a resiliência do paciente e seu familiar para que enfrente melhor a situação. E, também, o “empowerment” – empoderamento, isto é, dar o poder, a voz ao paciente, pois eles estão à margem da sociedade. Os pacientes têm direitos, mas para alcançar esses direitos eles precisam buscar. Você não ganha cidadania, ninguém te passa um título de cidadão, mas você precisa conquistar, fazer valer com a sua vontade e obter esse título de cidadania. E as Redes Sociais amarram esses aspectos dando sustentação ao paciente. A escola, você, professor, pode usufruir dessas Redes Sociais para ampliar as suas ações, fazendo com que você tenha muito mais respaldo, penetração e força de persuasão levando essas informações mais longe.”

E concluiu destacando que o papel das ONGs é de parceria. E falou: “busque uma delas e tente, busque  articular para um fim comum.”

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 23 - Estigma


4°Módulo – Vídeo-aula 23: Estigma

Goffman define estigma como: “referência a um atributo depreciativo, fraqueza ou desvantagem. A pessoa estigmatizada é considerada como tendo uma característica diferente da aceita pela sociedade e é tratada diferentemente pela mesma, que mostra conceitos errados e preconceituosos.”

A prof°Paula Fernandes ainda disse que o estigma é um fato real e global, tem efeito negativo e é comum em vários países.
É um conceito multifatorial e para combate-lo é preciso uma intervenção ampla.

Há o estigma real: situações de discriminação feias pela sociedade.
E o estigma percebido: resultante dos sentimentos dos pacientes a partir de suas crenças e dos comportamentos da sociedade.

Pessoa que se sente estigmatizada:
-maior preocupação com a sua condição
-baixos níveis de autoestima
-baixa autonomia
-problemas nas relações sociais
Dificuldades na escola e no trabalho

Informação é a principal arma no combate ao preconceito, na melhora desse estigma da pessoa com epilepsia. Porém só informação não basta, precisamos ter atitudes, condutas, que influenciem de uma maneira mais positiva.

E enfatizou: “quando se age adequadamente também se está educando as pessoas em volta para tentar minimizar o estigma.”

Como a gente muda isso:
-Campanhas na mídia.
-Atendimento integral ao paciente e sua família.
-Capacitação – educação continuada de profissionais da saúde, educação, e área social, pacientes e famílias.
 
Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 22 - Lazer, juventude e esportes

4°Módulo – Vídeo-aula 22: Lazer, juventude e esportes

O Prof°Ricardo Uvinha falou de início de uma pesquisa com adolescentes de 12 a 18 anos na China que revelou a preferência deles por ver TV no tempo livre. E isso não é diferente aqui no Brasil, onde também o esporte na TV ou como praticante é muito presente.

Cultura e identidade de grupo:
-Espaço físico
-Grupos/ Tribos/ Gênero
-Rixas
-Linguagem
-Vestimenta
-Música
A indústria cultural se aproveita muito desses elementos.
O que é dito nas pistas dos skatistas,  a forma de linguagem, vem para a realidade do dia a dia e esse jovem se expressa assim na escola.

Pedaço: termo antropológico usado por diversos autores entre eles José Guilherme  Canto Manhame. É um espaço simbólico entre a casa e a rua; o formal e o informal; o público e o privado. Assim os jovens se reconhecem no encontro com outros jovens, no encontro com os pares.

Definição de Pedaço: “espaço onde [...] se desenvolve uma sociabilidade básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém mais densa, significativa e estável que as relações formais e individualizadas impostas pela sociedade.”

Pedaço – dois componentes:
-de ordem “espacial” (o telefone público, a padaria, o campo de futebol, o bar, etc...)
-de ordem “simbólica” (composto de uma ampla rede de relações sociais)
Termo que designaria um espaço intermediário entre o privado (casa) e o público (rua).

Esportes radicais, mídia e marketing:
Classificação
Aéreos: paraquedismo, balonismo, vôo livre.
Aquáticos: surf e outros.
Terrestres: caminhada e outros.

Características da aventura:
-resultados incertos, grau de imprevisibilidade.
-perigo e risco
-desafio
-novidade
-exploração e descoberta
-atenção e concentração
-estímulo e entusiasmo

O Prof°Ricardo citou uma reportagem da Revista Nova Escola de agosto de 2006 onde menciona escolas que adotavam esportes de aventura no conteúdo tanto nas aulas de Educação Física como abrindo as escolas para a comunidade.

Escolas – modalidades adaptadas:
Banco sueco: esportes com prancha
Rolamentos em colchonetes: esportes aéreos
Equipamentos trazidos pelos alunos

Vivências fora da escola:
Bóiacross; rafting; surfe; escalada outdoor; cascading/canyoning; trekking; rapel.
Também é fundamental valorizar o meio ambiente, elementos de cooperação, de sociabilidade, que são fundamentais quando associados à comunidade.

Lazer do jovem:
-Compreensão das múltiplas experiências do lazer vivenciadas pelo jovem no seu tempo livre.
-Momentos de acentuada relevância em termos de valores e expressão, de signos sociais.
-Cultura juvenil multifacetada e em constante transformação.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 21 - Lazer, cultura e elementos comunitários

4°Módulo – Vídeo-aula 21: Lazer, cultura e elementos comunitários

O Prof° Ricardo Uvinha tratará nessa vídeo-aula do lazer como uma esfera social e a relação do lazer com a comunidade.
E ressaltou que o lazer tem uma dimensão subjetiva e uma esfera social significativa. E que o lazer tem distintas definições.

Conceito de lazer (Jofre Dumazedier)
“Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”.

Três dimensões (3Ds):
-Descanso
-Divertimento
-Desenvolvimento

Jofre Dumazedier indica os conteúdos culturais do lazer:
-artisticos; intelectuais; manuais; sociais; físicos; turísticos.
Interesses artísticos: Imagens, emoções, sentimentos / Conteúdo estético, busca da beleza / Campo simbólico
Ex. manifestações artísticas: teatro, museus, centros culturais, cultura popular)
Interesses intelectuais: Ex. participação em cursos, leitura, jogo de xadrez
Interesses manuais: Artesanato, culinária, “bricolage” / Jardinagem, cuidado com animais /
Interesses sociais: Festas, bailes, bares e cafés
Interesses físico-desportivos: Práticas esportivas, pesca, ginástica.
Interesses turísticos: Turismo como “elemento” do lazer.
Todos esses seis elementos podem ser associados à dimensão de divertimento e de desenvolvimento.

Lazer, cultura e elementos comunitários:
-Busca de forma “preponderante” no desenvolvimento de atividades.
-Escolhas subjetivas (evidencia-se a “opção” no lazer).

Equipamentos de lazer:
-Não específicos: (lar, rua, escolas)
-Específicos: construídos com a finalidade do lazer. Subordinação aos conteúdos culturais do lazer: artístico, intelectual, manual, social, físico e turístico.
-Micro equipamentos especializados: a um conteúdo cultural do lazer (academia de ginástica, biblioteca)
-Médio de polivalência dirigida: clubes com 3, 4, 5 conteúdos culturais do lazer.
-Macro equipamento polivalente: plenitude dos conteúdos culturais do lazer.

Por exemplo: Zona Leste tem 4 milhões e meio de habitantes.
Estimular não só a criação de novos equipamentos específicos, mas a criação de possibilidades a partir dos equipamentos não específicos. Abrir o espaço da escola para absorver a cultura da comunidade. O lazer deve ser aproveitado no equipamento não específico. Abertura da rua. E para novos equipamentos específicos a comunidade deve ser consultada ( o que cabe, o que gosta).

Equipamentos de lazer:
Devem atender a população de forma democrática e devem receber efetiva política de animação cultural.

Atuação profissional:
Os agentes/animadores socioculturais tem importante papel na sensibilização para o usufruto do espaço/equipamento. Associar essas atividades ao desenvolvimento da comunidade, estimular e garantir a participação democrática em termos de cidadania e garantir, também, o entendimento da importância do lazer como uma esfera social.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011


(4°) Vídeo-aula 20 - Como lidar com limitações: elas existem ?


4°Módulo – Vídeo-aula 20: Como lidar com limitações: elas existem ?

 O Prof°Li li Min disse que é importante não focar nas limitações, mas no que podemos fazer. Tentar enxergar o lado mais positivo e levar a mensagem aos pacientes e familiares das possibilidades, enquanto ser humano, de desenvolver-se plenamente e buscar seus sonhos.

E ressaltou: “Algumas limitações são justas e protegem a pessoa. Outras limitações são originadas de desinformação e preconceito.
A grande âncora que segura a questão, que dá sustentação às limitações, é a desinformação e o preconceito. É preciso tirar essa âncora, para que se possa navegar livremente nessa vida, que é ampla e repleta de oportunidades.
Ao invés de dar ênfase a quais são as limitações, abrir o horizonte para quais são as possibilidades na vida dessa pessoa.”

A pessoa com epilepsia pode:

-praticar esportes (porém nem todos são recomendáveis).
-dirigir (a partir de 2 anos sem crises).
-casar e ter filhos .
-trabalhar e estudar.
-ter qualidade de vida.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 19 - Cidadania






4°Módulo – Vídeo-aula 19: Cidadania

Cidadania é a competência humana de fazer-se sujeito para fazer história própria e coletivamente organizada.”                                  Pedro Demo

A Prof°Paula Fernandes utilizou-se dessa citação e ainda disse:

Cidadania é um processo em construção, pautado em direitos e deveres assumidos pelos sujeitos sociais e pelo Estado, na direção de uma sociedade justa, livre e igualitária.

-Construção individual e coletiva.
-Exercício igualitário de direitos civis, políticos e sociais reconhecidos no momento histórico por todos que a compõem.

É cidadão:
*Aquele que vive a plena posse de seus direitos e exercita seus deveres.
*Usufrui de bens e serviços produzidos socialmente.
*Participa de forma livre, consciente e autônoma das decisões de vida de seu país.

E o que significa cidadania na epilepsia ?
1-Acesso ao conhecimento – consciência social.
2-Tomada de decisão individual – me fazer sujeito da história, querer e me comprometer.
3-Tomada de decisão coletiva – organização de pessoas com interesses comuns.
4-Desenvolvimento de ações -a partir do momento que eu tenho esses três itens eu posso desenvolver as ações.
E o importante para o desenvolvimento das ações é a direção única: construção de uma sociedade justa, igualitária, democrática, tendo por base a afirmação da VIDA e da DIGNIDADE.

Essa cidadania que estamos falando é garantida por lei, porém a cidadania plena só existirá quando for garantido igual tratamento e oportunidade para todos os cidadãos.

E finalizou dizendo: “todos nós temos a responsabilidade de  tirar estes direitos do papel e torná-los realidade. É preciso mobilizar diferentes segmentos sociais, diferentes pessoas para tornar realidade a questão da cidadania da epilepsia.”

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011