domingo, 26 de setembro de 2010

Vídeo aula 7: Neuroanatomia funcional do sistema nervoso: funções corticais e sistemas sensoriais



Esta vídeo-aula abordou os 5 sentidos e a percepção.
O Prof. Li Li Min encerrou sua apresentação fazendo, a cada um de nós, a seguinte indagação:
“Como você pode influenciar de uma maneira positiva a percepção sobre os estudos no seu ambiente de sala de aula ?”

E Marta Pires Relvas comenta em seu livro “Neurociência e Transtornos de Aprendizagem”:
“É fato que diversas dificuldades de aprendizagem poderão ser resolvidas ou amenizadas quando os educadores tiverem seus olhares focalizados na promoção do desenvolvimento dos diversos estímulos neurais que se expõem de forma que se compreendam os processos e os princípios das estruturas do cérebro, conhecendo e identificando cada área funcional, visando estabelecer rotas alternativas para aquisição de aprendizagem, utilizando-se de recursos sensoriais, como instrumento do pensar e do fazer.
É fundamental que educadores conheçam  as estruturas cerebrais como interfaces da aprendizagem e que sejam sempre um campo a ser explorado. Para isso, os estudos da biologia cerebral vêm contribuindo para a práxis em sala de aula, na compreensão das dimensões cognitivas, motoras, afetivas e sociais no redimensionamento do sujeito aprendente e suas formas de interferir nos ambientes pelos quais perpassam.”
E depois, acrescenta:
“Ao aprendermos, nossas conexões cerebrais se modificam. Com o apoio da Neurodidática, a Neurociência poderá ajudar professores e pedagogos a desenvolverem novas estratégias de ensino e aprendizado. As diferenças são naturais, por isso metodologia é fundamental, e mais o olhar aguçado para cada situação.”

Portanto, faz-se necessário transmitir esses conhecimentos aos professores.
Os centros de pesquisa  e os profissionais da saúde e da educação precisam interagir e compartilhar saberes.
A “inclusão” dos professores nos estudos científicos que a área da saúde e, também, da educação vem promovendo é imprescindível. Isto beneficiará nossos estudantes e ampliará a visão, compreensão e a atuação do educador, que percebendo a inadequação da compartimentalização do conhecimento ( sou professor disto ou daquilo) caminhará na direção de um modelo alternativo transdisciplinar voltado a um ser integral em formação – o aluno.


Em síntese, a vídeo-aula 7 falou que os sistemas sensoriais ou 5 sentidos são sistemas altamente complexos e dependem dos receptores específicos para captar as informações que tem no meio ambiente. Estas informações são encaminhadas até o cérebro onde são interpretadas e codificadas, promovendo assim a percepção do mundo ao nosso redor.

As modalidades sensoriais ou 5 sentidos são:
Visão, Audição, Gustação, Olfato e Tato.

Visão: a pupila regula a quantidade de luz que vai entrar e incidir na retina onde estão os sensores. As informações são levadas pelos nervos ópticos e são codificados no cérebro.
Audição: as ondas sonoras entram, caminham pelo nervo auditivo e também são codificados numa área específica do cérebro.
Gustação: as papilas gustativas captam as informações químicas e traduzem em impulsos nervosos e são também codificadas permitindo a degustação do alimento.
Olfato: As moléculas químicas que estão no ar são captadas e enviadas para uma região específica do cérebro.
Tato: feixes de nervos que conectam o corpo todo levam as informações da periferia  para o cérebro.

Através dessas modalidades ocorre a percepção que é um processo de organizar, integrar e interpretar os dados sensoriais recebidos que advém do meio.
Porém não registramos o mundo como ele é – interpretamos.
É uma elaboração e não um registro real do que está ao redor.
É capacidade de associar as informações à memória e a partir disso formar conceitos sobre o mundo e sobre nós mesmos e orientar nosso comportamento.

A interpretação depende de várias atividades cognitivas: comportamento, cognição, processo de informação, consciência, memória, atenção, linguagem.

Percepção é uma atividade dinâmica e que é influenciada por expectativas, valores, motivações, interesses e emoções.

Cabe ao professor considerar que os alunos processam as informações das aulas de uma forma dinâmica, subjetiva e com alternâncias de acordo com o seu estado interior, grau de interesse, motivação e, também, dos estímulos externos.

Márcia Maria dos Santos Solha
Setembro/2010

Vídeo-aula 6: Temas transversais em educação

Vídeo aula 6: Temas transversais em educação


 Para iniciar a reflexão da vídeo-aula 5 apresentada pela Prof° Valéria, utilizarei algumas citações de Marilyn Ferguson,  presentes em sua obra: “A Conspiração Aquariana” por se alinharem ao que foi dito e por ampliarem, aprofundarem o significado do papel do profissional que atua na escola; da importância de contexto e conexões; e especialmente, sobre redes :

“As escolas são um efeito da maneira como pensamos – e podemos mudar a maneira como pensamos.

...O significado emerge do contexto e das conexões. Sem um contexto, nada faz sentido. O cérebro direito, com seu dom de ver padrões e totalidades, é essencial para a compreensão do contexto, para detectar o significado.

“Aprender a aprender” inclui aprender a ver a relação entre as coisas. “Infelizmente, nossas escolas não ajudam”, observou o antropólogo Edward Hall, “porque de forma sistemática elas nos ensinam a NÃO estabelecer conexões.

Contexto: literalmente, “o que é tecido junto”. Estamos na atualidade examinando a ecologia de tudo, percebendo que as coisas somente fazem sentido com relação a outras coisas. Do mesmo modo como a medicina começou a pesquisar o contexto da doença, o meio e não apenas os sintomas, a educação está começando a tomar conhecimento de que as interligações daquilo que conhecemos, da rede, de pertinência, é mais importante do que mero conteúdo. O conteúdo é relativamente fácil de ser dominado, depois de enquadrado em um modelo.

...Os elementos do mundo só podem ser compreendidos em termos de totalidade, como nossos melhores pensadores não se cansam de tentar nos dizer. “A natureza é uma unidade maravilhosa”, disse Albert Szent Gyorgyi: “Ela não está dividida em física, química, mecânica quântica...”

Kenneth Boulding, economista e presidente da Associação Americana para o Progresso da Ciência, se referiu à “profunda reorganização e reestruturação do conhecimento” que se está efetuando em nossa época: “As velhas fronteiras estão desmoronando em todas as direções. “Observem que ele se referiu à reestruturação, e não a acréscimos. O que está mudando é o modelo e a forma daquilo que conhecemos.

As pessoas devem aprender a acomodar “o cérebro completo em um mundo completo” disse Joseph Meeker, falando do que ele denominou de “educação ambidestra”.

E sobre redes Marilyn Ferguson também comenta:

“Enquanto a maioria de nossas instituições vem falhando, surgiu uma  versão contemporânea da velha relação tribal de parentesco: a rede, um instrumento para o próximo passo na evolução humana.

Ampliada pelas comunicações eletrônicas, liberada das velhas restrições da família e da cultura, a rede é o antídoto para a alienação. Ela gera poder suficiente para reformular a sociedade.

A rede é a instituição de nossa época: um sistema aberto, uma estrutura dissipadora tão ricamente coerente que está em constante fluxo, pronta para ser reorganizada, capaz de uma transformação sem fim.

Este modelo orgânico de organização social presta-se a uma melhor adaptação biológica, é mais eficiente e mais “consciente” do que as estruturas hierárquicas da civilização moderna. A rede é plástica, flexível. Na realidade, cada membro é o centro da rede.

As redes são cooperativas, e não competitivas.Sua trama é como as raízes da grama: autogeradora, auto-organizadora, por vezes até autodestruidora. Representam um processo, uma jornada, não uma estrutura cristalizada. Qualquer que seja sua finalidade declarada, a função da maior parte dessas redes é o apoio mútuo e o enriquecimento, o fortalecimento do indivíduo e a cooperação para efetuar a transformação. A maioria visa a um mundo mais humano e hospitaleiro.

A rede é uma matriz para a exploração pessoal e a ação de grupo, a autonomia e o relacionamento. Paradoxalmente a rede é ao mesmo tempo íntima e ampla. Diferentemente das organizações verticais, pode manter sua qualidade pessoal ou local, mesmo enquanto cresce. Não há necessidade de que se escolha entre o envolvimento em sua comunidade ou em uma escala global. Pode-se ter ambas.

As redes são uma estratégia através da qual pequenos grupos podem transformar uma sociedade inteira. Gandhi se valeu de coalizões para levar a Índia à independência. Ele denominava “unidades de agrupamento”a essas coalizões, e as considerava essenciais ao êxito.”O círculo de unidades grupadas por essa forma sempre se ampliará em circunferência, até finalmente vir a abranger o mundo todo”A profecia de Edward Carpenter na virada do século falava da ligação e da superposição de redes para criar “a sociedade livre e completa”.

José Arguelles, historiador de arte, comparou tais redes á força biológica da sintropia – a tendência da energia da vida no sentido de aumentar sempre a associação, a comunicação, a cooperação e a percepção. A rede é como um corpo-mente coletivo, sugeriu ele, como os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, intelecto e intuição. “A rede é profundamente liberadora. O indivíduo está no centro.”

Comparar a rede com o sistema nervoso do homem é mais do que uma metáfora conveniente. Em um sentido muito real, o cérebro e uma rede operam de forma similar. O cérebro exige mais coalescência do que hierarquia em sua estrutura. O significado é gerado no cérebro por modelos dinâmicos, pela coalizão de grupos de neurônios e a interação entre os grupos. O poder no cérebro é descentralizado.

A sinergia, a energia suplementar que resulta da cooperação nos sistemas naturais, ali está também, ao nosso alcance.”

“A conspiração aquariana” – Marilyn Ferguson
Ao abordar Temas Transversais em Educação,  a Prof° Valéria falou que há  duas concepçõesdiferentes de promover a transversalidade e dentro delas há diferentes formas de se colocar em prática efetivamente.

Quanto às duas concepções:

Na primeira a escola continua organizada ao redor das disciplinas tradicionais e, portanto, as disciplinas são o eixo vertebrador do currículo.

Dentro desse modelo as práticas possíveis:

1-Atividades pontuais. Ex. semana de saúde/ prevenção às drogas.

2-Disciplinas, palestras e assessorias sobre temas transversais. Ex. criar uma disciplina de Ética.

3-Oferecimento de projetos interdisciplinares sobre temas transversais. Ex. materiais produzidos por ONGs onde todos os professores irão trabalhar em sua disciplina.

4-A transversalidade deve estar incorporada nas próprias disciplinas.

5-A transversalidade é trabalhada como currículo oculto. Ex. as temáticas cidadania e educação em valores são trabalhadas quando surge uma oportunidade.

A crítica que se faz à essa concepção e a cada uma dessas práticas é que o objetivo maior da escola continua sendo o ensino das disciplinas, porém com um sinal de avanço, na medida em que inclui as temáticas.

Na segunda concepção ocorre uma mudança paradigmática importante, pois as disciplinas, os conteúdos tradicionais,  deixam de ser o eixo vertebrador do currículo, passando essa função para as temáticas transversais. Dessa forma os conteúdos tradicionais deixam de ser a “finalidade’ da educação e passam a ser concebidos como “meio” para se trabalhar os temas tranversais.

E a Prof°Valéria enfatiza : “As temáticas transversais são pontos de partida e pontos de chegada. As temáticas que objetivam a educação em valores tornam-se o eixo vertebrador do sistema educativo em torno dos quais serão trabalhados os conteúdos tradicionais”.

E ainda complementa: “ Defendemos que cada cultura, cada comunidade podem e devem eleger seus próprios temas, os mais importantes, os mais significativos. Ex. sentimentos e afetos, trânsito, saúde, etc...

São fundamentais estratégias que vão além da compartimentalização disciplinar. Estratégias que tirem a escola do seu isolamento conectando-a com o mundo externo”

E tanto a 1° como a 2°concepção estão dentro de um modelo de retas paralelas, onde ocorrem encontros casuais e as disciplinas não se articulam entre si. Então, a Prof° Valéria nos instiga, nos propõe a pensarmos numa nova metáfora para esse novo modelo que foi apresentado de transversalidade: Imagens de REDES, TEIAS, REDES NEURAIS.

Em seu livro: “Temas transversais e a estratégia de projetos” o Prof°Ulisses faz as seguintes citações sobre redes:

“Imaginemos um diagrama em rede, desenhado num espaço de representação. Ele é formado, num dado instante (...) por uma pluralidade de pontos (extremos) ligados por uma pluralidade de ramificações (caminhos) (...) Por definição, nenhum ponto é privilegiado em relação a um outro, nem univocamente subordinado a qualquer um (...) o mesmo se passa com os caminhos(...)”Machado, 1995, p.138

Uma outra característica da rede, apontada por Machado (p. 140), é que ela “(...) contrapõe-se diretamente à idéia de cadeia, de encadeamento lógico, de ordenação necessária, de linearidade na construção do conhecimento, com as determinações pedagógicas relacionadas com os pré-requisitos, as seriações, os planejamentos e as avaliações.”





                                                                  Márcia Maria dos Santos Solha
                                                                                          Setembro/2010

Vídeo-aula 5: O conceito de Transversalidade


Vídeo aula 5: O conceito de transversalidade


 Há um tempo...


 “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas...

 Que já tem a forma do nosso corpo...

 E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares...

 É o tempo da travessia...

 E se não ousarmos fazê-la...

 Teremos ficado...para sempre...

 À margem de nós mesmos...”

                Fernando Pessoa

A vídeo-aula do Prof. Ulisses me reportou à essa poesia de Fernando Pessoa e aos livros “A Quinta Disciplina” de Peter Senge e “A Conspiração Aquariana” de Marilyn Ferguson nos quais identifiquei alguns trechos e transcrevi para o meu trabalho, pois retratam muito bem o cerne da questão apresentada. Eis os trechos:

“Aprendemos, desde muito cedo, a desmembrar os problemas, a fragmentar o mundo. Aparentemente, isso torna tarefas e assuntos complexos mais administráveis, mas em troca, pagamos um preço oculto muito alto. Não conseguimos mais perceber as conseqüências das nossas ações; perdemos a noção intrínseca de conexão com o todo. Quando queremos divisar “o quadro geral”, tentamos montar os fragmentos em nossa mente, listar e organizar todas as peças. Mas, como diz o físico David Bohm, a tarefa é inglória – é como tentar montar os fragmentos de um espelho quebrado para enxergar um reflexo verdadeiro. Depois de algum tempo, acabamos desistindo de ver o todo.”                                                        “A Quinta Disciplina”  Peter M. Senge

“Nós vivemos o que sabemos. Se acreditarmos que o universo e que nós mesmos somos mecânicos, viveremos mecanicamente. Por outro lado, se soubermos que somos parte de um universo aberto e nossas mentes são uma matriz da realidade, viveremos de modo mais criativo e vigoroso.
 Se imaginarmos que somos seres isolados, uns tantos tubos interiores flutuando em um mar de indiferença, viveremos vidas diferentes do que se conhecêssemos um universo de inquebrantável integridade. Acreditando em mundo de fixidex, lutaremos contra a mudança; acreditando em um mundo de fluidez, cooperaremos com ela.

...Porque não compreendíamos a capacidade do cérebro  para transformar a dor e o desequilíbrio, nós o embotamos com tranqüilizantes ou o distraímos com o que estivesse ao nosso alcance.

Porque não entendíamos que o todo é maior do que o somatório de suas partes, reunimos nossas informações em ilhas, um arquipélago de informações desconexas. Nossas grandes instituições virtualmente evoluíram isoladas umas das outras.

Não percebendo que nossa espécie evoluiu em cooperação, optamos pela competição no trabalho, na escola, em nossos relacionamentos.

Não compreendendo a capacidade do corpo em reorganizar seus processos internos, receitamos e nos medicamos a nós mesmos levando-nos a bizarros efeitos colaterais.

Não entendendo nossas sociedades como grandes organismos, nós as manipulamos para “curas” piores do que as doenças.

Mais cedo ou mais tarde, se a sociedade humana quiser evoluir – na verdade, se quiser sobreviver – devemos orientar nossas vidas de acordo com os novos conhecimentos. Durante tempo demasiado as duas culturas – as humanidades, sentimentais e estéticas, e a ciência, fria, analítica –  funcionaram independentes, como o cérebro direito e o cérebro esquerdo em um paciente de cérebro dividido. Nós temos sido vítimas de nossa consciência coletiva dividida”.                 "Conspiração Aquariana”   Marilyn Ferguson

Na vídeo-aula 5 o Prof. Ulisses enfatiza  a necessidade da busca por novos sentidos para a educação e a ciência e traz uma constatação de suma importância:

“Os avanços paradigmáticos da ciência podem não ser suficientes para se construir a democracia, a justiça e o bem estar social”.
 E indaga: “A quem os avanços da ciência continuam atendendo ?

 “A ciência, a escola está a serviço de quem, de que parcela da população ? ”

Daí conclui que a ciência necessita objetivar os 90% da população que até o momento não tem tido acesso a esses avanços científicos.

Da mesma forma a escola necessita repensar seu modelo e sua prática para atender efetivamente e com qualidade, a todos.

Porém uma das questões fundamentais para que isso aconteça é a escola, instituição que  a sociedade elegeu e delegou a educação dos seus cidadãos além da família,  cumpra, faça acontecer os seus objetivos, que estão presentes no Projeto Político Pedagógico. E quais são ?

Objetivos da Educação: Instrução: Conteúdos definidos por cada cultura/sociedade

                                    Formação ética e moral : Cidadania; formar novos cidadãos

O que tem ocorrido é que por um bom tempo a família se incumbiu com a formação ética e moral e a escola com a instrução. 

Hoje a formação ética e moral ficou relegada  a 2°plano e passada para a escola, que não tem dado conta, pelo seu modelo e sua prática, de corresponder a esses dois itens e da qualidade.

Um aspecto fundamental para que essa formação ética-moral aconteça e chegue às futuras gerações é abordar temas de relevância presentes no dia a dia  e trabalhá-los dentro do conceito de transversalidade, superando a disciplinarização. E o Prof.Ulisses argumenta: “Grande impasse que temos hoje no dia a dia das escolas e na organização dos currículos: vários conteúdos são importantes para a formação das futuras gerações , mas continua-se preso a um modelo disciplinar de especialização do nosso conhecimento”

A idéia de transversalidade rompe essa visão e aponta o caminho, desde que aplicada dentro do seu conceito:

Conceito de Transversalidade na Educação:

-Temáticas que atravessam, que perpassam os diferentes campos do conhecimento.

-Temáticas ético-político-sociais atreladas à melhoria da sociedade e da humanidade (Educação em Valores; dar respostas aos problemas que a sociedade vê como relevante (ex.drogas); conectar a escola à vida das pessoas (ex.saúde, sentimentos e afetos); incorporar novos temas e problemas sociais (ex.questão ambiental) ).

Um outro conceito que amarra a transversalidade é reconsiderar o papel da ciência e da escola e possibilitar que beneficie os 90% que ainda são excluídos em sua maioria.

Portanto, através da transversalidade, dentro desse conceito apresentado, o Prof.Ulisses enfatizou,: “muda a cara da escola. Muda o foco e o objetivo da escola.

E esse processo é de responsabilidade  dos profissionais da escola que precisam:

Abandonar as roupas usadas... como disse Fernando Pessoa.

Desaprender a fragmentação e reaprender a ver o todo... como nos fez refletir Peter Senge.

E viver esse novo aprendizado e por isso evoluir e sobreviver como sociedade humana... segundo Marilyn Ferguson.



                                                                         Márcia Maria dos Santos Solha
                                                                                                  Setembro/2010

Vídeo-aula 3: Conceitos gerais de Neurociências; Vídeo-aula 4: Neuroanatomia; UNIVESP TV: Neurociências

Vídeo-aula 3: Conceitos gerais de Neurociências.

Vídeo-aula 4: Neuroanatomia funcional do Sistema Nervoso (SN): organização do SN : linguagem e memória.

UNIVESP TV – Neurociências : conceitos gerais.


Onde se dá o aprendizado ? Não restam dúvidas de que o processo da aprendizagem se dá no sistema nervoso central, que é uma estrutura complexa. Por conseguinte, a Neurociência é uma área importante, pois trata da neurobiologia e da neuropsicologia do aprendizado.
No que se refere ao processo de aprendizado, existe uma interface entre as duas áreas de atuação, saúde e educação.
O ideal é que não só os profissionais da área de saúde mas também os da educação tenham informações básicas de como ocorre o funcionamento do SNC. Esse funcionamento, para ser entendido, pressupõe o domínio de sólidas informações acerca das estruturas anatômicas e fisiológicas sobre as quais ocorrem os episódios definidos como aprendizado no indivíduo.                              (Marta Pires Relva)

                                                                                                        
As vídeo-aulas 3 e 4 e a Univesp TV sobre Neurociências trouxeram informações fundamentais que nos estimulam a saber mais e reconhecer o quanto esse conhecimento agrega valor à nossa formação e ao nosso papel dentro da escola e em sala de aula.
O trabalho é multiprofissional e interdisciplinar e envolve instâncias – família, escola, profissionais de saúde, empresas, enfim, a sociedade como um todo, que necessitam se aproximar, dialogar e alinhar seus saberes.
É fundamental buscar meios, caminhos de propiciar a cada aluno condições necessárias, favoráveis ao desenvolvimento de suas potencialidades, de seu projeto de vida e a consciência e a aceitação das limitações que  todos temos e a valorização da complementaridade, da interdependência, entendendo que somos  seres sociais e históricos  em construção de si mesmos , da sua existência e também da sociedade.
Faltam informações básicas para os educadores e infelizmente a escola não tem sido um espaço propício para isso.
Existir um projeto como esse, de Pós Graduação da USP, sobre Ética, Valores e Saúde na Escola é crucial, e um marco na história da educação. Sinto-me privilegiada por fazer parte e certamente nossas escolas e a sociedade se beneficiarão.
O vídeo da UNIVESP TV nos apresentou dados sobre o cérebro surpreendentes:
100 bilhões de neurônios mais outros bilhões de glias que são células de sustentação.
100 trilhões de sinapses.
80% é água.
Cerca de 1,5 Kg
Recebe 25% de fluxo de sangue.
A partir do século XX foi possível estudar melhor o cérebro e o que incremetou as pesquisas foram a possibilidade de exames: Eletroencefalograma; Tomografia computadorizada; Ressonância Magnética Funcional; Tomografia de Emissões de pósitrons.
Mas quando foi decretado  a década do cérebro, em 1990, nos Estados Unidos  isso se espalhou por todo o mundo e muitas descobertas foram feitas.
Mas há muito por investigar.
A Neurociência é uma criação recente, abarca todas as disciplinas que estudavam o Sistema Nervoso. É uma parte da Biologia.
Uma das doenças neurológicas é a epilepsia que é uma alteração nervosa do cérebro que não fica restrita aquele neurônio e os demais reagem.
Acomete 1 a 2% da população em qualquer país do mundo.
As epilepsias tem muitas manifestações, além da mais conhecida que é a crise convulsiva.
85 a 90% dos casos são curados, apenas 10 a 15% dos casos não são resolvidos.

Na vídeo-aula 3 o conceito de Neurociência apresentado abrange 5 disciplinas:

Neurociência molecular

Neurociência celular

Neurociência sistêmica

Neurociência comportamental

Neurociência cognitiva

A multidisciplinaridade é uma característica da Neurociência, pois exige múltiplas abordagens, diferentes especialistas.

Neurociências é um conjunto de disciplinas do conhecimento que estuda o Sistema Nervoso, suas manifestações, seu comportamento e as doenças.
O SN é um mosaico de regiões, cada uma com uma função específica (funções fisiológicas e psicológicas em cada área).
Quanto a história da Neurociências há:
Globalistas x Localizacionistas

Espiritualistas x Materialistas

Será dada ênfase aos Localizacionistas e os Materialistas que tem os melhores argumentos.

Saber como o SN funciona requer entender como os neurônios se comportam e como interagem.

Já o vídeo-aula 4 falou sobre a organização do Sistema Nervoso:

-Sistema Nervoso Periférico

-Sistema Nervoso Central – cerebelo, cérebro e medula espinhal

O cérebro é o órgão mestre do SN , fica dentro de uma estrutura fechada que é o crânio e é responsável pelo processamento de informações e pela tomada de decisões. Tem dois hemisférios com funções específicas: direito (raciocínio) e esquerdo (reconhecimento verbal, da face e das cores.
Pode ser subdividido em Lobos cerebrais: Lobo Frontal; Parietal; occipital; Temporal.

As Unidades de funcionamento do SN são:

-Neurônios - rede intensa de comunicações

-Sinapses – ponto de encontro entre um neurônio e outro onde são liberadas substâncias químicas: neurotransmissores.

-Células Glias – células de suporte que dão sustentação aos neurônios (células nervosas). Mantém os neurônios  no lugar.                           

                                                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                                                                    Setembro/2010

Vídeo aula 2 e UNIVESP TV

Vídeo aula 2- Os caminhos da interdisciplinaridade e

UNIVESP TV – Transversalidade e interdisciplinaridade na Educação

“A Educação e o mundo passam por severas mudanças, quebras de paradigmas. Chegamos ao tempo de reestruturação e reconstrução de novos mundos. Mundos internos que foram esquecidos e fragmentados.Mundos externos que foram olhados aos pedaços passam por uma mudança radical: é tempo de reencontro e de reestruturação. É tempo de olhar a diversidade como complementar, como integrante e característica impar de nossa identidade. Nada é igual. O ser homogêneo já não é mais integrante deste olhar que se fazia ao ser humano. Hoje, pensar em homogeneidade é tornar excluído, é pensar o “ser” não como humano, mas como máquina que repete e aciona os programas nela depositados.
O ser humano, desde o seu código genético, tem como característica a singularidade. Seguidamente, nosso convívio social, cultural, nossas experiências  e interações nos fazem, nos outorgam, ainda mais, estas diferenças, tornando-nos únicos, irrepitíveis”.

                                                                                              Maria Dolores Fortes Vale

Na vídeo-aula e na UNIVESP TV, Edgar Morin, sociólogo, fala do paradigma que domina o ensino, a civilização, a sociedade: a simplificação que indica que para conhecer é preciso separar as coisas, o complexo do simples, o homem da natureza, as disciplinas e não ensina a religar.
Tal visão mutila o conhecimento da era planetária e impede-nos de lidarmos com os desafios atuais que são globais e multidimensionais.

Esse paradigma, esse pensamento simplificador surgiu no século XVI e influenciou os séculos XVII, XVIII e XIX e podemos dizer até os dias atuais. É o que chamamos de Modernidade, sendo Descartes, através da sua obra “Discurso do Método” onde ele apresenta o Método Científico, um de seus idealizadores.

Os três princípios do pensamento simplificador são:

1-Disjunção: separar o todo para estudar as partes (criação das disciplinas).
2-Redução: Analisa-se a parte como se fosse o todo.
3-Abstração: Novas tecnologias que tornam real o que é virtual.

Deve-se reconhecer os avanços ocorridos na ciência, na divisão do trabalho, na vida cotidiana, porém a lógica existente simplifica o pensamento.

A partir do século XX surgiram movimentos na ciência para superar essa redução do todo em partes, da simplificação, da disciplinaridade.

Superação da disciplinaridade:

1° Movimento: Transdisciplinaridade – “Trans” significa ir além da disciplina. Cortam, atravessam as disciplinas através de temas que não cabem dentro de uma. Surgiu como uma reação à fragmentação disciplinar.

2°Movimento: Multidisciplinaridade – “Multi” significa poli, vários, muitos. É quando determinado fenômeno exige várias disciplinas para explicá-lo. No entanto essas disciplinas e profissionais não interagem, não dialogam entre si.

3°Movimento: Interdisciplinaridade – Surgiu como um chamado para que as disciplinas não mudassem seus objetos, mas houvesse o diálogo, a inter relação.

E como disse o Prof. Nilson Machado “ a realidade não é disciplinar; a água, os rios, a energia não são propriedades da biologia, da química ou física, é preciso haver uma inter relação mais forte”.

E através da fala do Prof° Nilson Machado: “A gente vem para a Escola para ler e compreender o mundo...”; e também do projeto Ribeirão Anhumas em Campinas, parceria da UNICAMP com duas Escolas do Estado envolvendo a transdisciplinaridade e a interdisciplinaridade com professores das disciplinas de química, geografia e língua portuguesa, me reportei a uma das obras de Paulo Freire, “A importância do ato de ler” :

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica  a percepção das relações entre o texto e o contexto...Um outro ponto que me parece interessante sublinhar, característico de uma visão crítica da educação, é o da necessidade que temos, educadoras e educadores, de viver, na prática, o reconhecimento óbvio de que nenhum de nós está só no mundo. Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros. Viver ou encarnar esta constatação evidente, enquanto educadora ou educador, significa reconhecer nos outros – não importa se alfabetizandos ou participantes de cursos universitários; se alunos de escolas do primeiro grau – o direito de dizer a sua palavra. Direito deles de falar a que corresponde o nosso dever de escutá-los”.

                                                                                  Márcia Maria dos Santos Solha
                                                                                                          Setembro/2010

Vídeo-aula 1: As Revoluções Educacionais

Para compreender a história da escola contemporânea e a partir daí os problemas que temos e os desafios que essa realidade nos apresenta, o professor Ulisses nos falou das três Revoluções Educacionais que José M.Esteves esquematizou em seu livro: “A 3°Revolução Educacional”.

E para iniciar a minha reflexão sobre a vídeo-aula coloco duas perguntas fundamentais quando o assunto é Educação:


A primeira, o professor Ulisses utilizou:  A QUEM SE DESTINA A EDUCAÇÃO ? PARA QUEM ?

A segunda, eu acrescento para direcionar o meu comentário: PARA QUE SERVE A EDUCAÇÃO ?

E na medida em que temos clareza dessas definições, duas outras questões nos são também respondidas e de alguma forma determinadas:

Qual o papel do professor ? 

Qual o perfil desejado, esperado dos alunos ?

As três revoluções educacionais apresentadas respondem objetivamente essas quatro questões.

Na 1°Revolução Educacional, há 2.500 anos atrás, nas cortes dos faraós egípcios, a Escola se destinava à aristocracia: filhos dos nobres, de reis, da elite burguesa, portanto uma pequena parcela da população.

Esse modelo de Educação que durou 2.000 anos contava com um professor por aluno, portanto a relação era individualizada e a idéia era de preceptores que acompanhavam toda a vida escolar.


Na 2°Revolução Educacional  o marco é o século XVIII, quando os Estados Nacionais Europeus saem do período feudal e começam a se consolidar e, especialmente, quando o Rei Frederico Guilherme II da Prussia, em 1787, institui um Decreto dizendo que é responsabilidade do Estado a Educação Pública, se diferenciando da igreja. Porém tinham acesso, apenas,10% da população, não havendo espaço para as meninas e para as diferenças e expulsando quem não se enquadrasse.

Ocorre assim a legitimação da exclusão da maioria e também, na mão do professor o poder de exclusão. E como a base econômica era agrária considerava-se que para as atividades do campo, do comércio e até da cidade não precisava estudar.

O modelo de Escola que se cria na época, é difícil de acreditar, mas é o mesmo que temos até hoje: da  configuração arquitetônica (4 paredes; carteiras enfileiradas, professor à frente numa “posição superior”; lousa); do perfil dos alunos (homogeinização; exclusão); do papel do professor (aquela pessoa que pôde estudar e que transmitia o conhecimento uma vez que os livros eram muito caros e os alunos não tinham acesso).

No livro “Trabalho em debate”, os autores comentam: “A sociedade descobre mecanismos para manter a divisão, não conforme os talentos, mas sim de acordo com a classe social a que cada um pertence. Um dos instrumentos de manutenção desse estado de coisas é a educação, privilégio daqueles que são proprietários. Não por acaso, a palavra grega scholé, de onde deriva “escola”, significa inicialmente o “lugar do ócio”. Aí as crianças das classes abastadas se ocupam com jogos, ginástica, música e retórica, enquanto as demais, pertencentes aos segmentos pobres, seguem seu “destino” social, sem que se levem em conta as tendências individuais. Nesse caso ou são excluídas da escola, ou se encaminham para a aprendizagem de um ofício.

Assim se mantém a separação entre trabalho intelectual e trabalho manual, a escola funcionando como um ‘divisor de águas’ “.

Na 3°Revolução Educacional, que se inicia no século XX nas sociedades européias (1920 / 1930) e no Brasil há 20, 30 anos, o que está por detrás é a democratizacão e a universalização. A economia não é mais agrária, há um novo processo sociopolítico, econômico, surge  a sociedade do conhecimento que exige um nível mais elevado de educação, pessoas mais instruídas  para darem conta dos meios de produção que se sofisticaram. Daí que a sociedade legitima que todas crianças estejam em sala de aula  e isso provoca um reflexo na sala de aula: inclusão das diferenças (sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero).

A escola passa a ser  para todas as pessoas. Só que o modelo que ainda dispomos e praticamos é do século XVIII, desde a  configuração arquitetônica, o papel do professor e até mesmo o perfil dos aluno: o que foge do “padrão” é visto como exceção, e  ainda não nos atentamos para o fato que cada um é único, portanto a diferença se faz presente mesmo quando temos a sensação de estarmos entre “iguais”.

Como reconfigurar a escola para 100% da população ?

Como conciliar a acessibilidade, com a equidade e a qualidade ?

O prof° Ulisses nos passa essas indagações e comenta que é preciso reinventar a escola para dar conta disso e que esse é um grande desafio que a nossa geração profissional tem que enfrentar.

Concordo plenamente e sinto-me privilegiada por fazer parte do grupo de educadores do século XXI, do Brasil, que vive um momento histórico tão importante, e nesse momento, especialmente, por participar desta Pós Graduação na USP, com temas e metodologias tão desafiadoras e inovadoras.

Porém ao lado do processo de democratização e universalização que vivemos no Brasil  e portanto da Educação para todos, que vai ao encontro da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que faz valer os direitos básicos do cidadão também presentes na nossa Constituição Federal de 1988, que promove a justiça social, que busca diminuir as desigualdades sociais, que faz cumprir para todos o que de fato é a Educação segundo Piaget : “A educação é, por conseguinte, não apenas uma formação , mas uma condição formadora necessária ao próprio desenvolvimento natural”; o que assistimos é um “divisor de águas”conforme está descrito acima no trecho do livro “Trabalho em debate”, só que hoje com os alunos regularmente matriculados que dependendo de sua classe social tem acesso a um tipo, a um nível de educação.

Não basta ter o acesso e a aparente “igualdade de oportunidades”, é necessário, fundamental, a qualidade para todos. O que vivemos ainda hoje depois de 2.500 anos é novamente o privilégio da excelência para os abastados que se manterão nos melhores postos de trabalho e com as melhores chances. Já para a grande maioria  ensino de péssima qualidade, que constrange educadores, alunos e pais.

Só que diferentemente de outras épocas a sociedade cobrará as competências, a formação do indivíduo, que não possuindo, será excluído e não encontrará um lugar no mercado de trabalho tão exigente por causa da globalização e facilitada pela tecnologia.

Então o que será dos nossos jovens  numa sociedade do conhecimento sem a formação, a informação básica para os desafios presentes ?

O que será do desenvolvimento do nosso país que necessita e conta com os talentos do seu povo e com o exercício de cidadania de cada um ?

Esse é um problema grave de cada um e de todos nós !

Falar de inclusão nos impõe essa reflexão e a busca urgente de meios, formas, caminhos para harmonizar, concretizar: acessibilidade, equidade e qualidade para cada um, para todos que são únicos, portanto diferentes !                                                   

Imagem do livro: "Cuidado Escola ! - edição sob a autoria da equipe componete do IDAC ( Instituto de Ação Cultural), Babete Harrper, Claudius Ceccon, Miguel Darcy de Oliveira e Rosiska Darcy de Oliveira, apresentado pelo grande escritor pernambucano Paulo Freire.


Márcia Maria dos Santos Solha
Setembro/2010