terça-feira, 5 de julho de 2011

(4°) Vídeo-aula 11 - Transtornos cognitivos e Epilepsia

4°Módulo – Vídeo-aula 11: Transtornos cognitivos e Epilepsia
 
O Prof°Li li Min fez a seguinte indagação: “como a epilepsia pode ter impacto nessas diferentes esferas da cognição ?” Como é multifatorial, há várias possibilidades para explicar esse fenômeno:

-Lesão estrutural
-Funcional: disfunção do tecido cerebral por crises.
-Efeito tóxico-medicamentoso (especialmente nas epilepsias de difícil controle e politerapia).
-fatores psicossociais (em que ambiente a pessoa está inserida: bastante favorável, que estimule ?; muito protetor ? ou desestimulante ? 

Transtornos cognitivos – o que pode ser influenciado:
-Atenção, como dificuldades para focalizar ou manter por tempo prolongado.
-Memória.
-Aprendizagem.
-Linguagem.
-Funções executivas, com alterações de raciocínio lógico, planejamento, flexibilidade.

Para haver aprendizagem é preciso ter uma boa memória. O processo ocorre da seguinte forma: é necessário estar atenta para absorver o conhecimento que, após isso, fica retido na memória. Para maior agilidade, facilidade de retomar essa informação, é preciso exercitar, fazer exercícios. E, finalmente, para ficar sedimentado no cérebro, requer que a pessoa tenha uma boa noite de sono.
Portanto é importante checar:

1-O aluno está atento, a dinâmica da aula lhe chama atenção ?
2-O conteúdo está sendo cobrado através de exercícios ?
3-Tem tido bom sono ? Os medicamentos estão interferindo durante a aula ? (verificar com a família se o aluno está tendo um bom ciclo de sono-vigília).
Esses aspectos são fundamentais para se traçar alguns planos, algumas estratégias de intervenção buscando com isso estimular mais esse aluno.

Outros aspectos também – Fatores desencadeantes ou de agravo para esses transtornos cognitivos:
-Tipo de epilepsia: com lesão/dano cerebral – vai causar alguma dificuldade na esfera cognitiva.
-Freqüência das crises: crises freqüentes e durante a aula, ausência.
-Idade de início.
-Duração da epilepsia.
-Ação das DAEs (drogas anticonvulsionantes): lentidão psicomotora, memória, concentração e raciocínio podendo deixar a pessoa mais sonolenta ou agitada.
-Epilepsia generalizada, início precoce, alta freqüência de crises: maiores déficits.

E o Prof°Li li Min terminou dizendo: “o professor não pode desistir dos alunos com epilepsia”.

E deixou a seguinte pergunta: “a epilepsia pode levar a um retardo mental ?”

                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 10 - Democracia e Educação em Direitos Humanos


4°Módulo – Vídeo-aula 10: Democracia e Educação em Direitos Humanos

“Temos de ver que a democracia significa a crença de que deve prevalecer a cultura humanística; devemos ser francos e claros em nosso reconhecimento de que a proposição é uma proposição moral , como qualquer idéia referente a dever ser. A democracia se expressa nas atividades dos seres humanos e se mede pelas conseqüências produzidas em suas vidas”           John Dewey

A Prof°Ana Maria Klein inicia a vídeo-aula falando que Dewey associa a democracia a um modo de vida e dentro da escola é um modo de vida que deve reger toda a organização e as relações escolares. E em seguida trouxe a citação que coloquei acima.
Portanto, na compreensão de Dewey, democracia extrapola a escolha de alguém por meio do voto. É um modo de conduzir nossa vida. Quando a gente é educado dentro de um ambiente democrático, a forma de nos relacionarmos com os outros e com a sociedade se aproximam de relações democráticas. E é isso que se espera, que com uma educação democrática você crie disposições internas para que as pessoas ajam democraticamente.
Por ser um modo de vida, ela é também uma proposição ética, moral, ela está na base de como as relações devem ser regidas, estou no âmbito do dever ser: alunos-alunos; alunos-professores; pais-alunos; pais-professores; e  a relação também com o conhecimento.

Modo de vida
-Por ser um modo de vida, a democracia é uma expressão ética, exigindo uma formação que enfatize a personalidade (individualidade) e a cooperação (responsabilidade pelo bem social).
-Para atender a esta necessidade formativa a escola deve preparar o indivíduo para que ele pense e dirija-se por si, com responsabilidade e compromisso, num ambiente promotor dos DH. Favorecer que esse ambiente concretize os princípios democráticos e os DH.

Uma formação humana que se destina à ordem democrática e à construção de uma sociedade promotora dos Direitos Humanos se realiza em duas vias -  para e pela:

Educar para a democracia e para os Direitos Humanos (âmbito/conteúdo): Ensino, aprendizagem de conteúdos específicos. Conhecimentos sobre princípios, valores e direitos.

Educar pela democracia e pelos Direitos Humanos (favorecer um ambiente onde esses direitos sejam de fato vivenciados): A convivência em um ambiente democrático e promotor dos DH favorece disposições internas para que as ações cotidianas sejam pautadas por princípios democráticos, que adotem os direitos humanos como modo de conduzir a vida pessoal, escolar e social.

No Brasil a EDH é um compromisso assumido pelo país internacionalmente. Quando o Brasil se torna signatário da DUDH, compromete-se com uma educação em direitos humanos.
Por que Educação e Direitos Humanos não se descolam ? Porque eu só consigo ter acesso e conhecer meus direitos pela via da Educação. A Educação é um direito fundamental pelo gozo de todos os outros direitos. Sem educação os outros direitos não se realizam.

Apesar da Educação em DH estar na DUDH desde 1948, as medidas para a sua efetivação são relativamente recentes.
Prática efetiva da EDH:
-ONU,1995 – Declarou a década das Nações Unidas para a Educação em matéria de DH.
-ONU, 2004 – Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou o Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos PMEDH – fase 1 (2005 a 2009).
-Brasil, 2003 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNDH) elaborado em 2003 e revisto em 2006, afirma o compromisso nacional sob a forma de políticas públicas com a EDH para a educação básica e para o ensino superior.
Na Constituição é possível reconhecer os fundamentos da Educação em Direitos Humanos.

Como é que podemos levar isso para dentro da escola ?
EDH na escola:
“A EDH visa a formação de sujeitos de direitos por meio do conhecimento e do respeito aos seus direitos, mais do que isso pretende que essa formação traduza-se em ações, em um modo de conduzir a vida pessoal e social. Nesse sentido, a EDH é, antes de tudo, um modo de vida que deve orientar a convivência social e escolar. Por caracterizar-se como um processo sistemático e multidimensional seu desenvolvimento se dá mediante a articulação de cinco dimensões.” (Brasil –PNDH 2009)
A Educação é a via única para lutar pela reparação de direitos humanos. É o caminho para prevenir que os direitos humanos não sejam violados. A EDH orienta a escola, mas tem que orientar a vida em sociedade. Para a gente conseguir superar a diferença entre Brasil legal e Brasil real. Temos uma legislação que não vemos acontecendo na prática, é preciso lutar para que esse Brasil legal se efetive na prática.
É através de uma educação em DH, da consciência de direitos que se vai tentar construir uma cultura da paz, uma cultura que respeite e promova os direitos humanos, para não termos que correr atrás de reparar quando esses direitos são violados.

Cinco dimensões da EDH:
Apreensão de conhecimentos sobre DH e a sua relação com os contextos internacionais, nacionais e local.
Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos DH.
Formação de uma consciência cidadã.
Desenvolvimento de processos metodológicos, participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados.
Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos DH, bem como da reparação das violações.

A EDH é promovida através de três campos:
-Epistemológico: diz respeito ao conhecimento e habilidades relacionados aos DH – conhecer os DH e os mecanismos existentes para a sua proteção, assim como desenvolver habilidades para aplicá-los no dia-a-dia.
-Axiológico: diz respeito aos valores (que são consoantes com a democracia e com os DH), atitudes e comportamentos que sustentem os DH.
-Práxis: (que é ação)- desencadear ações para a defesa e promoção dos DH.
Toda ação educativa voltada para a EDH tem sempre esses três campos, eles estão sempre juntos: Conhecimento, Valores e Ação. Sem isso a EDH não se realiza. Pois o que se quer é uma cultura de DH, que os DH e democracia sejam um modo de conduzir a vida.

O Instituto interamericano de DH estabeleceu três diferentes níveis de conteúdos:
-maxiconteúdos: epistemológico, axiológico e práxis.
-intermediários: conhecimentos específicos – articular com as disciplinas curriculares.
-miniconteúdos: à realidade daquela comunidade, daquela escola no limite daquele aluno.

Inserção curricular – formas de inserir a EDH dentro do currículo: Dimensão didático-pedagógico:  DH é Pluri/Trans e Interdisciplinar.
-Pluridisciplinaridade: Estuda um objeto de uma disciplina pelo ângulo de várias outras ao mesmo tempo.
-Transdisciplinaridade: Refere-se ao conhecimento próprio da disciplina, mas está para além dela, tanto no espaço quanto no tempo. Unidade do conhecimento – parte e o todo.
-Interdisciplinaridade: Integração das diferentes áreas do conhecimento, trabalho de cooperação e troca, aberto ao diálogo e ao planejamento.

Dimensão epistemológica do conhecimento:
-Transversalidade: “Forma de organizar o trabalho escolar no qual temas ou eixos temáticos são integrados  às disciplinas de forma a estarem presentes em todas elas. Uma característica central da transversalidade é a relação que se estabelece entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade).”
 CNE/CEB n°7/2010

E a Prof°Ana Maria finaliza dizendo que não há necessidade de se criar uma nova disciplina.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 9 - Educação Comunitária e Direitos Humanos



4°Módulo – Vídeo-aula 9: Educação Comunitária e Direitos Humanos

“Aprender na comunidade, com ela e para ela, significa usar a história de sua própria região, exteriorizando a cultura do silêncio. Significa aprender a engajar-se na sua própria região, tornando –se consciente da situação sócio-política e lutando para que as sociedades fechadas sejam transformadas em sociedades abertas...é uma questão de urgência que as escolas se tornem menos fechadas, menos elitistas, menos autoritárias, menos distanciadas da população em geral. Isso é para a educação comunitária uma questão de fundamental importância”.
                                                                                                  Paulo Freire
A Prof°Ana Maria Klein utilizou essa citação de Paulo Freire para apresentar como ele se referia à Educação Comunitária e comentou que ele é um dos autores que trata da questão da relação entre escola e comunidade.
Seu histórico:
A Educação Comunitária surge não dentro de um contexto escolar. Inicialmente associada à educação não formal e caracterizada por processos educativos coletivos.
A partir dos anos 1980, intensificando-se na década de 1990. Caracterizada pela democratização do espaço e das relações da participação de todos os envolvidos, da melhoria da qualidade da educação.
Objetivo da Educação Comunitária:
Formar, desenvolver um “sujeito coletivo”, isto é, sujeitos que se compreendam em meio à coletividade, que se tornem co-responsáveis pelas ações, relações, conflitos e decisões que ocorrem na comunidade.
Que os alunos se comprometam com a coletividade, com o lugar onde eles moram, e com os processos democráticos, ou seja, que eles olhem para o contexto onde se inserem numa perspectiva crítica e com uma perspectiva, também, de mudança e transformação.
Os conteúdos tem que ter relação com aquilo que os estudantes vivenciam e também com o lugar onde eles se inserem. Essa comunidade se torna objetivo da aprendizagem, e é conteúdo também. Eu aprendo para ser sujeito coletivo que vou interagir dentro dessa comunidade e, também, aprendo com os temas que emergem dessa comunidade.
E a perspectiva é da cidadania: eu aprendo a ser cidadão – problemas de uma determinada comunidade passam a ser discutidos e a ser objetos de reflexão dentro da escola. Para isso é preciso uma articulação entre os temas do entorno e os conteúdos disciplinares.
É uma nova perspectiva de educação onde aquilo que se aprende na escola se articula com a vida cotidiana dos estudantes numa perspectiva de formação para a cidadania, ou seja, de atuar ativamente nessa comunidade a qual eu pertenço.
A Educação Comunitária abriga dentro de si diferentes contextos educativos: família, cidade, sociedade, a escola, portanto considera e privilegia outros espaços de relação onde os estudantes também aprendem.
Educação Comunitária e contextos educativos:
-Currículo: traz as demandas e os interesses da comunidade que passam a fazer parte da escola e do trabalho pedagógico. Os temas vivenciados passam a ser discutidos,  a ser problematizados à luz dos conhecimentos das disciplinas, através de um tema, de um projeto, e o aluno passa a ter uma posição crítica frente aquilo que acontece no lugar onde ele mora.
-Cidades Educadoras: conceito que surgiu no início da década de 90, na Espanha. Sua ideia central é que a escola sozinha não tem condições de construir todos os conhecimentos e informações necessários ao mundo contemporâneo, com isso a educação também deve ser competência da cidade. A partir disso foi feita uma carta das cidades educadoras onde se reconhece que a educação não é uma função restrita à escola, todos da sociedade educam as pessoas que vivem nessa sociedade, portanto a cidade é um contexto educativo. Para além dos muros da escola há outros espaços educativos que são de responsabilidade de todos e que também devem fazer parte dessa rede, desse contexto educativo no qual os alunos se inserem. Portanto a gente abre as portas da escola para espaços que estão fora dos muros escolares e para espaços que muitas vezes estão ali presentes e não percebemos seu potencial.
E como podemos levar tudo isso para dentro da escola ?
Educação Comunitária e as relações entre aprendizagem e cidade
Trilla (1993) autor espanhol destaca três dimensões possíveis para a relação educação-cidade:
Aprender na cidade: lócus de educação, composto por instituições especificamente educativas (museus), instituições cidadãs não especificamente educativas (ONGs), espaços onde se podem realizar encontros e vivências (parques, praças).
Aprender da cidade: agente informal de educação de caráter ambivalente e não seletivo. O curriculum da cidade é contraditório em seus modelos de relações sociais.
Aprender a cidade: a cidade é tomada como conhecimento em si, trata-se de aprender a utilizar a cidade e a participar de sua construção. Conhecer, saber dos seus potenciais e saber também que cada indivíduo é um cidadão com papel ativo que pode transformar aquela realidade. É uma relação de troca, não é só esperar o que a cidade pode me dar, mas o que eu faço também para mudar essa cidade. Estamos falando de uma perspectiva de educação para a cidadania ativa.
Como eu posso trabalhar essa questão da cidade dentro da escola?
1-Uma das possibilidades é o mapeamento: mapear o entorno é uma ação ampla que visa olhar para as potencialidades da comunidade na qual a escola se insere. O objetivo do mapeamento é levantar onde/ o quê/ quem/ por quê, identificando parceiros na tarefa educativa.
2-Um caminho complementar que visa a articulação entre os conteúdos disciplinares e os temas presentes na comunidade são as trilhas, que nascem de um contexto pedagógico, e é um olhar orientado por um tema específico onde tem um duplo caráter:
1°Caráter: intencionalidade e objetividade – meu olhar está orientado para aquele determinado tema que escolhi.
2°Caráter: “caleidoscópio” – percepção das pessoas acerca da comunidade: desafios, potenciais (humanos, equipamentos, locais) e como elas se implicam. É o olhar de diferentes pessoas sobre o mesmo tema.
E onde é que entram os Direitos Humanos?
Direitos Humanos (DH) são comuns a todo(a)s sem distinção de etnia, nacionalidade, sexo, classe social, nível de instrução, religião, opinião política, orientação sexual, ou de qualquer tipo de julgamento moral. Decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca de todo ser humano.
Ou seja, somos humanos, logo temos direitos. Nenhuma diferença pode fazer com que esses direitos não sejam cumpridos.
DH e democracia – liberdade, igualdade e solidariedade: uma democracia só existe se você tiver uma base que também é a base do DH. Logo uma democracia só existe se os DH forem respeitados, se todos tiverem seus direitos respeitados; e DH só são possíveis num país democrático. Portanto democracia e DH é indissociável, uma só existe junto com o outro. Por isso quando se pensa em formação para a cidadania, que é uma das funções da escola, DH tem que estar presente.
Na escola DH se traduzem em conhecimentos, valores e ações que são necessárias à formação dos cidadãos em sociedades democráticas e ao desenvolvimento integral do ser humano.
Aonde é que isso se articula com a Educação Comunitária ?  Os temas que compõe a trilha, por exemplo, que vai dar origem aos Projetos transversais, eles nascem dos Direitos Humanos. Exemplos de alguns temas:
Temas dos projetos derivam da discussão sobre DH
-Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH (ONU -1948)
-Direitos sociais, econômicos e culturais
-Direitos de crianças e adolescentes
-Discriminação racial
-Discriminação contra a mulher
-Direitos relacionados à Educação
-Gênero e orientação sexual na educação
E a Prof° Ana Maria finaliza dizendo: “esses são só alguns exemplos e aqui eu destaco o ECA, ele tem que estar na escola, as crianças e adolescentes tem que conhecer os seus direitos, e fazer com que esses direitos sejam respeitados é a etapa seguinte.
A Educação Comunitária pode fazer valer os DH através de temáticas que vão abordar esses direitos à luz das disciplinas curriculares”.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 8 - Transtornos comportamentais e Epilepsia


4°Módulo – Vídeo-aula 8: Transtornos comportamentais e Epilepsia

A Prof° Paula Fernandes trouxe para iniciar essa questão: “Quais dificuldades de comportamento você acha que uma pessoa com epilepsia apresenta ?”

Comportamento e epilepsia: birra; irritação; explosividade; agressividade; instabilidade de humor; dificuldade de relacionamento; hiperemotividade; dependência afetiva; depressão; psicoses; agitação; falta de atenção; hiperatividade infantil; baixa ou alta da libido; viscosidade (ser prolixo, repetitivo, discurso mais pegajoso); medo.

Comportamentos inadequados:  quando não quer participar de atividades, a criança esperneia e faz birra, chora, dá chutes, grita, se atira no chão, é agressiva com os colegas ou com o professor. Isso acontece somente pela epilepsia ? Como proceder ?

Comportamento e Epilepsia:
-É preciso identificar o sofrimento do aluno.
-Conversar com a família: dados importantes (está acontecendo em casa ?/ como os pais lidam ?).
-Abrir roda de discussões sobre temas relacionados.
-Paciência e calma são fundamentais.
-Intervir, expondo limites.
-Não se deixe contaminar pelo comportamento inadequado: ofereça modelos corretos.

Depressão e Epilepsia:
-Mais comum transtorno comportamental/psiquiátrico nas epilepsias.
-Prevalência: 20 a 55% dos pacientes com crises recorrentes tem alguma forma de depressão.
-Nas clínicas especializadas de epilepsia: chega a 72% o número de pacientes com alguma depressão.
-ELT (lobo temporal que envolve o sistema límbico – é o nosso cérebro emocional, onde ocorre o processamento das emoções): de 19 até 65% de chance de desenvolver a depressão.

Depressão na epilepsia -  tipos mais comuns:
-Depressão crônica leve (que pode ser tratada sem medicação) com sintomas intermitentes e variáveis como : ansiedade, irritabilidade, hostilidade, sintomas melancólicos.
-CPC: transtorno depressivo maior (tratada com medicação).
Principais fatores de uma depressão na epilepsia:
-A própria epilepsia, principalmente se for a tipo lobo temporal.
-Discriminação e estigma.
-Desemprego e dificuldades escolares.
-Exclusão social.
-Poucas relações afetivas.
Quanto mais severa as crises e menos controle, maior probabilidade da depressão.

Como identificar e lidar com isso ? O diagnóstico especializado somente o especialista deve fazer.
Comportamentos comuns: tristeza; irritabilidade; isolamento; falta de atenção; não participação nas atividades propostas; baixa tolerância à frustração; baixo rendimento escolar.
-Minimizar os sintomas depressivos: processo natural de adaptação à epilepsia.
-Conversar com a família, tratamento adequado, inserção social do aluno.

E a Prof°Paula ressaltou: “mais do que tratar a depressão e a epilepsia, se quer inserir essa pessoa socialmente.”
E fez um apelo: “nós queremos que você ajude a mudar a perspectiva da epilepsia na nossa sociedade, ajude a tirar a epilepsia das sombras, incentivando atitudes positivas.”

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 7 - Epilepsia nas diferentes fases da vida: infância, adolescência e fase adulta


4°Módulo – Vídeo-aula 7: Epilepsia nas diferentes fases da vida: infância, adolescência e fase adulta

A Prof°Paula Fernanda de início falou, que o diagnóstico de epilepsia altera o status social do paciente pois, a partir daquele momento, ele passa  a ter uma doença crônica e muito estigmatizante.
Daí:
-Preocupação, confusão, tristeza, sentimento de culpa, raiva, questionamentos, o que fazer ?
-Medo, crenças (informações inadequadas ainda nos dias de hoje), revolta (podendo levar a comportamentos inadequados).
-Reações normais, mas que podem influenciar o modo de viver e de se relacionar com os outros.
E trouxe considerações específicas quando o diagnóstico é feito na Infância, na Adolescência e na Fase Adulta :

Infância:
-Período de aquisição e desenvolvimento de habilidades e competências sociais, cognitivas e acadêmicas.
-Prejuízo nesta fase: acadêmicos, interpessoais e emocionais (traços de personalidade)
-Pais e escola: é preciso que ambos estejam muito envolvidos para que os prejuízos não sejam tão graves e sérios.

Infância: relação pais-filhos:
Os pais precisam ser informados sobre o que é, quais limitações e possibilidades, para que os sentimentos sejam mais positivos e os comportamentos mais adequados, isso repercute favoravelmente na criança que passa a nutrir sentimentos mais positivos e também comportamentos mais adequados. É um ciclo que se retroalimenta, em caso contrário o efeito é devastador.
-Filhos se sentem apreensivos em relação à epilepsia: preconceito e baixa qualidade de vida. E eles começam a ficar mais apreensivos devido ao comportamento dos pais, daí que o modelo materno e paterno positivo é fundamental. Não ocorrendo isso prejudica o funcionamento da família pois há menos proximidade, mais restrições de comportamentos, de atividades e de comunicação.
Portanto, mensagens positivas: desenvolvimento integral e positivo: respeito por ela mesma, autoestima e autoconfiança.
Se mensagens negativas (ou pode nada ou pode tudo/permissividade por ter epilepsia): desenvolvimento falho e negativo: desconfiança, dúvidas e insegurança sobre quem ela é, o que ela pode, até onde ela pode ir?

Infância e escola:
Crianças com epilepsia: escolas comuns ?
Dificuldades na idade escolar: desempenho escolar e interação social – podem estar associadas à própria epilepsia (por causa das crises e da medicação), e a fatores psicossociais (baixa expectativa, autoestima e autoconfiança abaladas, rejeição, decorrentes do estigma/preconceito).
É importante que professores, coordenadores e colegas saibam que a criança tem epilepsia e como proceder.

Adolescência – características:
-Mudanças e questionamentos
-Busca de novidades
-Identificação social e sexual
-preparo para a maturidade
Epilepsia influencia:
*Independência e autonomia
*Relacionamentos sociais
*Estudo e futuro
*Autoestima e humor
*Restrições de atividades

Adolescência e contradição vivida a partir da epilepsia:
Adolescente quer: autonomia, independência e desejo social (de se relacionar com outros – amizade e namoro).
Com a epilepsia ocorre:  imprevisibilidade das crises, dependência dos pais e DAEs (drogas anti convulsionantes), preconceito.
Comportamentos inadequados: isolamento, revolta, papel de vítima, não aceitação, com isso – problemas no crescimento e no ajustamento psicossocial e na aderência ao tratamento.
Ele precisa de suporte e a escola pode ajudá-lo a passar dessa fase e ser um adulto feliz, saudável.

Adultos:
Espera-se estabilidade financeira, emocional, profissional e social.
Epilepsia: influencia negativamente o emprego e as relações sociais/ conflitos familiares e sociais, stress financeiro e alterações emocionais.
Aspecto profissional:
Sobe as taxas de desemprego e de subemprego e diminuem as chances de qualificação escolar e de poder trabalhar.
Aspecto social:
Crises: são eventos sociais, significado construído a partir da reação dos outros: mais desvantajoso que as crises.
Baixos índices de casamento: contato social prejudicado, baixa autoestima e problemas na sexualidade.
E finalizou enfatizando que é importante que saibamos as considerações da epilepsia em cada fase da vida. E disse: “Você, professor, pode ajudar promovendo discussões através dos temas transversais, para que se tenha um entendimento, lidadndo com isso de uma maneira mais positiva. É importante considerar cada fase e cada caso. A família deve participar do processo todo. É possível ter uma vida com qualidade.”
  
                              Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 6 - Educação Comunitária e as questões de gênero na escola



4°Módulo – Vídeo-aula 6: Educação Comunitária e questões de gênero na escola

A Prof°Valéria Amorim Arantes de início trouxe o objetivo dessa vídeo-aula:
Apresentar um trabalho de intervenção e de investigação cujo principal objetivo foi desenvolver  projetos e ações que privilegiassem a construção de valores ancorados em fundamentos de ética, direitos humanos  e na igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres em situações de conflitos de gênero.
A pesquisa foi realizada durante um ano numa escola da periferia de São Paulo e contou com alunos da Pós graduação e com financiamento da FAPESP.

Intervenção e Investigação:
-Intervenção no cotidiano da escola e de suas relações com os conteúdos educativos e com a comunidade, visando promover a compreensão das situações de conflitos de gênero.
-Busca de dados qualitativos e quantitativos que permitissem “avaliar” os resultados da intervenção.
-Romper os muros e trazer temáticas de relevância para a comunidade.

Intervenção – Método, através de cinco frentes de trabalho:
1-Planejamento de ações – parceria universidade e escola.
2-Fórum escolar de Ética e Cidadania – uma vez por mês reuniões com a comunidade e escola.
3-A Pedagogia de Projetos – transversal e interdisciplinar, que perpassem todas as disciplinas do currículo.
4-Trilhas, mapas e roteiros – mapear no bairro situações que ocorriam essa situação.
5-Ações de formação de professores

Investigação – Método:
-Observações diretas e indiretas.
-Diários de campo.
-Entrevistas individuais orais e por escrito.
-Questionários abertos.
-Relatórios dos professores-bolsistas sobre seus sub-projetos (5 professores dessa escola e 59 alunos).
Buscava-se identificar os conflitos de gênero que aconteciam naquela comunidade.
No campo da educação moral um aspecto muito importante é trabalhar com resolução de conflitos, promovendo uma aprendizagem de conflitos de forma ética , de forma moral.

Categorização de conflitos: Análise dos conflitos
-Conflitos amorosos (não ser correspondido)
-Traição
-Separação
-*Violência contra o homem (a mulher que agrediu o homem)
-*Violência contra o casal (ambos se agrediram)
-*Violência contra a mulher
*Física ou verbalmente
E começaram a intervenção a partir daí, do material que coletaram. Além de pedirem para relatarem os conflitos, pediram, também, que eles sugerissem formas de resolver esses conflitos. A escola se dedica pouco na resolução de conflitos.

Três tipos de categorias – resolução de conflitos:
-Categoria “não-moral” – não recorre a princípios éticos
-Categoria “mágica”
-Categoria “moral” – princípio de justiça e igualdade.

Imagens de como a intervenção foi feita:
Pesquisa sobre desigualdade de gênero; profissões ocupadas por homens e mulheres (história); cartazes; jornal-mural (Lei Maria da Penha).

E a ProF°Valéria termina enfatizando: “a análise dos resultados pré e pós teste nos dão sinais, são indícios de que é possível promover uma educação que favoreça uma lógica pautada em princípios de ética, justiça entre homens e mulheres. E romper com uma ordem social que pareça naturalizar a desigualdade, a discriminação e a violência de gênero.
Isso nos encoraja a continuar o trabalho para buscar:
1° Romper os limites da escola com a comunidade.
2° Nos reconhecer como homens e mulheres iguais (igualdade de direitos e deveres) e diferentes.”

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 5 - Protagonismo juvenil e participação escolar






4°Módulo – Vídeo-aula 5: Protagonismo juvenil e participação escolar


“A educação deve promover o acesso aos bens culturais exigidos pela sociedade contemporânea e garantir uma formação política que permita aos jovens participar da vida social de forma mais crítica, dinâmica e autônoma.”

O Prof°Ulisses Araújo iniciou apresentando essa definição  que serve como referência para a discussão do tema.
O objetivo é a formação do jovem cidadão, da jovem cidadã e para isso eles precisam participar de um forma ativa dessa escola.
Para tanto é necessário que se utilize metodologias ativas de aprendizagem que tem fundamentos no autor americano John Dewey, relação com o construtivismo e com autores como Piaget, Paulo Freire e outros, conferindo ao aluno um papel ativo, ação do sujeito no processo educativo.
E uma das formas mais conhecidas é a aprendizagem baseada em problemas que é uma metodologia ativa de aprendizagem. “É uma estratégia pedagógica que apresenta aos estudantes situações significativas e contextualizadas no mudo real.” (Mayo, Donnelly, Nash & Schwartz,1993).
E o Prof°Ulisses apresentou exemplosde projetosque seguem essa metodologia: Alunos da USP; Escolas públicas; Universidade de Stanford; onde se identificam problemas na comunidade e trabalham em busca de soluções.
Os alunos protagonistas são alunos que vão contribuir para a construção de uma sociedade justa, solidária e feliz.
E para isso é necessário promover a participação através de:
-Assembléias Escolares: decidindo, por exemplo, as regras da sala de aula.
-Grêmios estudantis
-Estratégias de resolução e de mediação de conflitos: por exemplo, com o professor mediador ou o aluno mediador.
-Estratégias de aproximação entre escola, família e comunidade: por exemplo, na organização do fórum escolar de ética e cidadania ou educação comunitária.

Aumentando assim a probabilidade de que esses alunos construam valores morais, valores que estejam mais de acordo com os interesses da sociedade.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011