quarta-feira, 6 de julho de 2011

(4°) Vídeo-aula 23 - Estigma


4°Módulo – Vídeo-aula 23: Estigma

Goffman define estigma como: “referência a um atributo depreciativo, fraqueza ou desvantagem. A pessoa estigmatizada é considerada como tendo uma característica diferente da aceita pela sociedade e é tratada diferentemente pela mesma, que mostra conceitos errados e preconceituosos.”

A prof°Paula Fernandes ainda disse que o estigma é um fato real e global, tem efeito negativo e é comum em vários países.
É um conceito multifatorial e para combate-lo é preciso uma intervenção ampla.

Há o estigma real: situações de discriminação feias pela sociedade.
E o estigma percebido: resultante dos sentimentos dos pacientes a partir de suas crenças e dos comportamentos da sociedade.

Pessoa que se sente estigmatizada:
-maior preocupação com a sua condição
-baixos níveis de autoestima
-baixa autonomia
-problemas nas relações sociais
Dificuldades na escola e no trabalho

Informação é a principal arma no combate ao preconceito, na melhora desse estigma da pessoa com epilepsia. Porém só informação não basta, precisamos ter atitudes, condutas, que influenciem de uma maneira mais positiva.

E enfatizou: “quando se age adequadamente também se está educando as pessoas em volta para tentar minimizar o estigma.”

Como a gente muda isso:
-Campanhas na mídia.
-Atendimento integral ao paciente e sua família.
-Capacitação – educação continuada de profissionais da saúde, educação, e área social, pacientes e famílias.
 
Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 22 - Lazer, juventude e esportes

4°Módulo – Vídeo-aula 22: Lazer, juventude e esportes

O Prof°Ricardo Uvinha falou de início de uma pesquisa com adolescentes de 12 a 18 anos na China que revelou a preferência deles por ver TV no tempo livre. E isso não é diferente aqui no Brasil, onde também o esporte na TV ou como praticante é muito presente.

Cultura e identidade de grupo:
-Espaço físico
-Grupos/ Tribos/ Gênero
-Rixas
-Linguagem
-Vestimenta
-Música
A indústria cultural se aproveita muito desses elementos.
O que é dito nas pistas dos skatistas,  a forma de linguagem, vem para a realidade do dia a dia e esse jovem se expressa assim na escola.

Pedaço: termo antropológico usado por diversos autores entre eles José Guilherme  Canto Manhame. É um espaço simbólico entre a casa e a rua; o formal e o informal; o público e o privado. Assim os jovens se reconhecem no encontro com outros jovens, no encontro com os pares.

Definição de Pedaço: “espaço onde [...] se desenvolve uma sociabilidade básica, mais ampla que a fundada nos laços familiares, porém mais densa, significativa e estável que as relações formais e individualizadas impostas pela sociedade.”

Pedaço – dois componentes:
-de ordem “espacial” (o telefone público, a padaria, o campo de futebol, o bar, etc...)
-de ordem “simbólica” (composto de uma ampla rede de relações sociais)
Termo que designaria um espaço intermediário entre o privado (casa) e o público (rua).

Esportes radicais, mídia e marketing:
Classificação
Aéreos: paraquedismo, balonismo, vôo livre.
Aquáticos: surf e outros.
Terrestres: caminhada e outros.

Características da aventura:
-resultados incertos, grau de imprevisibilidade.
-perigo e risco
-desafio
-novidade
-exploração e descoberta
-atenção e concentração
-estímulo e entusiasmo

O Prof°Ricardo citou uma reportagem da Revista Nova Escola de agosto de 2006 onde menciona escolas que adotavam esportes de aventura no conteúdo tanto nas aulas de Educação Física como abrindo as escolas para a comunidade.

Escolas – modalidades adaptadas:
Banco sueco: esportes com prancha
Rolamentos em colchonetes: esportes aéreos
Equipamentos trazidos pelos alunos

Vivências fora da escola:
Bóiacross; rafting; surfe; escalada outdoor; cascading/canyoning; trekking; rapel.
Também é fundamental valorizar o meio ambiente, elementos de cooperação, de sociabilidade, que são fundamentais quando associados à comunidade.

Lazer do jovem:
-Compreensão das múltiplas experiências do lazer vivenciadas pelo jovem no seu tempo livre.
-Momentos de acentuada relevância em termos de valores e expressão, de signos sociais.
-Cultura juvenil multifacetada e em constante transformação.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 21 - Lazer, cultura e elementos comunitários

4°Módulo – Vídeo-aula 21: Lazer, cultura e elementos comunitários

O Prof° Ricardo Uvinha tratará nessa vídeo-aula do lazer como uma esfera social e a relação do lazer com a comunidade.
E ressaltou que o lazer tem uma dimensão subjetiva e uma esfera social significativa. E que o lazer tem distintas definições.

Conceito de lazer (Jofre Dumazedier)
“Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”.

Três dimensões (3Ds):
-Descanso
-Divertimento
-Desenvolvimento

Jofre Dumazedier indica os conteúdos culturais do lazer:
-artisticos; intelectuais; manuais; sociais; físicos; turísticos.
Interesses artísticos: Imagens, emoções, sentimentos / Conteúdo estético, busca da beleza / Campo simbólico
Ex. manifestações artísticas: teatro, museus, centros culturais, cultura popular)
Interesses intelectuais: Ex. participação em cursos, leitura, jogo de xadrez
Interesses manuais: Artesanato, culinária, “bricolage” / Jardinagem, cuidado com animais /
Interesses sociais: Festas, bailes, bares e cafés
Interesses físico-desportivos: Práticas esportivas, pesca, ginástica.
Interesses turísticos: Turismo como “elemento” do lazer.
Todos esses seis elementos podem ser associados à dimensão de divertimento e de desenvolvimento.

Lazer, cultura e elementos comunitários:
-Busca de forma “preponderante” no desenvolvimento de atividades.
-Escolhas subjetivas (evidencia-se a “opção” no lazer).

Equipamentos de lazer:
-Não específicos: (lar, rua, escolas)
-Específicos: construídos com a finalidade do lazer. Subordinação aos conteúdos culturais do lazer: artístico, intelectual, manual, social, físico e turístico.
-Micro equipamentos especializados: a um conteúdo cultural do lazer (academia de ginástica, biblioteca)
-Médio de polivalência dirigida: clubes com 3, 4, 5 conteúdos culturais do lazer.
-Macro equipamento polivalente: plenitude dos conteúdos culturais do lazer.

Por exemplo: Zona Leste tem 4 milhões e meio de habitantes.
Estimular não só a criação de novos equipamentos específicos, mas a criação de possibilidades a partir dos equipamentos não específicos. Abrir o espaço da escola para absorver a cultura da comunidade. O lazer deve ser aproveitado no equipamento não específico. Abertura da rua. E para novos equipamentos específicos a comunidade deve ser consultada ( o que cabe, o que gosta).

Equipamentos de lazer:
Devem atender a população de forma democrática e devem receber efetiva política de animação cultural.

Atuação profissional:
Os agentes/animadores socioculturais tem importante papel na sensibilização para o usufruto do espaço/equipamento. Associar essas atividades ao desenvolvimento da comunidade, estimular e garantir a participação democrática em termos de cidadania e garantir, também, o entendimento da importância do lazer como uma esfera social.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011


(4°) Vídeo-aula 20 - Como lidar com limitações: elas existem ?


4°Módulo – Vídeo-aula 20: Como lidar com limitações: elas existem ?

 O Prof°Li li Min disse que é importante não focar nas limitações, mas no que podemos fazer. Tentar enxergar o lado mais positivo e levar a mensagem aos pacientes e familiares das possibilidades, enquanto ser humano, de desenvolver-se plenamente e buscar seus sonhos.

E ressaltou: “Algumas limitações são justas e protegem a pessoa. Outras limitações são originadas de desinformação e preconceito.
A grande âncora que segura a questão, que dá sustentação às limitações, é a desinformação e o preconceito. É preciso tirar essa âncora, para que se possa navegar livremente nessa vida, que é ampla e repleta de oportunidades.
Ao invés de dar ênfase a quais são as limitações, abrir o horizonte para quais são as possibilidades na vida dessa pessoa.”

A pessoa com epilepsia pode:

-praticar esportes (porém nem todos são recomendáveis).
-dirigir (a partir de 2 anos sem crises).
-casar e ter filhos .
-trabalhar e estudar.
-ter qualidade de vida.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 19 - Cidadania






4°Módulo – Vídeo-aula 19: Cidadania

“Cidadania é a competência humana de fazer-se sujeito para fazer história própria e coletivamente organizada.”                                  Pedro Demo

A Prof°Paula Fernandes utilizou-se dessa citação e ainda disse:

Cidadania é um processo em construção, pautado em direitos e deveres assumidos pelos sujeitos sociais e pelo Estado, na direção de uma sociedade justa, livre e igualitária.

-Construção individual e coletiva.
-Exercício igualitário de direitos civis, políticos e sociais reconhecidos no momento histórico por todos que a compõem.

É cidadão:
*Aquele que vive a plena posse de seus direitos e exercita seus deveres.
*Usufrui de bens e serviços produzidos socialmente.
*Participa de forma livre, consciente e autônoma das decisões de vida de seu país.

E o que significa cidadania na epilepsia ?
1-Acesso ao conhecimento – consciência social.
2-Tomada de decisão individual – me fazer sujeito da história, querer e me comprometer.
3-Tomada de decisão coletiva – organização de pessoas com interesses comuns.
4-Desenvolvimento de ações -a partir do momento que eu tenho esses três itens eu posso desenvolver as ações.
E o importante para o desenvolvimento das ações é a direção única: construção de uma sociedade justa, igualitária, democrática, tendo por base a afirmação da VIDA e da DIGNIDADE.

Essa cidadania que estamos falando é garantida por lei, porém a cidadania plena só existirá quando for garantido igual tratamento e oportunidade para todos os cidadãos.

E finalizou dizendo: “todos nós temos a responsabilidade de  tirar estes direitos do papel e torná-los realidade. É preciso mobilizar diferentes segmentos sociais, diferentes pessoas para tornar realidade a questão da cidadania da epilepsia.”

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 18 - Valorização da cultura corporal da comunidade no currículo escolar

4°Módulo – Vídeo-aula 18: Valorização da cultura corporal da comunidade no currículo escolar

O Prof°Marcos Neira trouxe de início a concepção de cultura para os estudos culturais: Campo de lutas para validação de significados.
E definiu cultura corporal: conjunto de conhecimentos que envolve brincadeiras, danças, lutas, ginásticas e esportes. Todos os grupos culturais também possuem uma parte da cultura que se refere às práticas corporais e atribuem significados específicos a essas práticas corporais.

Cultura e Cultura corporal:
-Concepção dos estudos corporais
-Movimento x Gesto
-Produção da gestualidade
-Textos corporais

As manifestações culturais agregam os elementos da gestualidade sistematizada. Um gesto tem um sentido específico dentro de uma brincadeira, dentro de um esporte, de uma dança.
Leitura da gestualidade: o gesto é um movimento com significado.
O movimento dentro da brincadeira, esporte, dança, da ginástica tem como intenção comunicar. Esse movimento está dentro de um texto, um texto da cultura corporal. Por isso na perspectiva corporal movimento é uma coisa e gesto é outra.
Gestualidade – textos corporais culturais: produzidos pelas crianças, jovens, adultos, idosos, por vários grupos sociais. Essa produção da gestualidade está sempre relacionada ao sentido que aquela prática corporal tem em determinada comunidade. Cada comunidade produz uma gestualidade que lhe permite veicular os significados do mundo.
Andar de skate, jogar futebol, brincar de amarelinha são textos da cultura corporal.

Conceitos extraídos da Teoria Curricular Pós crítica
4 Princípios Curriculares:
-Enraizar as identidades: será que aquelas práticas corporais que escolhemos estão enraizadas, tem relação com essas identidades?
-Justiça curricular: equilibrar as práticas corporais que representam todos esses grupos culturais.
-Evitar o daltonismo cultural: reconhecer o arco-íris de culturas.
-Ancoragem social dos conteúdos: todas as brincadeiras devem estar ancoradas socialmente. As práticas corporais devem ser selecionadas pelo professor tendo em vista a existência dessa prática corporal fora da escola.

Cultura corporal é um patrimônio e precisa ser estudado dentro da escola, entendido, apreciado, compreendido. O que nos leva a algumas orientações didáticas:

-Mapeamento da cultura corporal: procurar identificar quais são as experiências culturais corporais que as pessoas da escola acessam.  A partir desse mapeamento vamos selecionar as práticas corporais que serão trabalhadas no currículo. Por exemplo trabalhar com esse artefato da cultura corporal: o pião.

-Ressignificação das práticas corporais: as crianças na sala de aula compõem uma microsociedade multicultural. Esse pião é ressignificado de várias maneiras.

-Aprofundamento dos conhecimentos: produto de pesquisa que fizeram sobre o pião.

-Ampliação: crianças indígenas brincando de outra maneira com o pião fizeram com que ampliassem o significado ao redor desse artefato.

Márcia Maria dos Santos Solha
Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 17 -Transformações sociais, currículo e cultura

4°Módulo – Vídeo-aula 17: Transformações sociais, currículo e cultura

O Prof°Marcos Neira iniciou dizendo que o objetivo da vídeo-aula era procurar uma inter relação entre esses três elementos.

E para falar de como a sociedade veio se modificando nos últimos tempos, escolheu alguns itens como:

1-Globalização: há autores que dirão que ela remonta ao século XVI, XVII com a circulação de bens e serviços. Porém tratará da globalização nos últimos 50 anos. E sobre isso fez menção ao self-service e, também, que acompanhamos algo do outro lado do mundo ao vivo. Pela primeira vez nos deparamos com o outro, em qualquer lugar, cotidianamente e quase que o tempo inteiro.
2-Contexto democrático: a sociedade veio lentamente se democratizando. Hoje temos um público na escola, que até um tempo atrás não estava presente.
3-Sociedade Multicultural: uma sala de aula é um contexto multicultural. Uma família também. São campos, terrenos, territórios culturais absolutamente distintos.
4-Função social da escola: garantirá experiência social, uma circulação na esfera pública de maneira mais qualificada. É preciso selecionar determinados elementos para colocar dentro da experiência escolar.

E  ressaltou: “essa experiência de currículo tem chamado a atenção de teóricos como: Antonio Flávio Barbosa Moreira, Ana “Canen” (copiei como ele pronunciou),Tomas Tadeu da Silva, Elizabete de Macedo, Alice Casemiro Lopes. E para eles currículo é toda experiência proposta pela escola ou a partir dela.
Como todo currículo é uma prática social, ele deixa marcas. Nós somos marcados pelos currículos que percorremos."

Tomas Tadeu da Silva vai nos dizer: “O currículo, portanto, forja identidades."

Na teorização curricular contemporânea a maioria dos textos vem dividindo as teorias curriculares em três grandes grupos:
Teorias curriculares
-Teorias tradicionais: objetivam recortar uma parte da cultura erudita e não colocam em xeque o valor desses conhecimentos, tem que, simplesmente, ser aprendidos.
-Teorias críticas: nas décadas de 60, 70 e 80 o modo tradicional de entender a escola e o currículo passou a ser fortemente questionada, a experiência escolar era para manter a sociedade dividida em classes sociais. Das décadas de 60 a 80 ebulição de teorias, e críticas ao emprego do currículo como instrumento para manutenção das desigualdades sociais. Assim produziram a teoria crítico-reprodutivistas que colocavam em xeque os conhecimentos que iam para dentro do currículo.
-Teorias pós-críticas: Não somente as relações de poder baseadas em questões de classe que interferem na seleção de conteúdo. Ensinamos alguma coisa enquanto prática social, esta teoria está impregnada de classe, etnia, gênero, local e faixa etária.

Cultura: Definições em diferentes épocas
-Cultuar, cultivar (Grécia Antiga)
-Estado de Espírito (França, sec XVIII)
-Associada à razão e civilização (Iluminismo)
-Fator de identidade nacional (Alemanha, sec XIX)
-Modo de produção de classe (Inglaterra, sec XIX)

Mas foi no sec.XX, graças aos antropólogos, que o conceito de cultura ganhou força e chegamos ao que hoje se pensa.
Cultura, o olhar da Antropologia:
-Evolucionista: (Tylor)
-Relativista: (Boas)
-Funcionalista (Malinowiski)
-Sistêmica (Durkheim)
-Interpretativa (Geertz)
A partir dos anos 50 surge cultura como campo de luta para validação de significado.

Cultura, o olhar dos estudos culturais:
-Campo de lutas (Hall)
-Incorporação
-Distorção
-Resistência
Negociação

As lutas simbólicas se dão por quatro caminhos: incorporação, distorção, resistência e negociação.
As representações de mundo que circulam na cultura erudita são negadas pela cultura popular.
Mas há exemplos de incorporação nas práticas culturais, através da negociação e resignificação:
– futebol que era da elite (escola burguesa inglesa),foi incorporada pelas camadas populares.
-carnaval que era das camadas populares, foi incorporada pela elite.
Nesses dois casos o patrimônio cultural do outro, é apropriado, mas não da forma como o outro concebe, de uma forma negociada, negociando significados que atravessam esse patrimônio cultural.

                              Márcia Maria dos Santos Solha
                                          Julho/2011