quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

(2°) Vídeo-aula 25 - Práticas de cidadania


2°Módulo – Vídeo-aula 25: Práticas de Cidadania

“Pois aqui está a minha vida
Pronta para ser usada.
Vida que não se guarda,
Nem se esquiva, assustada.
Vida sempre à serviço da vida.
Para servir ao que vale a pena
E o preço do amor”
                                                                                   Thiago de Mello

A Prof°Patrícia Junqueira Grandino nos falou sobre o desenvolvimento e elaboração de projetos de atenção direta à comunidade.

E o referencial adotado é a perspectiva psicossocial sobre a realidade social:
-A realidade é construída historicamente.
-O sujeito humano é sujeito histórico, portanto é produtor dessa realidade e, também, é determinado pela realidade social.
-Aquisição de conhecimento = acúmulo histórico e produção de sentido.

A perspectiva construcionista da abordagem psicossocial considera que são as representações sociais que orientam as ações de todas as pessoas. É preciso compreendê-las, bem como compreender o sentido pessoal que cada um atribui às experiências, caso se objetive interferir nas ações.

Portanto, caso queiramos efetuar uma intervenção junto à  diferentes comunidades, desenvolvendo projetos educativos ou de promoção de saúde, é preciso estabelecer uma interlocução constante, parcerias  com pessoas que lá vivem, que objetivem a regulação das relações e a aproximação de saberes (científico e popular), evitando, assim, a discrepância de sentido e a resistência.

Tendo esses pressupostos como base podemos definir as Etapas para a Elaboração de Projetos de Atenção Direta com vista à promoção de saúde, projetos sócio-educativos e que usem o reconhecimento e a efetivação da cidadania humana.
1-Reconhecimento, caracterização e contextualização do campo onde o projeto quer ser desenvolvido.
2-Estabelecimento de parcerias com comunidades alvo e seus representantes: conhecer a dinâmica da comunidade, e essa relação de parceria deve ser simétrica e horizontal.
3-Levantamento conjunto das demandas a serem atendidas: questões fundantes e verdadeiras causas daquele problema que a comunidade apresenta.
4-Problematização das demandas e definição dos temas propostos: alcançar as razões de fundo geradoras dos problemas que a comunidade apresenta.

Etapas para a Elaboração de projetos de Atenção Direta:

1-    Objetivos (que se pretende ser atingidos).
2-     Definição do público alvo (deriva dessa investigação o diagnóstico importante que deve ser realizado no início do programa).
3-    Metodologia e estratégia de intervenção (traçar as melhores estratégias que possam ser elencadas para se atender os objetivos propostos. A metodologia, a estratégia é o procedimento escolhido para atingir, atender os objetivos, e não o contrário).
4-    Resultados esperados (o que se pretende alcançar, para depois poder avaliar os efeitos, o impacto e a continuidade de um projeto).
5-    Cronograma (ele organiza e possibilita um planejamento mais efetivo das ações desse projeto; baliza a seqüência das etapas que deverão ser cumpridas; e evita a dispersão).

                          
Importante reflexão e ferramenta apresentadas para a elaboração de projetos junto à comunidade com nossos alunos.
Elas trazem efetivamente a vivência do exercício da cidadania, tão necessários para a formação do aluno, e possibilitam que ele se perceba como sujeito histórico e, portanto, agente de transformação.

                                           Márcia Maria dos Santos Solha
                                                       dezembro/2010

(2°) Vídeo-aula 24 - Mídia e Comportamento


2°Módulo – Vídeo-aula 24: Mídia e Comportamento

A Prof° Lilia Freire Rodrigues de Souza Li nos falou que vivemos num mundo multimídia e as conseqüências de tanta exposição de crianças e adolescentes e por tantas horas, são inúmeras.

A infância e adolescência é um período dinâmico de grandes transformações onde se estabelecem atitudes, conceitos e valores, formam condutas.
Constitui o período de maior vulnerabilidade à influências externas.

A socialização é um processo onde se interioriza valores, crenças, atitudes e normas de conduta.
E a mídia constitui um importante meio de socialização.

Mídia: TV, cinema, impressos (revista, gibis, livros), música, computador, videogames, celular, muttimídia.

Tempo gasto de crianças e adolescentes usando mídia é, em média, 6 horas e 32 minutos, perfazendo 35 a 55 horas por semana.

Influência da mídia:
-Crianças são influenciadas pela mídia pois aprendem pela imitação, observação.
-Experiência prévia à violência correlaciona com comportamentos agressivos
-Crianças menores de 8 anos não diferenciam entre fantasia e realidade e são mais vulneráveis.

Ela salientou a violência tão presente nos programas, filmes, até mesmo infantis, e que a exposição prolongada traz problemas físicos e mentais; condutas agressivas; dessensibilização à violência; medo ; depressão; pesadelos; distúrbios de sono.

O mesmo se dá em videogames, que é uma mídia com interação.
Em crianças há o aumento de pensamentos agressivos e respostas violentas com retaliação e provocações.
É responsável por 13 a 22% do comportamento violento de adolescentes.
Os jogos viciam e fazem com que se aumente o tempo gasto com eles. E a repetição aumenta seus efeitos.

Outro aspecto a que deu ênfase foi a sexualidade, e comentou que a mídia tem se tornado o principal educador sexual. Sendo que, ao abordar esse tema, é necessário falar em autoestima, interação, sentimentos envolvido na sexualidade.

Falou também da influência na ingestão de bebidas alcoólicas por adolescentes.

E do efeito da mídia como substituto de outras atividades. O mundo virtual está se tornando cada vez mais interessante, levando as crianças e adolescentes a fugirem do mundo real, concreto e, com isso, pondo em  prejuízo seu crescimento e desenvolvimento social.
Devemos salientar também o sedentarismo que pode acarretar doenças físicas. E esse afastamento do contato físico com pessoas e com o mundo real,  pode desenvolver problemas emocionais.

No final aponta a necessidade do professor em educar sobre mídia.
E foi lançada a pergunta:
 “Como podemos discutir esse assunto no ambiente escolar ?”

A partir do que foi apresentado complementou dizendo que, conscientes dessas influências, precisamos buscar meios, formas, caminhos de proteger a criança e o adolescente sobre esse uso excessivo.
E eu adiciono que isso deve se dar através de uma ação conjunta: escola, família e sociedade.
                                                       Márcia Maria dos Santos Solha
                                                                   dezembro/2010

(2°) Vídeo-aula 23 - Uso de substâncias psicoativas


"Encharcado do prazer químico..., isso me torna insensível à vida, estou abduzido da vida e com uma sensação artificial, química, de bem-estar". 
                                                                   Dra Maria Aparecida Afonso Moisés



2°Módulo – Vídeo-aula 23: Uso de substâncias psicoativas

A Prof° Renata Azevedo começa esclarecendo que usará o termo substâncias psicoativas , pois é mais amplo que drogas ou substâncias narcóticas.
Agem no sistema nervoso central e produzem alterações de percepção, de sentimentos, de sensações, percebidas como prazerosas e por isso são tão procuradas e buscadas.
Além das substâncias ilícitas, entram também o álcool, o tabaco e vários medicamentos que até podem ser prescritos mas, se usados de forma abusiva, excessiva, podem caminhar para a dependência.

Há uma classe grande de substâncias psicoativas, bastante diferentes entre si, mas tem em comum o fato de produzirem alteração senso-perceptiva.

As diferenças:
-Umas são lícitas: álcool e tabaco
-Outras são ilícitas
-Uma outra diferença muito importante é a forma como elas agem no nosso cérebro, o tipo de alteração que elas vão produzir. Portanto a pessoa busca um tipo de efeito específico (cada droga tem um efeito, portanto são diferentes entre si ).
-Padrão de uso anárquico: é a mistura de substâncias da mesma classe ou de classes diferentes, no mesmo episódio de uso, aumenta o risco do potencial dano.

Na última década houve descobertas importantes, e para o tratamento os componentes ambientais, sociais, genéticos e neurobiológicos precisam ser contemplados.
A dependência está ligada a fatores biológicos, sociais e psicológicos, de personalidade.

Razões para que o uso de droga seja objeto de preocupação para a sociedade atualmente:
1-Uso tem crescido: com mais freqüência as pessoas tem lançado mão da "felicidade química". Reflexo da sociedade de consumo , onde se busca o prazer imediato, se divertir = se alterar.
2-Idades mais precoces: 11 anos e meio é a idade média de experimentação, incluindo álcool e tabaco. Organismo e personalidade em formação.
Sempre é potencialmente danoso, mas entre crianças e adolescentes, é pior.
3-Consequências: individuais  e coletivas  (relacionamento; desempenho escolar; ocupacionais; acidente de trabalho; familiares; doenças)

E se o uso é tão danoso, por que as pessoas continuam experimentando drogas e numa quantidade maior e potencialmente mais danosa ?
1-Infelizmente, a idade onde essa experimentação acontece é na adolescência, que é a idade da curiosidade, daí a importância do papel dos pais, da família, dos professores para que informados e capacitados possam conversar cotidianamente com os jovens, passando-lhes informações sérias e verdadeiras.
2-Vulnerabilidade: alguns adolescentes tem uma maior vulnerabilidade para essa experimentação, além  da curiosidade que faz parte da fase da vida.
É um conjunto de sentimentos: autoestima; desempenho escolar; aparência; socialização negativa; não se sentem felizes, incluídos, ficam mais vulneráveis ao uso de drogas.
Ou quadro psíquicos de depressão, ansiedade, fobia social.
3-Forma artificial de produzir felicidade  e pode ser estimulada pela família: “Estou chateada vou ao shopping”.
É fundamental que o jovem tenha informações de qualidade e modelos de qualidade.

Prevenção secundária:
Na detecção, verificar a freqüência  de uso e buscar ajuda profissional.
Evitar que esse padrão de uso caminhe para a dependência.
Todo o nosso esforço é para que a intervenção na adolescência aconteça para que a dependência não se instale.

Se a dependência já está instalada:
1-Psicoterapia (abordagem cognitiva-comportamental)
2-Medicação: para os sintomas de abstinência e a presença de comorbidades (depressão etc)

E a Prof° Renata finalizou dizendo:
“Portanto, mais bem informado (o que é essa substância; riscos que ela implica), possibilita ao jovem tomar decisões quando a possibilidade de uso se apresentar.
O que se sabe atualmente é que ter informação sobre drogas pode não ser suficiente para evitar o uso delas. Porém, não ter informação, certamente, aumenta muito a chance desse uso acontecer."

E ficou lançada a pergunta:
Como posso abordar o assunto de substâncias psicoativas na sala de aula ?

Eu respondo dizendo que o professor precisa ser capacitado, orientado para isso, para não cair no senso-comum, no moralismo.
E levar uma proposta de abordagem diferenciada e bem fundamentada,  para que possa ser acolhida pelos alunos e agregar valor, fazer diferença na vida deles.

                                               Márcia Maria dos Santos Solha
                                                         dezembro/2010


Vídeo:
tóxico dependência

(2°) Vídeo-aula 22 - Diversidade, pluralidade cultural




ERA UMA VEZ...







2°Módulo – Vídeo-aula 22: Diversidade, pluralidade cultural na escola

Esse tema me remeteu à estória do “Patinho Feio”, que trata, ao mesmo tempo, da questão da diferença e discriminação e , também, enaltece a necessidade da busca da identidade.
Essa busca que é árdua, sofrida, tal qual uma jornada de herói, é imprescindível e, também, muito gratificante...
E ela  nos leva a concluir que: somos únicos, portanto, somos todos diferentes!

O perigo é nos acomodarmos às denominações recebidas e não irmos mais à fundo em nós mesmos, ou até virmos a nos descaracterizar como aconteceu na estória: “A Águia que quase virou galinha”.

Essas estórias trazem reflexões profundas e pertinentes de como se dá o processo de desenvolvimento humano.
Enfatiza, também,  a importância fundamental do autoconhecimento e da autoestima para que possamos ocupar o nosso lugar no mundo, seguir em direção aos nossos sonhos e fazer a diferença onde quer que estejamos.

A  Prof° Daniele Kowalewski falou que precisamos refletir quais são os valores contemplados para que uma educação que visa a diversidade seja possível.

E falou:
A  diversidade no Brasil é uma marca não só presente nas escolas, mas em toda a nossa vida social. E que nas escolas pudemos sentir mais claramente depois da década de 90, quando todos passaram a ter acesso à educação pública.

Apesar de ser usados como sinônimos há diferenças etimológicas nas palavras:
Diversidade; Pluralidade, Multiculturalismo.

Igualdade de todos ou a diferença de cada grupo específico ou a diferença de cada um das identidades.

Trouxe  uma classificação sobre a questão da diferença dos autores Silvia Duschatzky e Carlos Skliar:
1-    O outro como fonte de todo mal : a diferença fosse de todo mal
2-    O outro como sujeito pleno de uma marca cultural: preso numa marca de cultura e não tivesse outra característica. A que a Prof°Daniele usa o termo de essencialização da diferença.
3-    O outro como alguém a tolerar: essa pode parecer a classificação menos perversa, mas não é.
É importante levar em conta esses aspectos, pois existe uma tensão inerente à esse tema da diversidade na escola, e também na sociedade como um todo.

E a Prof° Daniele trouxe o seguinte histórico:
-Constituição de 1988: o tema da pluralidade cultural é abordado.
-LDB em 1996 trouxe parágrafos se referindo à isso.
-Mas somente em 1998 com a publicação do PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) que a pluralidade cultural apareceu como um dos temas transversais ao lado de Ética; Saúde; Meio Ambiente; Sexualidade; Trabalho; Consumo. Não como uma matéria que deva ser diretamente aplicada, mas um tema que atravessa todos os segmentos da nossa educação.
-Lei 10.639 de 2003  torna obrigatória: história da África e da cultura afrobrasileira
-Lei 11.645 de 2008 complementa e estende essa obrigatoriedade também para a cultura indígena nos nossos currículos
-Em 2005 é publicada a Diretriz Curricular Nacional para a educação ético racial e para a história da África e cultura afrobrasileira.
-Em 2007: publicação do Programa Ética e Cidadania.
-Em 2010 um novo marco: “Estatuto da Igualdade Racial”.

Ela salientou que para essas conquistas, a militância, a luta dos grupos ( negros e índios), foi fundamental.

Alguns conceitos que esse Estatuto traz:
-Discriminação passa a ser definida como distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em etnia, descendência ou origem nacional.
-População negra é formada por pessoas que se classificam como tais ou como pretos, pardos ou outro termo parecido.

Uma das questões mais polêmicas que surgem quando se discute na escola esses assuntos são as cotas raciais.

E para finalizar lançou algumas reflexões:
O que fazer na escola quanto à temática da pluralidade ?
Será que nós, educadores, conseguimos lidar com todas as diferenças ?
É possível para nós ensinar sobre o outro sem torná-lo exótico ?
Afinal como é possível educar na diferença 

                                          Márcia Maria dos Santos Solha
                                                   dezembro/2010 

(2°) Vídeo-aula 21 - Assembléias escolares e democracia



2°Módulo – Vídeo-aula 21: Assembléias escolares e democracia

Nessa vídeo-aula tivemos oportunidade de conhecer a Escola Comunitária de Campinas que foi criada em novembro de 1977.
Nela ocorre a participação do aluno no seu processo de desenvolvimento moral.
Visa a formação ético-moral e a busca da autonomia dos alunos.
É um espaço democrático, que tem como objetivo trabalhar a construção de valores, a resolução de conflitos do cotidiano, através do diálogo.

A assembléia escolar ocorre nessa Escola há 6 anos e é o que torna a escola democrática e participativa.

O Prof°Ulisses Araujo falou que há três tipos básicos de assembléia que se vem trabalhando nas escolas:
1° Assembléia de classe: em cada sala há duas cartolinas onde os alunos escrevem as críticas (criticam fatos e não pessoas; é uma tentativa de resolver os problemas, se rever o que não está bom), as felicitações (se apoiar naquilo que está bom, que está dando certo) e em reunião discutem as sugestões.

2° Assembléia de escola ou de curso: há representantes de todas as turmas, dos professores e dos funcionários.

3° Assembléia docente: uma vez por mês junto com a direção da escola.
A pauta é o convívio, as relações interpessoais e uma discussão acadêmica/pedagógica que eles queiram trazer.
É um momento de dizer o que sente, o que pensa. E uma oportunidade por passar pela mesma experiência que os alunos passam,  aprender com isso e, também, a utilizar esse meio da melhor maneira com eles.

O Prof° Ulisses disse que a conseqüência desse trabalho é a democratização da escola, com isso ocorrendo a diminuição da indisciplina e da violência.
Torna os comportamentos indesejáveis dentro da sala de aula, da escola, em níveis democraticamente aceitáveis.
Porém o objetivo mais importante, e que é alcançado, é a construção de valores por parte das crianças.

Os alunos aprendem a dizer sobre os seus conflitos e a buscar soluções para isso.
O professor é o coordenador dessa assembléia.

Serve para qualquer instituição.
 É preciso acreditar e valorizar esse princípio participativo, acreditar na participação como um valor.

Magnífica experiência que pode ser aplicada, trazendo inúmeros benefícios para todos: cada pessoa envolvida, a escola, as famílias, a comunidade próxima e, principalmente, para a sociedade como um todo.
      
                                         Márcia Maria dos Santos Solha
                                                  dezembro/2010


(2°) Vídeo-aula 20 - Bullying


2°Módulo – Vídeo-aula 20: Bullying

“Quando um professor respeita a dignidade da criança, tenha ela seis ou dezesseis anos, e trata-a com compreensão, delicadeza e ajuda construtiva, está  desenvolvendo nela uma capacidade de procurar dentro de si mesma as respostas para seus problemas, e de tornar-se responsável por si mesma, como um indivíduo independente e na posse de seus direitos.
...A coisa mais importante é o relacionamento existente entre o professor e seus alunos. Suas respostas devem vir ao encontro às reais necessidades do aluno, e não apenas às suas necessidades puramente materiais: ler, escrever, contar, etc...”                                                                                     Virginia Mae Axline

 A Prof° Paula Fernandes trouxe os seguintes dados a respeito de tema:
O bullying é um comportamento agressivo entre estudantes.
São atos de agressão física, verbal ou moral que ocorrem repetidas vezes sem motivação evidente, por vários, contra um. Havendo, assim, uma relação desigual de poder.
Mais comum em meninos e se dá através de intimidações físicas, ameaças e atos violentos.
Já em meninas ocorre através de agressões verbais, atos de exclusão e difamação.

É um fenômeno comum no mundo:
50% de crianças em idade escolar dizem já ter vivido
10% são vítimas regulares de bullying

É composto de uma tríade: agressores, vítimas ou alvos e testemunhas.

1-Quem são os agressores ?
-Famílias desestruturadas, pais opressores, violentos e agressivos.
-Estudantes se sentem superiores e acreditam na impunidade. Geralmente já foram alvo de bullying.
Comorbidades: transtorno de conduta e TDAH

2-As vítimas ou alvos:
Tímidos, quietos, inseguros, com poucas habilidades sociais, fisicamente mais frágeis.
Alunos novos (vindos de outras escolas); religiões diferentes; raças diferentes.
Não buscam ajuda com medo dos agressores e por acreditarem na impunidade dos que agridem.

3-As testemunhas: são alvos indiretos; acabam reforçando o bullying; acreditam na impunidade  dos agressores.

Cyberbullying (Virtual)
É um adicional, ocorre em paralelo ao bullying na escola.

As conseqüências são desastrosas e abrange o social, emocional, acadêmico. Podendo ocorrer transtornos maiores como depressão, pânico e fobia escolar.

O que fazer ?
-Identificar precocemente
-Promover informação/conscientização
-Casos mais graves: fazer encaminhamento dos agressores, alvos e até mesmo testemunhas para médico e/ou psicólogo.
-Desenvolver programas anti-bullying através da orientação a pais, professores e alunos; desenvolver estratégias/medidas para lidar; criar comitês anti-bullying. E principalmente, tornar a escola um espaço seguro, agradável, acolhedor, onde haja respeito, diálogo e responsabilidade compartilhada, onde se descubra e se vivencie o ter direitos e deveres e a ser ético nas ações do cotidiano.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                           dezembro/2010
Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=aIjRTYa7UK0
http://www.youtube.com/watch?v=2MLMpwgrOZc

(2°) Vídeo-aula 19 - Violência nas escolas


2°Módulo – Vídeo-aula 19: Violência nas escolas

Inicio esse trabalho me referindo ao filme : “Escritores da Liberdade” e o indicando para quem não o assistiu ainda.
É um caso verídico, ocorrido nos Estados Unidos, e apresenta o trabalho de uma professora transformando a vida de jovens marcados pela pobreza, violência, discriminação.
Muitos deles chegaram a pertencer a gangues e eram desacreditados até mesmo por outros professores e pela direção da escola.
Esse trabalho da professora resultou num livro: “Diário dos escritores da liberdade”, escrito a partir dos diários que os alunos passaram a escrever como atividade sugerida pela professora.
E em todas as cenas vamos nos dando conta do processo vivido por aquele grupo e o empenho da professora por reverter um destino que todos achavam que já estava traçado:  cadeia, morte, marginalidade.
Dentre muitas cenas as que mais me chamaram a atenção é como ela aborda a intolerância, que ocorria até entre os próprios jovens de etnias diferentes, dentro da sala de aula e/ou no espaço da escola.
E a partir disso, leva os alunos ao Museu da Tolerância.
Depois, dentre os livros que indica, um deles, é o "Diário de Anne Frank". E após a sua leitura os alunos sugerem e se organizam para trazer a senhora que escondeu a Anne até ela ser descoberta e capturada pelos nazistas.
Quando essa senhora chega na escola um dos alunos diz que pela primeira vez  se via diante de uma heroína. E ela diz que não, e que eles sim é que eram heróis, pela trajetória de vida e  superação. E daí ela complementa dizendo que, cada um, onde quer que esteja; em  qualquer atividade profissional que desenvolva; jovem, dona de casa... “pode acender uma luzinha num quarto escuro”.
E é isso...,fazer a diferença !
E foi isso que essa professora fez, e foi isso que os alunos passaram a se dar conta.
Que nós, como educadores, possamos, também, acender luzes !

Na vídeo-aula a Prof° Lilia Freire Rodrigues de Souza Li trouxe as seguintes informações:

-A adolescência é um momento crítico da vida do ser humano no qual ocorre intensas mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, e se decide padrões de comportamento.
-Período de grande vulnerabilidade e risco.
-Possíveis trajetórias estão intimamente relacionadas com as vivências e aprendizados ocorridos na infância.

Os problemas psicológicos e comportamentais na adolescência são classificados em três tipos:
-Abuso de substância
-Problema de internalização: perturbações emocionais e cognitivas como depressão e ansiedade.
-Problema de externalização: problemas comportamentais ou de atuação, sendo o problema mais comum o comportamento delinqüente.

O que são os distúrbios de conduta ?
É um transtorno caracterizado por um padrão de comportamento anti-social repetitivo e persistente em crianças e adolescentes. Às vezes classificado como psico-social, às vezes como psicopatológico.
Inclui desobediência, birras, brigas, destrutibilidade, mentira e roubo.
O distúrbio de conduta é o problema mental mais comum na infância e adolescência: 7% em meninos e 3% em meninas , sendo que pequena parcela reincide, porém, quando reincide, 40 a 60% persistem na marginalidade
Meninos são mais propensos a se envolver com violência e delinqüência. Meninas são propensas a bater em membros da família.
Condutas violentas  podem acabar resultando em condutas criminais e anti-sociais.

Agressão física na infância:
-Problema de saúde pública
-Crianças agressivas correm grande risco de ser adolescente e adultos violentos.
-Agressão física é um precursor de problemas mentais na vítima e também no agressor (abuso de álcool e drogas, acidentes, crimes violentos, tentativa de suicídio, relações abusivas e paternidade negligente e abusiva).

Estatística de violência – infância e adolescência, o aumento em 10 anos (1996 a 2006):
-Nordeste: 591%
-Norte: 523%
-Sul: 313%
-Centro-Oeste: 248%

E os fatores de risco para distúrbios de conduta e delinqüência são:
-Fatores de risco individuais (características biológicas, comportamentais e cognitivas)
-Fatores de risco contextuais (familiares e sociais)
-Vários fatores de risco de forma cumulativa resultam em sofrimento físico e emocional levando à delinqüência juvenil.

Fatores familiares e sociais:
-Disciplina e limites no núcleo familiar
-Famílias disfuncionais
-Doenças mentais dos pais
-Estes fatores são afetados por fatores sociais:
Pobreza; Fracasso escolar; Desemprego; Pobres redes de apoio e de relacionamento; Perdas de pessoas significativas da família por meios violentos e muitas vezes presenciados por eles.

Quais fatores promovem a violência ?
-Causas a longo prazo: práticas parentais inadequadas e exposição repetida à violência.
-Causas a curto prazo: consumo de álcool e drogas e a inserção em gangues.

Fatores de risco para comportamentos delinqüentes:
-Morar em ares pobres e densamente povoada.
-Vida familiar marcada pela pobreza e grande número de descendentes.
-Negligência parental/ Cuidados e supervisão inadequados/ Sinais prematuros de comportamento anti-social na escola e em casa.
-Agressividade/ Temperamento impulsivo/ Baixa inteligência/ Evasão escolar

Fatores associados para a violência na escola:
-Performance escolar ruim; Atitudes anteriores erradas; Sexo masculino; Baixa autoestima; Muitas mudanças de escola; População escolar com alto uso de drogas.
O papel da escola em relação ao que foi exposto é fundamental, tanto em relação aos alunos quanto para fazer parcerias com a comunidade e efetuar trocas enriquecedoras.

Quanto às estastísticas (apresentadas anteriormente) do aumento da violência praticada por crianças e adolescentes é assustador; assim como o número de jovens maiores, e de até 29 anos de idade, presos por dia no Brasil,  é alarmante.

As nossas crianças, adolescentes e jovens de até 29 anos estão sendo afastados da sociedade, sendo punidos por delitos praticados numa fase que deveriam estar estudando..., sonhando e se lançando para seus projetos e buscando fazer diferença no mundo.

A nossa Constituição Federal, o ECA, que colocaram a criança e o adolescente como sujeito de direitos e que devem ser protegidos por seus pais/cuidadores e por toda a sociedade; e a própria Escola, que deve acolher e, juntamente com a família e a sociedade promover a formação dessa pessoa para autonomia e para o exercício da cidadania, não estão fazendo valer `a que vieram, não estão cumprindo a sua razão de ser/missão.

O que dizer de um país, a “nossa Pátria Amada”, que precisa e que de alguma forma, tem preferido/optado por punir, prender, afastar suas crianças, adolescentes e jovens?
E a escola e cada um de nós, educadores, o que dizemos disso ?  E o que podemos e devemos fazer para mudar esse quadro tão dramático e para, de fato, podermos acender luzes ?

                                   Márcia Maria dos Santos Solha
                                           Dezembro/2010