terça-feira, 5 de julho de 2011

(4°) Vídeo-aula 14- A cartografia e a representação dos lugares


4°Módulo – Vídeo-aula 14: A cartografia e a representação dos lugares

“São Paulo não é apenas o resultado do seu local, da sua situação e do seu clima: antes disso tudo, é o produto do trabalho dos homens que, em épocas diferentes, conforme as circunstâncias históricas mutáveis tiraram partido da natureza inerte.”                                            Pierre Monbeig

A Prof°Sonia Castellar usou essa citação acima para abordar o tema dessa vídeo-aula. E falou que o contrário do que muitas vezes pensamos, o mapa é um texto, passa informação e é preciso que façamos a sua leitura da mesma forma que aprendemos a ler criticamente um texto, desvendando-o ideologicamente, percebendo suas intenções e opções teórico-metodológicas, e não simplesmente o copiarmos.
E ela apresentou diferentes tipos de mapas e suas possíveis leituras e interpretações.

E enfatizou: “O mapa reproduz um sistema de valores sociais que são culturais e históricos. Eles são como construções culturais de discursos sobre o território; é possível ler a sociedade pelos seus mapas. Tem elementos de matemática, área e relações espaciais. É possível ler, compreender as sociedades através dos mapas.”

E sugeriu: “ pedir para as crianças fazerem um mapa, por exemplo, construir um mapa que reflita aquela comunidade – não precisa ter escala rígida. Um mapa é qualquer representação gráfica, representação de um lugar, não preciso falar cartograficamente. Já na representação cartográfica o mapa tem escala, tem legenda, tem as convenções cartográficas que são importantes.”
É possível apresentar e analisar com os alunos os mapas e dados das pesquisas do IBGE.
Deve-se criar salas ambientes, laboratórios, biblioteca , enfim lugares onde os alunos levem material de fora para ser analisado.

Educação e a cidade:

Aprender na cidade:
Aprender da cidade: como fonte educativa
Aprender a cidade: como objetivo ou conteúdo

Trouxe o exemplo de uma escola pública em Itapevi.

E finalizou dizendo: “Repensar a escola através de outros parâmetros, outros valores e começar a criar uma outra cultura de respeito ao outro, cidadania, desejo de conversar. E a cartografia pode ajudar nisso.”

                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 13 - Educação geográfica, estudo da cidade e o uso da cartografia


4°Módulo – Vídeo-aula 13: Educação geográfica – estudo da cidade e o uso da cartografia

“Fazer da cidade um objeto de educação geográfica significa superar a superficialidade conceitual e estabelecer uma relação mais eficaz entre o saber formal e o informal”

 A Prof°Sonia Castellar fez essa citação acima e abordou como tema central a cidade como projeto educativo. E disse: “pensar como num currículo integrado na escola, os professores possam participar de uma forma conjunta num estudo centrado na cidade. Pensar a cidade – é o lócus, é o lugar de vivência dos alunos, das pessoas e reconhece-la, identificá-la, compreende-la.”
Ao pensar no bairro (comparar, associar com outras escolas, outros lugares do mundo) – ideia de pertencimento (diversidade cultural, cidadania, pertencimento, raízes, vizinhança) – que comunidade é essa ? (entorno da escola; organização do território). O bairro nos ajuda a entender a dimensão social, econômica e cultural daquele grupo que pertence aquela escola e aquele lugar. Imagens que vão simbolizando, caracterizando aquele lugar, aquela região e vão se tornando referenciais de valores das crianças.

Não dá para ser uma aula dentro da escola é preciso superar os muros da escola e encontrar outros espaços de organização das aulas: o entorno, museu, parque, casa de cultura, trabalho de campo, ida a uma festa. Isso começa a criar um capital cultural e pode diminuir o conflito via a ideia de cidade educadora: é objeto de educação e é educadora porque tem uma forma de entender, tem conceitos como aquele espaço foi produzido (tramas dessas redes produtivas e sociais).
Aquilo que ele está aprendendo na escola faz sentido quando ele vai para a rua. Cada professor vai dar sua disciplina, mas tem objetos de estudo que podem fazer essa articulação. Característica mais interdisciplinar do currículo.
Com um bom roteiro, um bom olhar : museu do futebol; metrô; trem etc...
Os alunos descobrem que a cidade é mais do que uma decodificação das informações que ela revela na sua  aparência, mas pode-se descobrir a sua estrutura, sua gênese e função e está estruturada a partir de uma lógica. Daí é preciso decodificar e associar essas informações.
Estudar o lugar, estudar a cidade – isso tem que ser feito a partir de um projeto educativo, e é esse o desafio e você vai construir valores não só culturais,mas do ponto de vista da relação com o outro.

A temática urbana:
-Enfoque morfológico: Se no estudo a ênfase for descrição das formas construtivas e visíveis, por exemplo: classificação dos bairros; tipo de edificação; rede de circulação; tipo de estabelecimentos; rede social (escola, hospitais, postos de saúde). Vai mapeando, discutindo a desigualdade social, comparando com outros lugares.
-Enfoque histórico: O ensino se organiza a partir dos relatos da biografia da cidade e da vida de seus habitantes, por exemplo: história de vida; mudanças e permanências; tempo.
-Enfoque ambiental: Quando a problemática for o meio ambiente: análise do meio físico e os impactos das construções; o cidadão como protagonista – será o ensino centrado no conhecimento e exercício dos direitos do cidadão.

E terminou enfatizando a finalidade do estudo da cidade: “Como vivem as pessoas; como funcionam as cidades; as redes de circulação; qualidade de vida; elaboração do plano diretor; análise ambiental, etc...”

                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011


(4°) Vídeo-aula 12 - Epilepsia na escola


4°Módulo – Vídeo-aula 12: Epilepsia na escola

A Prof°Paula Fernandes indagou como as crianças percebem a epilepsia, o que elas sabem a respeito. E depois fez também esse questionamento em relação aos professores. Em seguida apresentou um levantamento feito com ambos a esse respeito, que evidenciou a falta de informação ou informações equivocadas e a presença de crenças que  dão ao quadro uma conotação negativa.

E se um aluno com epilepsia entra na escola, você foi informado, e na primeira semana de aula ele tem uma crise, como proceder ?
O que fazer ?

Para acolher o aluno e ajuda-lo a se inserir:
-Conversar com os pais buscando informações e formas de condutas.
-Conversar com a classe sobre assuntos de saúde, inclusive epilepsia (temas transversais).
-Colocar sempre conceitos de cidadania e solidariedade.

Na hora da crise:
-Manter a calma.
-Afastar objetos que oferecem risco.
-Virar a cabeça de lado (para que a saliva não se acumule e não haja risco de se engasgar, se asfixiar) e colocar a mão ou alguma peça de roupa para amortecer a batida.
-Acalmar os outros alunos.
-Esperar a crise passar (dura, mais ou menos, 1 minuto e meio)
-Só há necessidade de chamar o socorro, ambulância ou levar ao pronto socorro se a crise durar por mais de 5 minutos seguidos.

Depois da crise:
-Falar que o aluno teve uma convulsão.
-Levá-lo para um lugar mais calmo.
-Conversar com a classe: percepção, atitudes adequadas perante ele. Tratamento normal quando ele voltar para a sala.

Na hora da educação física:
Saber dos pais se o aluno pode fazer e se ele tem alguma outra limitação.
Na maioria dos casos o aluno pode participar de atividades coletivas, pode jogar bola.
Não tratá-lo como “café com leite”, é fundamental que ele se sinta inserido.

Na hora da lição:
-Lembrar que o aluno tem, geralmente, condições semelhantes aos outros da classe.
Às vezes: explicação individual
Importante saber se a medicação tem algum efeito colateral ou se o aluno tem outras comorbidades.

Considerações importantes:
-Horário das medicações.
-Presença de comorbidades (o que ele tem além da epilepsia e o que isso pode atrapalhar).
-Contato em caso de urgência (números de telefone).
-Colegas de classe: ótimos companheiros e aliados (colocá-lo próximo à alunos solícitos).
-Todos que trabalham na escola devem estar cientes e saber lidar com a situação.

E a Prof°Paula deu ênfase à inserção social e comentou que para isso é importante que esse aluno participe ativamente da escola. Quanto mais aceito, melhores chances de desenvolvimento pleno e isso melhora, também, a aprendizagem dos outros alunos sobre as diferenças, em ser tolerante com as diferenças.

E finalizou ressaltando:
-Saber sobre a epilepsia e as maneiras adequadas de como proceder.
-Formação ética: desmistificar as crenças, reduzir o estigma  e o preconceito.
-Professor capacitado: amplia a rede de informação sobre epilepsia e os valores éticos para seus alunos, famílias, comunidade e sociedade.

                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 11 - Transtornos cognitivos e Epilepsia

4°Módulo – Vídeo-aula 11: Transtornos cognitivos e Epilepsia
 
O Prof°Li li Min fez a seguinte indagação: “como a epilepsia pode ter impacto nessas diferentes esferas da cognição ?” Como é multifatorial, há várias possibilidades para explicar esse fenômeno:

-Lesão estrutural
-Funcional: disfunção do tecido cerebral por crises.
-Efeito tóxico-medicamentoso (especialmente nas epilepsias de difícil controle e politerapia).
-fatores psicossociais (em que ambiente a pessoa está inserida: bastante favorável, que estimule ?; muito protetor ? ou desestimulante ? 

Transtornos cognitivos – o que pode ser influenciado:
-Atenção, como dificuldades para focalizar ou manter por tempo prolongado.
-Memória.
-Aprendizagem.
-Linguagem.
-Funções executivas, com alterações de raciocínio lógico, planejamento, flexibilidade.

Para haver aprendizagem é preciso ter uma boa memória. O processo ocorre da seguinte forma: é necessário estar atenta para absorver o conhecimento que, após isso, fica retido na memória. Para maior agilidade, facilidade de retomar essa informação, é preciso exercitar, fazer exercícios. E, finalmente, para ficar sedimentado no cérebro, requer que a pessoa tenha uma boa noite de sono.
Portanto é importante checar:

1-O aluno está atento, a dinâmica da aula lhe chama atenção ?
2-O conteúdo está sendo cobrado através de exercícios ?
3-Tem tido bom sono ? Os medicamentos estão interferindo durante a aula ? (verificar com a família se o aluno está tendo um bom ciclo de sono-vigília).
Esses aspectos são fundamentais para se traçar alguns planos, algumas estratégias de intervenção buscando com isso estimular mais esse aluno.

Outros aspectos também – Fatores desencadeantes ou de agravo para esses transtornos cognitivos:
-Tipo de epilepsia: com lesão/dano cerebral – vai causar alguma dificuldade na esfera cognitiva.
-Freqüência das crises: crises freqüentes e durante a aula, ausência.
-Idade de início.
-Duração da epilepsia.
-Ação das DAEs (drogas anticonvulsionantes): lentidão psicomotora, memória, concentração e raciocínio podendo deixar a pessoa mais sonolenta ou agitada.
-Epilepsia generalizada, início precoce, alta freqüência de crises: maiores déficits.

E o Prof°Li li Min terminou dizendo: “o professor não pode desistir dos alunos com epilepsia”.

E deixou a seguinte pergunta: “a epilepsia pode levar a um retardo mental ?”

                            Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 10 - Democracia e Educação em Direitos Humanos


4°Módulo – Vídeo-aula 10: Democracia e Educação em Direitos Humanos

“Temos de ver que a democracia significa a crença de que deve prevalecer a cultura humanística; devemos ser francos e claros em nosso reconhecimento de que a proposição é uma proposição moral , como qualquer idéia referente a dever ser. A democracia se expressa nas atividades dos seres humanos e se mede pelas conseqüências produzidas em suas vidas”           John Dewey

A Prof°Ana Maria Klein inicia a vídeo-aula falando que Dewey associa a democracia a um modo de vida e dentro da escola é um modo de vida que deve reger toda a organização e as relações escolares. E em seguida trouxe a citação que coloquei acima.
Portanto, na compreensão de Dewey, democracia extrapola a escolha de alguém por meio do voto. É um modo de conduzir nossa vida. Quando a gente é educado dentro de um ambiente democrático, a forma de nos relacionarmos com os outros e com a sociedade se aproximam de relações democráticas. E é isso que se espera, que com uma educação democrática você crie disposições internas para que as pessoas ajam democraticamente.
Por ser um modo de vida, ela é também uma proposição ética, moral, ela está na base de como as relações devem ser regidas, estou no âmbito do dever ser: alunos-alunos; alunos-professores; pais-alunos; pais-professores; e  a relação também com o conhecimento.

Modo de vida
-Por ser um modo de vida, a democracia é uma expressão ética, exigindo uma formação que enfatize a personalidade (individualidade) e a cooperação (responsabilidade pelo bem social).
-Para atender a esta necessidade formativa a escola deve preparar o indivíduo para que ele pense e dirija-se por si, com responsabilidade e compromisso, num ambiente promotor dos DH. Favorecer que esse ambiente concretize os princípios democráticos e os DH.

Uma formação humana que se destina à ordem democrática e à construção de uma sociedade promotora dos Direitos Humanos se realiza em duas vias -  para e pela:

Educar para a democracia e para os Direitos Humanos (âmbito/conteúdo): Ensino, aprendizagem de conteúdos específicos. Conhecimentos sobre princípios, valores e direitos.

Educar pela democracia e pelos Direitos Humanos (favorecer um ambiente onde esses direitos sejam de fato vivenciados): A convivência em um ambiente democrático e promotor dos DH favorece disposições internas para que as ações cotidianas sejam pautadas por princípios democráticos, que adotem os direitos humanos como modo de conduzir a vida pessoal, escolar e social.

No Brasil a EDH é um compromisso assumido pelo país internacionalmente. Quando o Brasil se torna signatário da DUDH, compromete-se com uma educação em direitos humanos.
Por que Educação e Direitos Humanos não se descolam ? Porque eu só consigo ter acesso e conhecer meus direitos pela via da Educação. A Educação é um direito fundamental pelo gozo de todos os outros direitos. Sem educação os outros direitos não se realizam.

Apesar da Educação em DH estar na DUDH desde 1948, as medidas para a sua efetivação são relativamente recentes.
Prática efetiva da EDH:
-ONU,1995 – Declarou a década das Nações Unidas para a Educação em matéria de DH.
-ONU, 2004 – Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou o Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos PMEDH – fase 1 (2005 a 2009).
-Brasil, 2003 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNDH) elaborado em 2003 e revisto em 2006, afirma o compromisso nacional sob a forma de políticas públicas com a EDH para a educação básica e para o ensino superior.
Na Constituição é possível reconhecer os fundamentos da Educação em Direitos Humanos.

Como é que podemos levar isso para dentro da escola ?
EDH na escola:
“A EDH visa a formação de sujeitos de direitos por meio do conhecimento e do respeito aos seus direitos, mais do que isso pretende que essa formação traduza-se em ações, em um modo de conduzir a vida pessoal e social. Nesse sentido, a EDH é, antes de tudo, um modo de vida que deve orientar a convivência social e escolar. Por caracterizar-se como um processo sistemático e multidimensional seu desenvolvimento se dá mediante a articulação de cinco dimensões.” (Brasil –PNDH 2009)
A Educação é a via única para lutar pela reparação de direitos humanos. É o caminho para prevenir que os direitos humanos não sejam violados. A EDH orienta a escola, mas tem que orientar a vida em sociedade. Para a gente conseguir superar a diferença entre Brasil legal e Brasil real. Temos uma legislação que não vemos acontecendo na prática, é preciso lutar para que esse Brasil legal se efetive na prática.
É através de uma educação em DH, da consciência de direitos que se vai tentar construir uma cultura da paz, uma cultura que respeite e promova os direitos humanos, para não termos que correr atrás de reparar quando esses direitos são violados.

Cinco dimensões da EDH:
Apreensão de conhecimentos sobre DH e a sua relação com os contextos internacionais, nacionais e local.
Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos DH.
Formação de uma consciência cidadã.
Desenvolvimento de processos metodológicos, participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados.
Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos DH, bem como da reparação das violações.

A EDH é promovida através de três campos:
-Epistemológico: diz respeito ao conhecimento e habilidades relacionados aos DH – conhecer os DH e os mecanismos existentes para a sua proteção, assim como desenvolver habilidades para aplicá-los no dia-a-dia.
-Axiológico: diz respeito aos valores (que são consoantes com a democracia e com os DH), atitudes e comportamentos que sustentem os DH.
-Práxis: (que é ação)- desencadear ações para a defesa e promoção dos DH.
Toda ação educativa voltada para a EDH tem sempre esses três campos, eles estão sempre juntos: Conhecimento, Valores e Ação. Sem isso a EDH não se realiza. Pois o que se quer é uma cultura de DH, que os DH e democracia sejam um modo de conduzir a vida.

O Instituto interamericano de DH estabeleceu três diferentes níveis de conteúdos:
-maxiconteúdos: epistemológico, axiológico e práxis.
-intermediários: conhecimentos específicos – articular com as disciplinas curriculares.
-miniconteúdos: à realidade daquela comunidade, daquela escola no limite daquele aluno.

Inserção curricular – formas de inserir a EDH dentro do currículo: Dimensão didático-pedagógico:  DH é Pluri/Trans e Interdisciplinar.
-Pluridisciplinaridade: Estuda um objeto de uma disciplina pelo ângulo de várias outras ao mesmo tempo.
-Transdisciplinaridade: Refere-se ao conhecimento próprio da disciplina, mas está para além dela, tanto no espaço quanto no tempo. Unidade do conhecimento – parte e o todo.
-Interdisciplinaridade: Integração das diferentes áreas do conhecimento, trabalho de cooperação e troca, aberto ao diálogo e ao planejamento.

Dimensão epistemológica do conhecimento:
-Transversalidade: “Forma de organizar o trabalho escolar no qual temas ou eixos temáticos são integrados  às disciplinas de forma a estarem presentes em todas elas. Uma característica central da transversalidade é a relação que se estabelece entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade).”
 CNE/CEB n°7/2010

E a Prof°Ana Maria finaliza dizendo que não há necessidade de se criar uma nova disciplina.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 9 - Educação Comunitária e Direitos Humanos



4°Módulo – Vídeo-aula 9: Educação Comunitária e Direitos Humanos

“Aprender na comunidade, com ela e para ela, significa usar a história de sua própria região, exteriorizando a cultura do silêncio. Significa aprender a engajar-se na sua própria região, tornando –se consciente da situação sócio-política e lutando para que as sociedades fechadas sejam transformadas em sociedades abertas...é uma questão de urgência que as escolas se tornem menos fechadas, menos elitistas, menos autoritárias, menos distanciadas da população em geral. Isso é para a educação comunitária uma questão de fundamental importância”.
                                                                                                  Paulo Freire
A Prof°Ana Maria Klein utilizou essa citação de Paulo Freire para apresentar como ele se referia à Educação Comunitária e comentou que ele é um dos autores que trata da questão da relação entre escola e comunidade.
Seu histórico:
A Educação Comunitária surge não dentro de um contexto escolar. Inicialmente associada à educação não formal e caracterizada por processos educativos coletivos.
A partir dos anos 1980, intensificando-se na década de 1990. Caracterizada pela democratização do espaço e das relações da participação de todos os envolvidos, da melhoria da qualidade da educação.
Objetivo da Educação Comunitária:
Formar, desenvolver um “sujeito coletivo”, isto é, sujeitos que se compreendam em meio à coletividade, que se tornem co-responsáveis pelas ações, relações, conflitos e decisões que ocorrem na comunidade.
Que os alunos se comprometam com a coletividade, com o lugar onde eles moram, e com os processos democráticos, ou seja, que eles olhem para o contexto onde se inserem numa perspectiva crítica e com uma perspectiva, também, de mudança e transformação.
Os conteúdos tem que ter relação com aquilo que os estudantes vivenciam e também com o lugar onde eles se inserem. Essa comunidade se torna objetivo da aprendizagem, e é conteúdo também. Eu aprendo para ser sujeito coletivo que vou interagir dentro dessa comunidade e, também, aprendo com os temas que emergem dessa comunidade.
E a perspectiva é da cidadania: eu aprendo a ser cidadão – problemas de uma determinada comunidade passam a ser discutidos e a ser objetos de reflexão dentro da escola. Para isso é preciso uma articulação entre os temas do entorno e os conteúdos disciplinares.
É uma nova perspectiva de educação onde aquilo que se aprende na escola se articula com a vida cotidiana dos estudantes numa perspectiva de formação para a cidadania, ou seja, de atuar ativamente nessa comunidade a qual eu pertenço.
A Educação Comunitária abriga dentro de si diferentes contextos educativos: família, cidade, sociedade, a escola, portanto considera e privilegia outros espaços de relação onde os estudantes também aprendem.
Educação Comunitária e contextos educativos:
-Currículo: traz as demandas e os interesses da comunidade que passam a fazer parte da escola e do trabalho pedagógico. Os temas vivenciados passam a ser discutidos,  a ser problematizados à luz dos conhecimentos das disciplinas, através de um tema, de um projeto, e o aluno passa a ter uma posição crítica frente aquilo que acontece no lugar onde ele mora.
-Cidades Educadoras: conceito que surgiu no início da década de 90, na Espanha. Sua ideia central é que a escola sozinha não tem condições de construir todos os conhecimentos e informações necessários ao mundo contemporâneo, com isso a educação também deve ser competência da cidade. A partir disso foi feita uma carta das cidades educadoras onde se reconhece que a educação não é uma função restrita à escola, todos da sociedade educam as pessoas que vivem nessa sociedade, portanto a cidade é um contexto educativo. Para além dos muros da escola há outros espaços educativos que são de responsabilidade de todos e que também devem fazer parte dessa rede, desse contexto educativo no qual os alunos se inserem. Portanto a gente abre as portas da escola para espaços que estão fora dos muros escolares e para espaços que muitas vezes estão ali presentes e não percebemos seu potencial.
E como podemos levar tudo isso para dentro da escola ?
Educação Comunitária e as relações entre aprendizagem e cidade
Trilla (1993) autor espanhol destaca três dimensões possíveis para a relação educação-cidade:
Aprender na cidade: lócus de educação, composto por instituições especificamente educativas (museus), instituições cidadãs não especificamente educativas (ONGs), espaços onde se podem realizar encontros e vivências (parques, praças).
Aprender da cidade: agente informal de educação de caráter ambivalente e não seletivo. O curriculum da cidade é contraditório em seus modelos de relações sociais.
Aprender a cidade: a cidade é tomada como conhecimento em si, trata-se de aprender a utilizar a cidade e a participar de sua construção. Conhecer, saber dos seus potenciais e saber também que cada indivíduo é um cidadão com papel ativo que pode transformar aquela realidade. É uma relação de troca, não é só esperar o que a cidade pode me dar, mas o que eu faço também para mudar essa cidade. Estamos falando de uma perspectiva de educação para a cidadania ativa.
Como eu posso trabalhar essa questão da cidade dentro da escola?
1-Uma das possibilidades é o mapeamento: mapear o entorno é uma ação ampla que visa olhar para as potencialidades da comunidade na qual a escola se insere. O objetivo do mapeamento é levantar onde/ o quê/ quem/ por quê, identificando parceiros na tarefa educativa.
2-Um caminho complementar que visa a articulação entre os conteúdos disciplinares e os temas presentes na comunidade são as trilhas, que nascem de um contexto pedagógico, e é um olhar orientado por um tema específico onde tem um duplo caráter:
1°Caráter: intencionalidade e objetividade – meu olhar está orientado para aquele determinado tema que escolhi.
2°Caráter: “caleidoscópio” – percepção das pessoas acerca da comunidade: desafios, potenciais (humanos, equipamentos, locais) e como elas se implicam. É o olhar de diferentes pessoas sobre o mesmo tema.
E onde é que entram os Direitos Humanos?
Direitos Humanos (DH) são comuns a todo(a)s sem distinção de etnia, nacionalidade, sexo, classe social, nível de instrução, religião, opinião política, orientação sexual, ou de qualquer tipo de julgamento moral. Decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca de todo ser humano.
Ou seja, somos humanos, logo temos direitos. Nenhuma diferença pode fazer com que esses direitos não sejam cumpridos.
DH e democracia – liberdade, igualdade e solidariedade: uma democracia só existe se você tiver uma base que também é a base do DH. Logo uma democracia só existe se os DH forem respeitados, se todos tiverem seus direitos respeitados; e DH só são possíveis num país democrático. Portanto democracia e DH é indissociável, uma só existe junto com o outro. Por isso quando se pensa em formação para a cidadania, que é uma das funções da escola, DH tem que estar presente.
Na escola DH se traduzem em conhecimentos, valores e ações que são necessárias à formação dos cidadãos em sociedades democráticas e ao desenvolvimento integral do ser humano.
Aonde é que isso se articula com a Educação Comunitária ?  Os temas que compõe a trilha, por exemplo, que vai dar origem aos Projetos transversais, eles nascem dos Direitos Humanos. Exemplos de alguns temas:
Temas dos projetos derivam da discussão sobre DH
-Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH (ONU -1948)
-Direitos sociais, econômicos e culturais
-Direitos de crianças e adolescentes
-Discriminação racial
-Discriminação contra a mulher
-Direitos relacionados à Educação
-Gênero e orientação sexual na educação
E a Prof° Ana Maria finaliza dizendo: “esses são só alguns exemplos e aqui eu destaco o ECA, ele tem que estar na escola, as crianças e adolescentes tem que conhecer os seus direitos, e fazer com que esses direitos sejam respeitados é a etapa seguinte.
A Educação Comunitária pode fazer valer os DH através de temáticas que vão abordar esses direitos à luz das disciplinas curriculares”.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011

(4°) Vídeo-aula 8 - Transtornos comportamentais e Epilepsia


4°Módulo – Vídeo-aula 8: Transtornos comportamentais e Epilepsia

A Prof° Paula Fernandes trouxe para iniciar essa questão: “Quais dificuldades de comportamento você acha que uma pessoa com epilepsia apresenta ?”

Comportamento e epilepsia: birra; irritação; explosividade; agressividade; instabilidade de humor; dificuldade de relacionamento; hiperemotividade; dependência afetiva; depressão; psicoses; agitação; falta de atenção; hiperatividade infantil; baixa ou alta da libido; viscosidade (ser prolixo, repetitivo, discurso mais pegajoso); medo.

Comportamentos inadequados:  quando não quer participar de atividades, a criança esperneia e faz birra, chora, dá chutes, grita, se atira no chão, é agressiva com os colegas ou com o professor. Isso acontece somente pela epilepsia ? Como proceder ?

Comportamento e Epilepsia:
-É preciso identificar o sofrimento do aluno.
-Conversar com a família: dados importantes (está acontecendo em casa ?/ como os pais lidam ?).
-Abrir roda de discussões sobre temas relacionados.
-Paciência e calma são fundamentais.
-Intervir, expondo limites.
-Não se deixe contaminar pelo comportamento inadequado: ofereça modelos corretos.

Depressão e Epilepsia:
-Mais comum transtorno comportamental/psiquiátrico nas epilepsias.
-Prevalência: 20 a 55% dos pacientes com crises recorrentes tem alguma forma de depressão.
-Nas clínicas especializadas de epilepsia: chega a 72% o número de pacientes com alguma depressão.
-ELT (lobo temporal que envolve o sistema límbico – é o nosso cérebro emocional, onde ocorre o processamento das emoções): de 19 até 65% de chance de desenvolver a depressão.

Depressão na epilepsia -  tipos mais comuns:
-Depressão crônica leve (que pode ser tratada sem medicação) com sintomas intermitentes e variáveis como : ansiedade, irritabilidade, hostilidade, sintomas melancólicos.
-CPC: transtorno depressivo maior (tratada com medicação).
Principais fatores de uma depressão na epilepsia:
-A própria epilepsia, principalmente se for a tipo lobo temporal.
-Discriminação e estigma.
-Desemprego e dificuldades escolares.
-Exclusão social.
-Poucas relações afetivas.
Quanto mais severa as crises e menos controle, maior probabilidade da depressão.

Como identificar e lidar com isso ? O diagnóstico especializado somente o especialista deve fazer.
Comportamentos comuns: tristeza; irritabilidade; isolamento; falta de atenção; não participação nas atividades propostas; baixa tolerância à frustração; baixo rendimento escolar.
-Minimizar os sintomas depressivos: processo natural de adaptação à epilepsia.
-Conversar com a família, tratamento adequado, inserção social do aluno.

E a Prof°Paula ressaltou: “mais do que tratar a depressão e a epilepsia, se quer inserir essa pessoa socialmente.”
E fez um apelo: “nós queremos que você ajude a mudar a perspectiva da epilepsia na nossa sociedade, ajude a tirar a epilepsia das sombras, incentivando atitudes positivas.”

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                            Julho/2011