quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

(2°) Vídeo-aula 21 - Assembléias escolares e democracia



2°Módulo – Vídeo-aula 21: Assembléias escolares e democracia

Nessa vídeo-aula tivemos oportunidade de conhecer a Escola Comunitária de Campinas que foi criada em novembro de 1977.
Nela ocorre a participação do aluno no seu processo de desenvolvimento moral.
Visa a formação ético-moral e a busca da autonomia dos alunos.
É um espaço democrático, que tem como objetivo trabalhar a construção de valores, a resolução de conflitos do cotidiano, através do diálogo.

A assembléia escolar ocorre nessa Escola há 6 anos e é o que torna a escola democrática e participativa.

O Prof°Ulisses Araujo falou que há três tipos básicos de assembléia que se vem trabalhando nas escolas:
1° Assembléia de classe: em cada sala há duas cartolinas onde os alunos escrevem as críticas (criticam fatos e não pessoas; é uma tentativa de resolver os problemas, se rever o que não está bom), as felicitações (se apoiar naquilo que está bom, que está dando certo) e em reunião discutem as sugestões.

2° Assembléia de escola ou de curso: há representantes de todas as turmas, dos professores e dos funcionários.

3° Assembléia docente: uma vez por mês junto com a direção da escola.
A pauta é o convívio, as relações interpessoais e uma discussão acadêmica/pedagógica que eles queiram trazer.
É um momento de dizer o que sente, o que pensa. E uma oportunidade por passar pela mesma experiência que os alunos passam,  aprender com isso e, também, a utilizar esse meio da melhor maneira com eles.

O Prof° Ulisses disse que a conseqüência desse trabalho é a democratização da escola, com isso ocorrendo a diminuição da indisciplina e da violência.
Torna os comportamentos indesejáveis dentro da sala de aula, da escola, em níveis democraticamente aceitáveis.
Porém o objetivo mais importante, e que é alcançado, é a construção de valores por parte das crianças.

Os alunos aprendem a dizer sobre os seus conflitos e a buscar soluções para isso.
O professor é o coordenador dessa assembléia.

Serve para qualquer instituição.
 É preciso acreditar e valorizar esse princípio participativo, acreditar na participação como um valor.

Magnífica experiência que pode ser aplicada, trazendo inúmeros benefícios para todos: cada pessoa envolvida, a escola, as famílias, a comunidade próxima e, principalmente, para a sociedade como um todo.
      
                                         Márcia Maria dos Santos Solha
                                                  dezembro/2010


(2°) Vídeo-aula 20 - Bullying


2°Módulo – Vídeo-aula 20: Bullying

“Quando um professor respeita a dignidade da criança, tenha ela seis ou dezesseis anos, e trata-a com compreensão, delicadeza e ajuda construtiva, está  desenvolvendo nela uma capacidade de procurar dentro de si mesma as respostas para seus problemas, e de tornar-se responsável por si mesma, como um indivíduo independente e na posse de seus direitos.
...A coisa mais importante é o relacionamento existente entre o professor e seus alunos. Suas respostas devem vir ao encontro às reais necessidades do aluno, e não apenas às suas necessidades puramente materiais: ler, escrever, contar, etc...”                                                                                     Virginia Mae Axline

 A Prof° Paula Fernandes trouxe os seguintes dados a respeito de tema:
O bullying é um comportamento agressivo entre estudantes.
São atos de agressão física, verbal ou moral que ocorrem repetidas vezes sem motivação evidente, por vários, contra um. Havendo, assim, uma relação desigual de poder.
Mais comum em meninos e se dá através de intimidações físicas, ameaças e atos violentos.
Já em meninas ocorre através de agressões verbais, atos de exclusão e difamação.

É um fenômeno comum no mundo:
50% de crianças em idade escolar dizem já ter vivido
10% são vítimas regulares de bullying

É composto de uma tríade: agressores, vítimas ou alvos e testemunhas.

1-Quem são os agressores ?
-Famílias desestruturadas, pais opressores, violentos e agressivos.
-Estudantes se sentem superiores e acreditam na impunidade. Geralmente já foram alvo de bullying.
Comorbidades: transtorno de conduta e TDAH

2-As vítimas ou alvos:
Tímidos, quietos, inseguros, com poucas habilidades sociais, fisicamente mais frágeis.
Alunos novos (vindos de outras escolas); religiões diferentes; raças diferentes.
Não buscam ajuda com medo dos agressores e por acreditarem na impunidade dos que agridem.

3-As testemunhas: são alvos indiretos; acabam reforçando o bullying; acreditam na impunidade  dos agressores.

Cyberbullying (Virtual)
É um adicional, ocorre em paralelo ao bullying na escola.

As conseqüências são desastrosas e abrange o social, emocional, acadêmico. Podendo ocorrer transtornos maiores como depressão, pânico e fobia escolar.

O que fazer ?
-Identificar precocemente
-Promover informação/conscientização
-Casos mais graves: fazer encaminhamento dos agressores, alvos e até mesmo testemunhas para médico e/ou psicólogo.
-Desenvolver programas anti-bullying através da orientação a pais, professores e alunos; desenvolver estratégias/medidas para lidar; criar comitês anti-bullying. E principalmente, tornar a escola um espaço seguro, agradável, acolhedor, onde haja respeito, diálogo e responsabilidade compartilhada, onde se descubra e se vivencie o ter direitos e deveres e a ser ético nas ações do cotidiano.

                                Márcia Maria dos Santos Solha
                                           dezembro/2010
Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=aIjRTYa7UK0
http://www.youtube.com/watch?v=2MLMpwgrOZc

(2°) Vídeo-aula 19 - Violência nas escolas


2°Módulo – Vídeo-aula 19: Violência nas escolas

Inicio esse trabalho me referindo ao filme : “Escritores da Liberdade” e o indicando para quem não o assistiu ainda.
É um caso verídico, ocorrido nos Estados Unidos, e apresenta o trabalho de uma professora transformando a vida de jovens marcados pela pobreza, violência, discriminação.
Muitos deles chegaram a pertencer a gangues e eram desacreditados até mesmo por outros professores e pela direção da escola.
Esse trabalho da professora resultou num livro: “Diário dos escritores da liberdade”, escrito a partir dos diários que os alunos passaram a escrever como atividade sugerida pela professora.
E em todas as cenas vamos nos dando conta do processo vivido por aquele grupo e o empenho da professora por reverter um destino que todos achavam que já estava traçado:  cadeia, morte, marginalidade.
Dentre muitas cenas as que mais me chamaram a atenção é como ela aborda a intolerância, que ocorria até entre os próprios jovens de etnias diferentes, dentro da sala de aula e/ou no espaço da escola.
E a partir disso, leva os alunos ao Museu da Tolerância.
Depois, dentre os livros que indica, um deles, é o "Diário de Anne Frank". E após a sua leitura os alunos sugerem e se organizam para trazer a senhora que escondeu a Anne até ela ser descoberta e capturada pelos nazistas.
Quando essa senhora chega na escola um dos alunos diz que pela primeira vez  se via diante de uma heroína. E ela diz que não, e que eles sim é que eram heróis, pela trajetória de vida e  superação. E daí ela complementa dizendo que, cada um, onde quer que esteja; em  qualquer atividade profissional que desenvolva; jovem, dona de casa... “pode acender uma luzinha num quarto escuro”.
E é isso...,fazer a diferença !
E foi isso que essa professora fez, e foi isso que os alunos passaram a se dar conta.
Que nós, como educadores, possamos, também, acender luzes !

Na vídeo-aula a Prof° Lilia Freire Rodrigues de Souza Li trouxe as seguintes informações:

-A adolescência é um momento crítico da vida do ser humano no qual ocorre intensas mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, e se decide padrões de comportamento.
-Período de grande vulnerabilidade e risco.
-Possíveis trajetórias estão intimamente relacionadas com as vivências e aprendizados ocorridos na infância.

Os problemas psicológicos e comportamentais na adolescência são classificados em três tipos:
-Abuso de substância
-Problema de internalização: perturbações emocionais e cognitivas como depressão e ansiedade.
-Problema de externalização: problemas comportamentais ou de atuação, sendo o problema mais comum o comportamento delinqüente.

O que são os distúrbios de conduta ?
É um transtorno caracterizado por um padrão de comportamento anti-social repetitivo e persistente em crianças e adolescentes. Às vezes classificado como psico-social, às vezes como psicopatológico.
Inclui desobediência, birras, brigas, destrutibilidade, mentira e roubo.
O distúrbio de conduta é o problema mental mais comum na infância e adolescência: 7% em meninos e 3% em meninas , sendo que pequena parcela reincide, porém, quando reincide, 40 a 60% persistem na marginalidade
Meninos são mais propensos a se envolver com violência e delinqüência. Meninas são propensas a bater em membros da família.
Condutas violentas  podem acabar resultando em condutas criminais e anti-sociais.

Agressão física na infância:
-Problema de saúde pública
-Crianças agressivas correm grande risco de ser adolescente e adultos violentos.
-Agressão física é um precursor de problemas mentais na vítima e também no agressor (abuso de álcool e drogas, acidentes, crimes violentos, tentativa de suicídio, relações abusivas e paternidade negligente e abusiva).

Estatística de violência – infância e adolescência, o aumento em 10 anos (1996 a 2006):
-Nordeste: 591%
-Norte: 523%
-Sul: 313%
-Centro-Oeste: 248%

E os fatores de risco para distúrbios de conduta e delinqüência são:
-Fatores de risco individuais (características biológicas, comportamentais e cognitivas)
-Fatores de risco contextuais (familiares e sociais)
-Vários fatores de risco de forma cumulativa resultam em sofrimento físico e emocional levando à delinqüência juvenil.

Fatores familiares e sociais:
-Disciplina e limites no núcleo familiar
-Famílias disfuncionais
-Doenças mentais dos pais
-Estes fatores são afetados por fatores sociais:
Pobreza; Fracasso escolar; Desemprego; Pobres redes de apoio e de relacionamento; Perdas de pessoas significativas da família por meios violentos e muitas vezes presenciados por eles.

Quais fatores promovem a violência ?
-Causas a longo prazo: práticas parentais inadequadas e exposição repetida à violência.
-Causas a curto prazo: consumo de álcool e drogas e a inserção em gangues.

Fatores de risco para comportamentos delinqüentes:
-Morar em ares pobres e densamente povoada.
-Vida familiar marcada pela pobreza e grande número de descendentes.
-Negligência parental/ Cuidados e supervisão inadequados/ Sinais prematuros de comportamento anti-social na escola e em casa.
-Agressividade/ Temperamento impulsivo/ Baixa inteligência/ Evasão escolar

Fatores associados para a violência na escola:
-Performance escolar ruim; Atitudes anteriores erradas; Sexo masculino; Baixa autoestima; Muitas mudanças de escola; População escolar com alto uso de drogas.
O papel da escola em relação ao que foi exposto é fundamental, tanto em relação aos alunos quanto para fazer parcerias com a comunidade e efetuar trocas enriquecedoras.

Quanto às estastísticas (apresentadas anteriormente) do aumento da violência praticada por crianças e adolescentes é assustador; assim como o número de jovens maiores, e de até 29 anos de idade, presos por dia no Brasil,  é alarmante.

As nossas crianças, adolescentes e jovens de até 29 anos estão sendo afastados da sociedade, sendo punidos por delitos praticados numa fase que deveriam estar estudando..., sonhando e se lançando para seus projetos e buscando fazer diferença no mundo.

A nossa Constituição Federal, o ECA, que colocaram a criança e o adolescente como sujeito de direitos e que devem ser protegidos por seus pais/cuidadores e por toda a sociedade; e a própria Escola, que deve acolher e, juntamente com a família e a sociedade promover a formação dessa pessoa para autonomia e para o exercício da cidadania, não estão fazendo valer `a que vieram, não estão cumprindo a sua razão de ser/missão.

O que dizer de um país, a “nossa Pátria Amada”, que precisa e que de alguma forma, tem preferido/optado por punir, prender, afastar suas crianças, adolescentes e jovens?
E a escola e cada um de nós, educadores, o que dizemos disso ?  E o que podemos e devemos fazer para mudar esse quadro tão dramático e para, de fato, podermos acender luzes ?

                                   Márcia Maria dos Santos Solha
                                           Dezembro/2010


terça-feira, 30 de novembro de 2010

(2°) Vídeo-aula 18 - Violência e Educação


2°Módulo - Vídeo-aula 18: Violência e Educação
Qual foi a minha grata surpresa ao ver nesta vídeo-aula a Flávia Schilling !
Passaram-se 30 anos, quando pude “conhece-la” através do seu livro “Querida Liberdade” em julho de 1980 na reunião da SBPC no Rio de Janeiro,o qual adquiri. Após le-lo, sempre tive o desejo de ter notícias da autora, saber o que havia se passado após a sua  volta ao Brasil, mas não consegui.
E lá estava ela, na vídeo-aula, falando sobre violência com tamanha ternura, leveza, sabedoria, humildade, demonstrando que sabe com profundidade do que está falando,  principalmente porque sentiu na própria “pele”.
E mesmo não estando clara, excepcionalmente, nesta vídeo-aula, a citação de sua titulação,  estava  inteira, plena, absoluta, mais que doutora no assunto.
Com tudo isso me senti em sala de aula, tamanha a acolhida; naquelas aulas em que não vemos o tempo passar.Portanto descobri que Flávia se tornou uma mestre e com tanto por ensinar !
 Fui então correndo pegar o seu livro, o folheei e reli citações que eu havia grifado e me fez muito bem retomar aquelas reflexões. E destaco para mencionar, um trecho da carta ao povo brasileiro:
“Penso que a humildade é uma atitude frente à vida. Tem como base o respeito. Respeito pela vida e pela morte, respeito pela grandeza e insignificância do homem, respeito pela diversidade humana e a unidade humana essencial: todos somos e temos o direito de ser pessoas, pessoas livres, pessoas pensantes, pessoas totais.”
Querida Flávia, declaro aqui minha profunda admiração pela sua história, pela pessoa que  você é, e pela mestre que você se tornou.
Agora te vendo, pela vídeo-aula, pude ver mesmo após 30 anos, aquela mesma jovem sonhadora, idealista, terna, comprometida com a história do seu tempo..., portanto coerente com a sua visão de homem e mundo . E adicionado à isso vi  uma grande mestre, compartilhando generosamente o seu saber ! Aliás, o que você declarou na citação que destaquei do seu livro, me parece que você tem vivido, e, também, como mestre tem levado tantos outros a viver !
Que alegria e honra ser sua aluna !

A Prof°Flávia Schilling parte de duas questões fundamentais para nos introduzir no tema.
A primeira: “não é fácil falar sobre violência, o tema nos emudece, quebra os discursos.” E para isso traz a citação do livro “Ensaio da cegueira” de José Saramago: “Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”. Sendo que a palavra repara tem como significados: olhar atentamente, tentar resolver, sarar, curar, arranjar uma determinada situação.
Portanto é possível e necessário colocar em palavras, e se estabelecer um diagnóstico da situação.

A segunda: “A violência não é uma fatalidade, não tomou conta do mundo; nós podemos agir”.
Isso indica possíveis formas de ação, isto é, o que a escola pode fazer em relação a situações de violência e isso implica em identificar o que se pode fazer, o que lhe compete  e com quais parcerias, e o que não lhe compete fazer.

Portanto, para as duas questões, isto é, tanto para o diagnóstico (penetrar na queixa e ir além dela, buscando descobrir o que acontece naquele ambiente: quando, quem, com quem, contra quem e o que) quanto para a intervenção/conexões (o que fazer e com quais parcerias) é necessário afinar o olhar e exercitar continuamente: ver, olhar e reparar .

Ainda quanto ao diagnóstico, a Prof°Flávia nos diz: “temos que levar em conta que há múltiplas formas de violência na escola. E para qualificar essas queixas e identificar quais são as violências, o exercício de olhar, ver e reparar nos ajudará, nos instrumentalizará a perceber: o que, com quem, contra quem, onde, quando e como , nos possibilitando alguma forma de atuação.

E levanta alguns tipos de violência:
1°-Quando está localizada num território violento, quer seja pela criminalidade, tráfico de drogas, gangues.
2°-Violência que acontece na família e que penetra silenciosamente na escola através do comportamento agressivo ou apático da criança.
3°-E um tipo que é próprio da instituição escolar, por exemplo, passar de ano sem aprender, e num contexto onde ninguém consegue ocupar o seu lugar.

Nos três casos a Prof°Flávia indica o diagnóstico (ver, olhar e reparar) e a intervenção/conexões (diálogo e parcerias, também utilizando: o ver, olhar e reparar). Sendo que no terceiro caso chama à responsabilidade os adultos, portanto professores e demais profissionais da escola, para formar um coletivo que sustentem decisões e projetos que possam trazer um cotidiano rico de conhecimento e interesse, estabelecendo conexões com os pais, vizinhança, segurança pública, saúde, conselho tutelar e secretaria da educação.

E conclui  a aula nos dizendo: “É possível agir e minha proposta é pensar no que nos acontece, detectar: onde, quando, com quem, contra quem, o que; utilizando o olhar  para talvez, ver e quem sabe, reparar. É um desafio possível: a produção de diagnóstico orientando ações que impliquem em identificar o que fará, e com quem fará, no estabelecimento de novas conexões.”

“Se puderes olhar, vê.
 Se puderes ver, repara”
Essa frase busca despertar em cada um de nós o sujeito que de fato somos, autor e ator da nossa história pessoal e da história do nosso tempo, e portanto agentes de transformação da sociedade.
Ela convida-nos a sair da posição de vítimas, impotentes frente aos problemas e, nesse caso, a violência, para nos posicionarmos: identificando/diagnosticando e fazendo parcerias/conexões.
Ver, olhar e reparar (e reparar que quer dizer: olhar atentamente; tentar resolver; sarar; curar; arranjar uma determinada situação) traduz muito bem o papel do educador, que ao agir assim, além de fazer a diferença no mundo; pelo seu exemplo, prepara outros, os seus alunos, a agirem com autonomia em prol do bem comum.
Querida Prof° Flávia é isso que, certamente, você tem feito.

                         
                     Márcia Maria dos Santos Solha
                                novembro/2010
              

(2°) Vídeo-aula 17 - Pode a ética e a cidadania ser ensinadas ?

2°Módulo – Vídeo-aula 17: Pode a ética e a cidadania ser ensinadas ?

O Prof° José Sérgio Carvalho retoma os filósofos da Grécia Antiga para refletir sobre a possibilidade da formação moral dos nossos alunos, da formação ética e, como eles chamavam, da formação da virtude.

Para tanto nos remete há 2.500 anos quando Aristóteles disse como uma educação pode e deve se vincular à formação ética dos cidadãos: “a conduta  não decorre da simples consciência de certos princípios, nem da posse ou da enunciação de imperativos e máximas morais, mas é resultante de um constante exercício prático neles fundado”.
E continuando a abordar o assunto diz: “A virtude (...) recebe do ensino a geração e o desenvolvimento, por isso necessita de experiência e tempo: a ética provem do hábito (...)portanto as virtudes não se geram por natureza ou contra a natureza, mas se geram em nós, nascidos para recebê-las e aperfeiçoando-nos mediante o hábito (...) nós (as) conseguimos pela ação, porque, como nas outras artes, o que é preciso primeiro aprender para fazê-lo, aprendemos fazendo-a, tal como nos tornamos construtores construindo ou tocadores de cítara tocando.
Assim, também, realizando ações justas ou sábias ou fortes tornamo-nos sábios, justos ou fortes”. Ao que o Prof°José Sérgio acrescenta: “que é sendo um professor  justo que ensinamos o valor e o princípio da justiça aos nossos alunos, sendo respeitosos e exigindo que elês também o  sejam é que ensinamos o respeito, não como um conceito, mas como um princípio de conduta.”

A idéia fundamental de Aristóteles é que uma sociedade democrática forma cidadãos democráticos, e ao mesmo tempo, uma formação democrática aperfeiçoa uma sociedade democrática. E a Educação deve estar à serviço do Bem Comum, que é a cidade.
E esse tema era recorrente em toda a sociedade grega.

Não era assim há 300, 400 anos antes de Aristóteles quando tinham absoluta certeza que a virtude não podia ser ensinada e que nada tinha a ver com esforços educativos, pois, ou era herdada ou uma escolha dos deuses. Porém quando a Pólis passa a se democratizar, a formação de todos para a cidadania passa a ser urgente e tema de debate.

E é o que está acontecendo com o Brasil. Tal como a Pólis,  nós temos todos na escola (universalização) e esse tema se coloca no centro das discussões.

Podemos e devemos aprender com os filósofos gregos a partir das discussões que tiveram e da forma como conduziram o tema e pautaram as suas práticas, porém mais do que isso, podemos e devemos aprender com eles a indagar.
E me vem a imagem de Sócrates, com a sua maiêutica, o parto das idéias.
Gilberto Cotrim fala: “Sócrates desenvolvia o saber filosófico em praças públicas, conversando com jovens, sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual  à consciência prática ou moral.
O autoconhecimento era um dos pontos fundamentais da filosofia socrática.
“Conhece-te a ti mesmo”, frase inscrita no templo de Apolo, era a recomendação básica feita por Sócrates a seus discípulos.”

E Antonio Xavier Teles comenta: “O método socrático não consistia em enunciar teorias e sim em fazer perguntas e analisar as respostas de maneira sucessiva até chegar à verdade ou à contradição do enunciado. Chamava isso de maiêutica, que em grego significa parto de idéias.
O essencial, para ele, era conhecer-se a si mesmo. Alcebíades, dizia: se diz corajoso, mas enquanto não souber o que é a coragem não se conhecerá totalmente.
Pela análise, (maiêutica) podemos conhecer tudo de nós mesmos.”

E Gilberto Cotrim ainda completa: “Para ele, a primeira virtude do sábio é adquirir consciência da própria ignorância. “Sei que nada sei” dizia Sócrates. Então, libertos do orgulho e da pretensão de que tudo sabiam, os discípulos podiam então iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias idéias. Novamente Sócrates lhes propunha uma série de questões habilmente colocadas, destinadas à concepção de idéias, que era chamada de maiêutica, termo grego que significa: arte de dar à luz.”

Concordo com o que o Prof°José Sérgio Carvalho apontou sobre a questão do ensino de ética e cidadania, que vai ao encontro do que foi abordado em outras vídeos-aulas, porém considero fundamental a reflexão, o parar para pensar, discutir, fundamentar através de teorias, autores. Daí que é preciso haver espaço sim para aulas de ética e cidadania.
Penso que a construção do conhecimento e da visão de homem e de mundo se dá por três degraus:
1°-consciência (despertar-se para, dar-se conta; informação, conhecimento)
2°-vontade (adesão voluntária, compromisso, participação; querer ou  não querer)
3°-ação (agir)
Então, as aulas que remetam à analise, reflexão, posicionamento, e que abordem temas como ética, cidadania, valores, é fundamental para a formação do ser integral, para a formação do cidadão comprometido com o exercício da cidadania e, assim, voltado para o Bem Comum.                                    
                                                   Márcia Maria dos Santos Solha
                                                            dezembro/2010

(2°) Vídeo-aula 16 - Sexualidade e prevenção de risco



 2°Módulo – Vídeo-aula 16: Sexualidade e prevenção de risco

As professoras Lilia e Marisi discutiram sobre a importância de se trabalhar a temática da sexualidade na escola tanto para a informação, quanto para a orientação, prevenção de doenças (DST e AIDS) e para evitar a gravidez.

E levantaram os seguintes pontos:

- A distribuição de preservativo na escola:
Faz-se necessário, pois infelizmente as estatísticas indicam o aumento de número de casos de AIDS na faixa etária da adolescência.
Além disso, numa pesquisa da UNESCO, foi identificado que 4 a 20% dos adolescentes entrevistados, nunca usaram preservativo. Considerando que no Brasil há 50 milhões de adolescentes, dá para ter uma idéia da quantidade de jovens em risco de contrair DST e AIDS.
Alguns também revelaram que usam nas primeiras relações e depois de quatro, cinco, não usam mais por considerar que é parceiro(a) fixo.
Um outro ponto preocupante é que as meninas no Brasil ficam grávidas nas primeiras relações.

Frente ao que foi exposto fica evidente a necessidade de um trabalho efetivo sobre o assunto na escola.
A Prof°Lídia recomendou que o professor, para tratar do assunto, utilize dinâmicas demonstrando não só como fazer, mas o que envolve a sexualidade: a afetividade, o respeito, o querer, e  a escolha (o parceiro pode falar não)
A Prof°Marisi complementou dizendo que mais importante que aulas de sexologia a que médicos tem sido convidados a dar, e acabam abordando a anatomia do aparelho reprodutor feminino e masculino;  é preciso conversar sobre afetividade, e o adolescente perceber-se podendo escolher sem se sentir pressionado.

É preciso também orientar o uso da dupla proteção: o preservativo para a prevenção de DST e AIDS, e outro método para evitar a gravidez (pílula, ou outro).
È fundamental abordar a responsabilidade compartilhada na relação sexual e na prevenção, não deixar tudo na responsabilidade da menina. Os direitos e deveres de cada um.

Alguns países disponibilizam, também, para os adolescentes, outros métodos contraceptivos: contracepção de emergência (pílula do dia seguinte, que não é abortiva, como alguns pensam) e a contracepção, ambas para prevenir a gravidez.

É papel da escola e do professor ter um olhar amplo e uma ação efetiva sobre o ser que está em formação, em desenvolvimento, e possibilitar meios, formas para que isso ocorra de maneira natural, integral.
E para que isso aconteça, a sexualidade e a afetividade são fundamentais, ainda mais nessa etapa de descobertas e de uma maior autonomia e independência.

                                       Márcia Maria dois Santos Solha
                                                dezembro/2010
                                                                                                                                                                                       

Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=ZTEpBtrQnzg

(2°) Vídeo-aula 15 - Sexualidade na escola




2°Módulo – Vídeo-aula 15: Sexualidade na escola

A Prof°Marisi Braz inicia enfatizando a importância de se trabalhar esse tema na escola.
Comenta as taxas de gravidez entre as adolescentes e que no Brasil 19.4% dos abortos ocorrem com adolescentes. Nos dois casos a região Norte tem o maior índice. E no primeiro caso, a região Sudeste tem o menor índice e no segundo, a região Sul tem o menor índice.

Ela apresenta o processo do desenvolvimento sexual seguindo o modelo de Freud:
Fases: oral, anal, fálica, de latência e genital.

E que a adolescência se encontra entre a infância e a fase adulta e o objetivo é a identidade individual e autonomia deste indivíduo.
Já a puberdade, o objetivo final é o desenvolvimento da função reprodutora

Adolescência:
Três lutos:
Luto pela perda do corpo infantil
Luto pela perda dos pais da infância
Luto pela perda da identidade e do papel sócio familiar infantil.

1°Fase:
Início – 11 a 13 anos para as meninas e 12 a 14 anos para os meninos.
Transformações físicas e fisiológicas (sexuais)
Questão central (normalidade)
Imagem corporal
Diferenças sexuais
Redefinição dos modelos de relacionamento (grupo de sexo oposto; melhor amigo do mesmo sexo).

2°Fase:
Meio da adolescência
Meninas – 13 a 16 anos / Meninos – 14 a 17 anos
Marcada pelas últimas transformações físicas
Assimilação harmoniosa do papel pessoal, familiar e social.
Conquista de um lugar
Novo papel enquanto sujeito
Conflito entre o desejo de independência e a necessidade da dependência

Fim da adolescência:
17 aos 21 anos ou...
Ocorre após a consolidação da última etapa do desenvolvimento físico
Identidade sexual
Relacionamento íntimo
Identidade de adulto
Identidade material

A masturbação é elemento integrante da sexualidade.
Culturalmente, no Brasil, quanto mais cedo o menino perde a virgindade, melhor. Já para as meninas a virgindade preservada é muito estimulada.

Iniciação sexual: rito de passagem entre infância, adolescência e juventude.
Média: sexo masculino – 13,9 anos / sexo feminino – 15,1

Diversidade sexual – homossexualidade deixou de ser considerado transtorno mental em 1973.

Relação sexual forçada : não se limita ao ato sexual e é mais abrangente que a violência sexual.
15% das meninas – e é provocada por amigos ou por homem da família.
2% dos meninos – e a maioria das vezes por meninas e não por adultos.

93% dos adolescentes declararam atração pelo sexo oposto.
Já 5,8% dos meninos e  6,4% das meninas declararam atração pelo mesmo sexo.

Uma pesquisa realizada na França (1998) sobre relações exclusivas homossexuais
levantou:
3 a 6% dos meninos e 1 a 2% das meninas.
Relações bissexuais são raras: 1%.

E tanto a Prof°Marisi quanto o Prof°Li Li Min enfatizaram a importância de se discutir sexualidade na escola.
A  passagem do adolescente à idade adulta de forma saudável se dá através:
-do acesso à informação
-discussão de sexualidade e afetividade
-acesso ao sexo seguro com o uso de preservativos e de métodos contraceptivos.

                                    Márcia Maria dos Santos Solha
                                              dezembro/2010